Coisa de Mãe

O pouso da borboleta

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Não sei como aconteceu. Sei apenas que, de repente, olhei para o paletó do meu cunhado, que estava compenetrado, ouvindo as palavras do celebrante, e lá estava ela. Ela, a borboleta. Ou seria uma borboleta? Bom, acho que, depois do pouso, deixou de ser “uma” para ser “a”. A borboleta pousou e ficou. Parecia confortável. Meu cunhado estava se casando, alheio ao pouso que mobilizou inclusive o cerimonial. Confesso que resisti à vontade de espantar a borboleta. A cerimonialista fez menção de ir, mas depois deu de ombros e deixou a borboleta em paz. Ela ficou lá por um tempo razoável… Até que meu cunhado fez algum movimento necessário ao cumprimento do ritual. A borboleta levantou vôo e partiu. Não acompanhei com interesse sua livre trajetória pela pequena capela. Só até onde meu olhos se dignaram a observar. Não era exatamente uma borboleta bonita, de cor exuberante. Era até discreta, não fosse pelo fato de ter pousado no paletó do noivo, durante a cerimônia de casamento. No dia seguinte, uma das convidadas comentou o pouso. A princípio, com curiosidade: “Vocês viram a borboleta que pousou no paletó de Saulo durante o casamento?” Depois, com emoção: “Só me lembrei da mãe dele…” Minha sogra não estava presente à cerimônia, pelo menos fisicamente. Faleceu há cinco anos. Surpreendi-me com a observação. Outras convidadas, sugestionadas por um filme em que a pessoa, já em outra vida, volta como uma borboleta, fizeram o mesmo comentário. Eu, incrédula que sou, em momento algum associei a borboleta a dona Arlene, mãe do meu marido, avó do meu filho. Por outro lado, crédula na infinitude do amor materno, tenho certeza de que a mãe do meu cunhado estava presente ao casamento, abençoando a união e orando para que o filho seja muito, muito feliz.

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