Coisa de Mãe

13 de novembro de 2008

por Christianne Alcantara

Você já beijou seu filho hoje?

Há dias em que ficamos tão envolvidas com o cotidiano, com o “dar banho”, “dar a comida”, “vestir a roupa”, “escovar os dentes”, que esquecemos de nos dar aos (às) nossos (as) filhos (as). São tantos afazeres, tantas demandas e tanto corre-corre, que às vezes a gente se esquece do principal, daquilo que nos faz levantar, a cada manhã, e seguir em frente. Em algumas situações, ao chegar ao trabalho, depois de ter deixado João Marcelo na escola, percebi que não o havia abraçado ou beijado ou prestado a devida atenção a ele. A sensação era tão ruim, sentia uma saudade, queria que já chegasse a hora de reencontrá-lo para recuperar o tempo perdido. Por que a gente vive em busca do tempo perdido, como Proust? Essas situações têm me feito começar o dia de forma diferente, na medida do possível. Sei que não há uma fórmula, mas é tão bom quando me volto para ele, antes de me voltar para todo o resto, antes de entrar na roda viva em que a gente “faz tudo sempre igual”. Ontem, consegui me libertar das pressões que envolvem o começo de um novo dia. Dei um abraço apertado nele, dei tanto beijo naquela bochecha e ele só fazia rir, ficava se dobrando de rir. Quando chegamos à escola, ele olhou para mim e disse, na hora da despedida: “Mamãe, me dá um abraço forte?” Dei abraço, beijo, tudo que tinha direito. Saí pronta para encarar o dia. Até o trânsito do Recife estava tranqüilo… Quero a sorte de mais dias como esse.

12 de novembro de 2008

por Christianne Alcantara

Orgulho de ser mãe dele

Agora há pouco, quando estava colocando João Marcelo para dormir, ele perguntou: “Mamãe, você sabe onde o caranguejo mora?” E eu sorri: “No rio?” Ele: “Não, mamãe!” Continuei: “Já sei, no mangue!” Ele: “É, mamãe, no mangue. Muito bem!” Achei ótimo que meu filho já tenha acesso a coisas que são tão nossas. Na hora, lembrei-me de uma fase da minha vida marcada pelas músicas de Chico Science, do estilo manguegirl e mangueboy, de uma fase de efervescência na cena musical do Recife. Quando a gente está no trânsito e passa por um canal, ele canta: “Tomar banho no canal quando a maré encher, quando a maré encher, quando a maré encher!”, música de Chico Science que eu adoro. É muito bom que meu filho vá se identificando aos poucos com as coisas desta terra e vá criando raízes. Tenho muito orgunlho desta cidade. Orgulho de ser mãe de João Marcelo, nem se fala.

P.S. DESCULPEM O EQUÍVOCO: COMO LEMBROU MINHA IRMÃ, QUANDO A MARÉ ENCHER É DE NAÇÃO ZUMBI, NÃO DE CHICO, MAS PODERIA TER SIDO, SE AINDA ESTIVESSE ENTRE NÓS… SEI QUE ADORO A MÚSICA ASSIM MESMO E JOÃO MARCELO ADORA MAIS AINDA!

12 de novembro de 2008

por Christianne Alcantara

O pouso da borboleta

Não sei como aconteceu. Sei apenas que, de repente, olhei para o paletó do meu cunhado, que estava compenetrado, ouvindo as palavras do celebrante, e lá estava ela. Ela, a borboleta. Ou seria uma borboleta? Bom, acho que, depois do pouso, deixou de ser “uma” para ser “a”. A borboleta pousou e ficou. Parecia confortável. Meu cunhado estava se casando, alheio ao pouso que mobilizou inclusive o cerimonial. Confesso que resisti à vontade de espantar a borboleta. A cerimonialista fez menção de ir, mas depois deu de ombros e deixou a borboleta em paz. Ela ficou lá por um tempo razoável… Até que meu cunhado fez algum movimento necessário ao cumprimento do ritual. A borboleta levantou vôo e partiu. Não acompanhei com interesse sua livre trajetória pela pequena capela. Só até onde meu olhos se dignaram a observar. Não era exatamente uma borboleta bonita, de cor exuberante. Era até discreta, não fosse pelo fato de ter pousado no paletó do noivo, durante a cerimônia de casamento. No dia seguinte, uma das convidadas comentou o pouso. A princípio, com curiosidade: “Vocês viram a borboleta que pousou no paletó de Saulo durante o casamento?” Depois, com emoção: “Só me lembrei da mãe dele…” Minha sogra não estava presente à cerimônia, pelo menos fisicamente. Faleceu há cinco anos. Surpreendi-me com a observação. Outras convidadas, sugestionadas por um filme em que a pessoa, já em outra vida, volta como uma borboleta, fizeram o mesmo comentário. Eu, incrédula que sou, em momento algum associei a borboleta a dona Arlene, mãe do meu marido, avó do meu filho. Por outro lado, crédula na infinitude do amor materno, tenho certeza de que a mãe do meu cunhado estava presente ao casamento, abençoando a união e orando para que o filho seja muito, muito feliz.

11 de novembro de 2008

por Christianne Alcantara

Uma mãe e a esperança vã

Dá para definir mãe? Não dá! Eu estou devendo esse post há quase um mês… Hoje, resolvi começar a pagar algumas das minhas dívidas (só as internas, as externas são impagáveis!). No dia 18 de outubro, meu cunhado casou. A noiva é paulista, de Bauru. Lembram-se do post O Casamento (na categoria Estórias de mães)? Pois é, ela é Camille, a noiva. Mas o post não é sobre a noiva. Eu sei: Toda noiva deve ser a protagonista, mas neste blog a protagonista é a mãe da noiva. Eu a conheci numa noite quente de outubro, em um restaurante do Recife. Simpática, voz mansa, um pouco tensa. Sentamos à mesa e começamos a conversar. Ela estava distante de mim, mas eu a observava. Vocês sabem, graças à necessidade de postar coisas de mãe de vez em quando… Afinal, a mãe estava prestes a casar a única filha (Camille tem um irmão). De repente, senti que Camille se irritou com algo… Olhei para a mãe e os olhos já estavam marejados. Em pouco tempo, as lágrimas começaram a cair, não livremente, entretanto. Eu não tinha intimidade para perguntar à protagonista o motivo do choro, mas tinha cara de pau suficiente para perguntar aos coadjuvantes – tios e tias da noiva que acabara de conhecer… A resposta foi unânime: “Ela está nervosa porque Camille vai casar”. Natural (tenho certeza de que eu também vou chorar quando meu filho casar…). Porém, a resposta não me convenceu. Ela já estava chorando (sabe como é, ainda não casei filho, não consegui estabelecer uma relação empática…)? Pensei, com meus botões, em como seria na hora da cerimônia. A emoção do momento, a concretização do ato, a conclusão ainda incerta: “Minha filha cresceu! (?)” Depois fui investigar mais a fundo (o motivo do choro)… Todo mundo confirmava que ela estava nervosa, ansiosa (inclusive a noiva). Não me convenci. Há muito mais no choro de uma mãe do que pode supor nossa vã filosofia… Na cerimônia, tive a sorte de ficar em frente a ela. A roupa estampada dizia menos que o semblante, que tudo estampava. Vi o choro, a alegria de ver a filha feliz, a tentativa de conter as lágrimas. Imaginei as mãos geladas, as pernas um pouco bambas. Senti que se apoiava no pai da noiva para que o corpo não cedesse. A festa foi linda. Tudo perfeito. Inclusive, a mãe, que desempenhava seu papel com primor. Chorava, sorria, flutuava entre a tensão e o alívio. Conversava e calava. Pensativa, deixava-me ainda mais curiosa. No dia seguinte ao casamento, ela se preparava para voltar, despedindo-se. Não me contive e perguntei: “A senhora já está com saudade?” Ela sorriu, entre lágrimas: “É porque é longe…” Fiz a conta rapidamente: Camille já mora longe da casa dos pais há uns dez anos, pelo que eu sei… O que mudara? Então, achei que começava a entender e interpretei: O fato de a filha casar com um pernambucano sepultava as esperanças da mãe de que um dia a noiva voltasse para perto de casa. Naquele dia, aprendi: Filhos (as) podem ser mensageiros (as) de esperanças vãs.

10 de novembro de 2008

por Christianne Alcantara

Repertório

Há umas expressões, palavras, orações ou frases que são comuns no meu dia-a-dia com meu filho. Hoje, resolvi enumerá-las porque são um registro desta fase de João Marcelo:

“Deixa comigo!”

“Deixa de enrolada…”

“Por que?”

“Legal!”

“Engraçado…”

“Que figura!”

“Fulano (a) é brabo (a)”

“Quero ir para a Espanha”

“Quero tu, mãe!”

“Você é minha vida…”

“Aprendi com Rosa” (Rosa é a professora dele)

“Bota fulano (a) de castigo, mãe”

“Fala sério com ele (a), mãe”

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