Dá para definir mãe? Não dá! Eu estou devendo esse post há quase um mês… Hoje, resolvi começar a pagar algumas das minhas dívidas (só as internas, as externas são impagáveis!). No dia 18 de outubro, meu cunhado casou. A noiva é paulista, de Bauru. Lembram-se do post O Casamento (na categoria Estórias de mães)? Pois é, ela é Camille, a noiva. Mas o post não é sobre a noiva. Eu sei: Toda noiva deve ser a protagonista, mas neste blog a protagonista é a mãe da noiva. Eu a conheci numa noite quente de outubro, em um restaurante do Recife. Simpática, voz mansa, um pouco tensa. Sentamos à mesa e começamos a conversar. Ela estava distante de mim, mas eu a observava. Vocês sabem, graças à necessidade de postar coisas de mãe de vez em quando… Afinal, a mãe estava prestes a casar a única filha (Camille tem um irmão). De repente, senti que Camille se irritou com algo… Olhei para a mãe e os olhos já estavam marejados. Em pouco tempo, as lágrimas começaram a cair, não livremente, entretanto. Eu não tinha intimidade para perguntar à protagonista o motivo do choro, mas tinha cara de pau suficiente para perguntar aos coadjuvantes – tios e tias da noiva que acabara de conhecer… A resposta foi unânime: “Ela está nervosa porque Camille vai casar”. Natural (tenho certeza de que eu também vou chorar quando meu filho casar…). Porém, a resposta não me convenceu. Ela já estava chorando (sabe como é, ainda não casei filho, não consegui estabelecer uma relação empática…)? Pensei, com meus botões, em como seria na hora da cerimônia. A emoção do momento, a concretização do ato, a conclusão ainda incerta: “Minha filha cresceu! (?)” Depois fui investigar mais a fundo (o motivo do choro)… Todo mundo confirmava que ela estava nervosa, ansiosa (inclusive a noiva). Não me convenci. Há muito mais no choro de uma mãe do que pode supor nossa vã filosofia… Na cerimônia, tive a sorte de ficar em frente a ela. A roupa estampada dizia menos que o semblante, que tudo estampava. Vi o choro, a alegria de ver a filha feliz, a tentativa de conter as lágrimas. Imaginei as mãos geladas, as pernas um pouco bambas. Senti que se apoiava no pai da noiva para que o corpo não cedesse. A festa foi linda. Tudo perfeito. Inclusive, a mãe, que desempenhava seu papel com primor. Chorava, sorria, flutuava entre a tensão e o alívio. Conversava e calava. Pensativa, deixava-me ainda mais curiosa. No dia seguinte ao casamento, ela se preparava para voltar, despedindo-se. Não me contive e perguntei: “A senhora já está com saudade?” Ela sorriu, entre lágrimas: “É porque é longe…” Fiz a conta rapidamente: Camille já mora longe da casa dos pais há uns dez anos, pelo que eu sei… O que mudara? Então, achei que começava a entender e interpretei: O fato de a filha casar com um pernambucano sepultava as esperanças da mãe de que um dia a noiva voltasse para perto de casa. Naquele dia, aprendi: Filhos (as) podem ser mensageiros (as) de esperanças vãs.
Uma mãe e a esperança vã
11 de novembro de 2008 2 Comentários