Coisa de Mãe

Vida de equilibrista

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Não sei se vocês sentem isso, mas a sensação que tenho é de que nós, mulheres, estamos sempre nos equilibrando entre os afazeres domésticos, a vida profissional, o lugar de mãe, de mulher. De ontem para hoje, tenho buscado me equilibrar na corda bamba da dor, a dor da perda. Um amigo faleceu. Não consegui colocar João Marcelo para dormir. Saía, ele me chamava, eu voltava. Até que cansou e dormiu. Para meu alívio, que não queria que meu filho me visse chorando. João Marcelo já me viu chorar outras vezes, já sabe que sou de carne e osso, não uma supermãe ou uma supermulher. Mas, ontem, a dor era minha, não queria compartilhá-la com ninguém, apesar de desmoronar, todas as vezes que alguém falava comigo sobre o fato. Lembro-me de uma conversa que tive com João, meu amigo falecido, certa vez. Ele dizia como detestava ir a velório, enterro (tinha acabado de voltar de um, ao qual não podia faltar). Achava a morte horrível (alguém discorda?)! Na verdade, acho que a gente vive se equilibrando no corre-corre do dia-a-dia… Buscando algo em vida de que talvez sequer desfrutemos, limitados que somos  pelos ponteiros do relógio… Vez em quando, fazemos uma apologia à necessidade de imprimirmos mais qualidade de vida ao nosso cotidiano. De repente, um pouco de vida se esvai, na morte de um amigo querido. E só nos resta nos equilibrar na dor.

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