Coisa de Mãe

4 de dezembro de 2008

por Christianne Alcantara

Um homem, uma mulher, 3 anos atrás…

João Marcelo vai completar 3 anos no próximo dia 21! Parece que foi ontem que me descobri grávida, entre feliz e incrédula. Era um domingo. Estávamos numa praia maravilhosa de Alagoas, Japaratinga. Meu humor estava péssimo. Chorava, sorria, brigava com Marcelo, reclamava, voltava a chorar. Nem eu mesma estava me agüentando! Até que suspeitei: Será que estou grávida? Há seis meses tinha parado o anticoncepcional, liberado geral… Voltamos para o Recife. Ao longo do percurso, um enjôo, um mal-estar e a ameaça do marido: “Se você não estiver grávida, juro que me separo, porque só existe a alternativa de você estar louca!” O que hoje é engraçado me fez chorar copiosamente e retrucar: “Quer dizer que você só me quer se eu estiver saudável, se estiver louca, você vai me abandonar… Que marido, eu arrumei…” Buáááá!!!! Ele balançou a cabeça e não falou nada, mas claro que pensou: Se ela estiver grávida, ótimo, mas ainda assim terei que suportar os próximos nove meses!!! Acho que foi a vez dele de soluçar. Em pensamento, claro. Resultado: Gravidez. Marcelo respirou aliviado. Achou que eu não estivesse louca… Não sabia ele que a maternidade provoca outros tipos de loucura… Claro que, passados os três primeiros meses, parei de chorar com os comerciais de margarina e de me irritar com tudo… Os outros seis foram de ansiedade e muita alegria. Os últimos quase três anos? Isso é assunto para os próximos posts…

28 de novembro de 2008

por Christianne Alcantara

Quando a mãe já sabe que vão dizer ou pensar: “É Coisa de mãe!”

Gabriel tem 11 meses e a mãe, Annaflora, já aprendeu: Quando conta algum feito do bebê, o pessoal, se não diz, pensa: “Isso é Coisa de mãe! Tá vendo que um menino nessa idade não apronta essas travessuras!” Por isso, a pobre da mãe sempre recorre ao registro fotográfico ou à testemunha ocular da história. É claro que mãe tem essa tendência mesmo: Sempre acha que qualquer coisa que o filho faz é excepcional. Mas daí suspeitar de todas as proezas do bebê é demais! Com tanta suspeita, Annaflora já está escaldada e só mandou este e-mail depois que a proeza foi testemunhada: 

“Ontem, fui limpar Gabriel para dar o último banho do dia e colocá-lo para dormir. Ao tirar o excesso de pomada, fui dizendo a ele o que iríamos fazer: ‘Tomar banho, bebê, gagau e mimi’ (psicologia Inaldiana – Inalda é a avó paterna de Gabriel). Mal terminei de tirar a pomada, ele saiu da cama ‘pelado’ e foi na direção do meu quarto. Entrou no banheiro, pegou a banheira, arrastou-a para o box, entrou, sentou, olhou para mim e disse: ‘Ãh! Ãh!’ Tudo isso em questão de segundos, não dando para registrar nada, pois sabia que NINGUÉM acreditaria. Mas, para minha alegria, ele tornou a repetir o feito hoje, pela manhã, com Mami e com Rejane! Por isso, conto essa e vou logo dizendo: TENHO TESTEMUNHAS!!!”

17 de novembro de 2008

por Christianne Alcantara

Vida de equilibrista

Não sei se vocês sentem isso, mas a sensação que tenho é de que nós, mulheres, estamos sempre nos equilibrando entre os afazeres domésticos, a vida profissional, o lugar de mãe, de mulher. De ontem para hoje, tenho buscado me equilibrar na corda bamba da dor, a dor da perda. Um amigo faleceu. Não consegui colocar João Marcelo para dormir. Saía, ele me chamava, eu voltava. Até que cansou e dormiu. Para meu alívio, que não queria que meu filho me visse chorando. João Marcelo já me viu chorar outras vezes, já sabe que sou de carne e osso, não uma supermãe ou uma supermulher. Mas, ontem, a dor era minha, não queria compartilhá-la com ninguém, apesar de desmoronar, todas as vezes que alguém falava comigo sobre o fato. Lembro-me de uma conversa que tive com João, meu amigo falecido, certa vez. Ele dizia como detestava ir a velório, enterro (tinha acabado de voltar de um, ao qual não podia faltar). Achava a morte horrível (alguém discorda?)! Na verdade, acho que a gente vive se equilibrando no corre-corre do dia-a-dia… Buscando algo em vida de que talvez sequer desfrutemos, limitados que somos  pelos ponteiros do relógio… Vez em quando, fazemos uma apologia à necessidade de imprimirmos mais qualidade de vida ao nosso cotidiano. De repente, um pouco de vida se esvai, na morte de um amigo querido. E só nos resta nos equilibrar na dor.

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