Coisa de Mãe

26 de dezembro de 2008

por Christianne Alcantara

2º desejo para 2009

Ensinar meu filho a dividir mais é o meu outro desejo para 2009. Não é uma operação fácil, eu sei, mas acho que precisamos estimular nossas crianças a compartilhar. Um outro bebê pode ajudar nesta tarefa… Nada como um irmão ou uma irmã para nos ensinar a dividir rapidinho, mesmo que compulsoriamente… Aprendi com minha irmã: Quando ela nasceu, meu quarto deixou de ser meu, passou a ser nosso. Fomos crescendo e a bicicleta que ganhamos era dividida irmanamente – eu dava uma volta e depois era a vez dela. Tudo bem que às vezes quebrávamos essa regra e não parávamos na primeira volta, mas, enfim, tínhamos que compartilhá-la… Com a adolescência, vieram as roupas e as bijouterias. Ah, minhas bijouterias merecem um post à parte. A verdade é que minha irmã não compra balangandãs porque sabe que pode pegá-las emprestadas comigo aqui… Enfim, veio o carro. Um para as duas novamente. A sorte é que ela estudava pela manhã e eu, à tarde. Quando uma das duas atrasava a entrega era um rolo. Com a maturidade, aprendemos a dividir outras coisas, para além das materiais. Alguns medos, desabafos, anseios, esperanças… Tem sido um exercício, mas tenho certeza de que descobrimos que dividir pode nos deixar bem mais inteiras do que podemos imaginar. Só falta agora ensinar essa operação, nem sempre básica, ao meu filho.

25 de dezembro de 2008

por Christianne Alcantara

A difícil arte de dividir

Fim de ano. Balanço. Olhei para o quarto de João Marcelo desolada. Baús cheios de brinquedos com os quais ele já nem brincava mais. Resultado de aniversários e mimos da avó, da madrinha, do tio, da tia… Eu e Marcelo não costumamos comprar brinquedos a torto e  à direita. Sempre fomos comedidos e tentamos evitar o acúmulo. Pedimos um certo comedimento aos familiares também. O pedido é atendido pela maioria deles, mas se existe uma pessoa que ignora completamente nossos apelos é a avó, minha mãe. Já desistimos de pedir. Temos nos resignado… Chamei João Marcelo para que ele, do alto dos seus três anos, ajudasse na escolha dos brinquedos que deveriam ser dados a outras crianças que não dispunham da mesma diversidade e quantidade de jogos e bichos de pelúcia e tudo o mais… A princípio, ele foi meigo: “Vou dar, mamãe”. De repente, quando começamos a separar os brinquedos que deveriam ser distribuídos, ele olhou para mim e disse: “Não quero dar não, mamãe…” E chorou copiosamente. Aquele apego, a princípio me assustou. Depois, lembrei-me de que ele só tem três anos, é filho único… Acho que esses dois fatos são suficientes para justificar o apego, embora saiba que precisamos investir um pouco mais naquela operação matemática básica e ainda assim complexa: Divisão. Tentei um pouco de senso de realidade: “Você tem três celulares (de brinquedo, claro, pessoal!). Fica com um e mais duas crianças vão ficar felizes, filho!” Ele respondeu: “Mas eu brinco com os três…” Depois de algumas tentativas, escolhi um celular para dar, negociando com ele para que ficasse com “apenas” dois (mês que vem, daremos mais um…). Foi a vez daqueles brinquedos de quando ele tinha um ano de idade… “Filho, você ganhou este carro quando completou um ano. Agora você já tem três anos…” O pirralha não se fez de rogado: “Mamãe, quero ter um ano de novo… Não quero ter três anos mais não…” Olhei para o menino espantada. Procurei o chão. Já estava sentada nele, graças a Deus! Pensei em mil coisas e saí com esta: “Está bem, filho, você fica com seus brinquedinhos de quando você tinha um ano e me dá todos os que você ganhou, agora que completou três. Já que você só quer ter um ano, não poderá brincar com eles. Então, podemos dá-los às crianças. Que tal?” Ele olhou para mim e disse com lágrimas que rolavam pelas bochechas muito fofas: “Não, mamãe, quero ter três aninhos mesmo… Tô triste!” E me abraçou. Terminamos de separar os brinquedos. Vamos entregá-los amanhã. Quem sabe meu filho não encontre um pouco de felicidade na felicidade das crianças que vão recebê-los? É meu último desejo para 2008.

23 de dezembro de 2008

por Christianne Alcantara

1º Desejo para 2009

Ainda não é nem dia de natal e eu já estou pensando no ano novo. Sempre foi assim comigo. Sou meio acelerada, ligada no futuro, no que será que será. Sei que às vezes deixo de viver o presente, mas o que não cultuo é o apego ao passado. A palavra “passado” já diz tudo: Passou! Não suporto quem insiste em remoer o passado. Claro que os filósofos de plantão devem me lembrar de que é impotante se lembrar do passado para não repetir equívocos, para recordar os bons momentos, mas confesso que o passado só me interessa quando tem qualquer conexão com o presente. Nem sempre esse link existe. Muitas vezes, o passado serve apenas para cultivar o rancor, a dor, a intriga. Por isso, neste ano de 2009, quero ensinar meu filho a perdoar mais, viver mais o presente e pensar sempre no futuro. O passado que trate de passar logo. Menos saudosismo, menos nostalgia e mais projetos para o ano novo. Que meu filho faça dele um ano realmente novo, diferente, sem tantas repetições que nos façam sentir como se andássemos em círculos. Sempre achei que precisamos andar em curvas. Nunca em reta ou a dar voltas, como se girássemos em torno de nós mesmos (as) e das nossas neuroses. Que eu consiga exercitar e ensinar esse exercício ao meu filho. Esse é apenas um dos meus inúmeros desejos para o ano que vem.

22 de dezembro de 2008

por Christianne Alcantara

“Só as mães são felizes”

Nunca fiz aniversário de João Marcelo em casa de festas. Com todo o respeito a quem faz, sem qualquer crítica, honestamente, não gosto daquela fórmula pronta. Os aniversários ficam tão parecidos… Sei que é muito mais prático, mas muito! Claro que sonho em um dia chegar a alguma festa do meu filho como uma convidada, sem estresse ou preparativos. Mas acho que isso só acontecerá no casamento dele. Se ele casar, claro… Falando assim parece até que é um peso organizar tudo. Definitivamente, não é! Dá um trabalho miserável, porém, tenho certeza de que me divirto mais do que ele! É bom demais sair planejando cada detalhe: das lembrancinhas aos brinquedos, passando pelo teatrinho, pelo buffet… Dá um prazer enorme! Por isso, acho que quem sai ganhando sempre sou eu nos aniversários de João Marcelo. Principalmente depois que a gente chega em casa… Ontem, mesmo, ele ganhou muitos presentes; eu ganhei o maior deles. Pronto para dormir, João Marcelo olhou para mim, colocou os braços ao redor do meu pescoço e disse: “Mamãe, você fazer meu aniversário muito legal. Obrigado, mamãe.” E tome beijo! Pois é, no final sou obrigada a concordar com Frejat e Cazuza: “Só as mães são felizes”.

17 de dezembro de 2008

por Christianne Alcantara

Fazendinha ou ursinho Pooh, eis a questão

Primeiro, o tema. “João Marcelo, qual será o tema do seu aniversário?” Ele olhou para mim e disse: “Quantos anos vou fazer no meu aniversário, mamãe?” Claro que ele não tinha entendido a pergunta. Afinal, só vai fazer três anos e “tema” não era uma palavra que fazia parte do vocabulário dele até então. Reformulei a pergunta, dando-me conta de que, embora ele já fazer três anos, ele ainda só tem três anos. “Filho, a Turma do Cocoricó participou do seu aniversário ano passado, lembra?” Respondeu, sem precisar puxar muito pela memória: “Lembro”. “Pois é, quem você quer que vá este ano? A gente pode chamar o pessoal da fazenda (aquele tema da fazendinha), a gente pode chamar a turma do Pooh (mães sabem do que estou falando)…” Ele disse logo: “Quero os animais na minha festa, uma fazenda bem grande, mamãe!” E eu, orgulhosa, pensei: “Que menino decidido, puxou a mim, claro, sem hesitações, determinado!” Lá fui eu organizar a festa da fazendinha. Avisei ao avô que levaria um verdadeiro zoológico para a casa dele (faço na casa de Vovô Zé todo ano, é a nossa casa de festas). E a fazendinha era viva, tudo bicho de verdade, nada de bonecos. Já havia marcado com a pessoa responsável pela Fazenda, negociado o preço, quando João Marcelo me saiu com essa: “Mamãe, quero que o meu aniversário seja do Pooh!” Desabei no sofá: Para onde tinha ido toda aquela determinação? Fiquei abalada: Afinal, ele tinha herdado essa característica do pai, que não chega a se configurar como indecisão, mas reflete uma certa mudança de opinião repentina, sem mais nem menos, ser ter nem pra quê! Claro que escondi meu desconsolo. Ia ficar tão lindo, pensei. Não disse nada, lembrei-me na hora de que o aniversário era dele, João Marcelo, não da mamãe aqui. Resignei-me à decisão do meu filho e lá fui eu atrás do ursinho Pooh. O avô, que tinha adorado a idéia da fazendinha, detestou a mudança. Quando me ouviu dizer que João Marcelo havia mudado de opinião, olhou para mim, incrédulo: “E um menino de menos de três anos tem opinião, minha filha?” Respondi, automaticamente: “O meu tem”. Ele ficou calado. Entretanto, tenho certeza de que pensou: Essas mães modernas, sei não… E eu: Que bom que muita coisa mudou dos três anos do meu marido para cá… E afinal cheguei à conclusão de que é muiiiito bom mudar de opinião de vez em quando e ter sua opinião respeitada. Melhor ainda: Foi muiiiito bom respeitar, sem traumas, a decisão do meu filho. Talvez a festinha do Pooh não fique tão linda quanto a da fazendinha, mas tenho convicção de que João Marcelo vai ficar mais feliz. Eu, nem se fala.

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