Coisa de Mãe

11 de novembro de 2011

por Christianne Alcantara

A parte que me cabe


Prestes a fazer uma cirurgia para retirada da vesícula biliar, uma colecistectomia, como preferem os médicos, fico pensando nessas coisas que mãe pensa… E se acontecer alguma coisa? Quem vai cuidar dos meus filhos? Claro, tem o pai, mas não é a mamãe e por aí vai… Um sentimento bem comum, humano. Entretanto, tem me feito refletir sobre essa onipotência materna que, acredito, a maioria das mães desenvolve… Essa visão de que só ela pode dar o melhor, proporcionar o melhor para o filho… Uma ilusão que se dissipará em breve por aqui, quando, na minha fase pós-operatória, tudo continuar acontecendo na vida dos meus filhos da mesma maneira. Eles seguirão em frente com a rotina deles enquanto eu me recupero. Simples assim. Não haverá mudanças significativas no cotidiano deles. Haverá na minha. E é aí que mora a questão sobre a qual tenho refletido. O que é meu e o que é deles. O que é necessidade deles, o que é necessidade minha. Se abro mão de uma série de oportunidades, no trabalho, por exemplo, é por eles ou por mim mesma? É porque eles necessitam desse tempo comigo ou é porque eu resolvi dedicar esse tempo a eles, acreditando que é o que tenho conseguido fazer de melhor? Não tem problema algum que seja por mim mesma. É legítimo. Contanto que eu tenha consciência disso e não me pegue dizendo algo para eles, no futuro, como: “Eu abri mão de minha vida profissional para cuidar de vocês…” Contanto que eu seja justa. Com eles, sim, mas antes de tudo comigo mesma.

24 de outubro de 2011

por Christianne Alcantara

Coisas de João Marcelo III

João Marcelo, em uma festa de aniversário da irmã do amigão, Thor. A tia do amigo, que não sabia da alergia dele à proteína do leite de vaca, oferece brigadeiro. João Marcelo olha para ela muito sério e responde:

– Não posso. Eu tenho minhas limitações.

A tia ficou com o prato de brigadeiro suspenso, sem entender nada… Mais uma das “Coisas de João Marcelo”…

11 de outubro de 2011

por Christianne Alcantara

Troca dos dentes preocupa mães

Um dos posts mais comentados do Coisa de mãe é a entrevista realizada com a dentista Mônica Cruz sobre algumas dúvidas quanto à primeira dentição. Várias perguntas foram respondidas. Algumas no blog, outras por e-mail. De qualquer forma, resolvemos agrupar os questionamentos mais comuns e fazer uma nova entrevista com a dentista. Aqui, ela fala sobre a substituição dos dentes de leite pelos permanentes e os cuidados que devem ser tomados nessa fase. Mônica Cruz tem especialização na áreas de Saúde Pública e Saúde da Família, além de aperfeiçoamento em Odontopediatria e Odontologia para Bebês, e mestrado em Saúde Coletiva.

Coisa de mãe – Muitas mães se preocupam com a faixa etária da criança e a ausência de dentes. A partir de que idade as mães devem se preocupar com a falta da primeira dentição? É possível que uma criança não apresente dentes?
Mônica Cruz – A variação na época do nascimento dos primeiros dentes é comum. A idade média de erupção é aos 6 meses de idade, mas algumas crianças chegam a completar 1 ano sem nenhum dente na boca e isso não deve ser motivo de preocupação. Já tive paciente que veio a apresentar os primeiros dentinhos com 1 ano e 4 meses. O importante é fazer o acompanhamento juntamente com o pediatra e constatar que a criança apresenta um desenvolvimento saudável. Algumas doenças como o hipotireoidismo ou algumas síndromes podem vir acompanhadas de anodontia (falta de dentes) parcial ou total.

Coisa de mãe – Quando os dentes de leite começam a cair? Existe uma idade máxima? Essa é uma dúvida frequente. Há realmente motivo para preocupação?
Mônica Cruz – Do mesmo modo que existe variação na época de nascimento dos dentes de leite, existe a variação para iniciar a troca. A idade mais comum é aos 6 anos de idade, podendo haver um variação para mais ou para menos. A preocupação só deve ocorrer se o atraso for muito acentuado e o odontopediatra deve acompanhar e solicitar radiografias, caso ache necessário. Continue Lendo →

3 de outubro de 2011

por Christianne Alcantara

Para cada filho, um amor diferente

Filhos são completamente diferentes. Não sei quem colocou na cabeça da gente que eles poderiam ter o mesmo comportamento. Não sei de onde vem essa expectativa. João Marcelo, o primogênito de quase 6 anos, é calmo, zen, feliz na essência, a tranquilidade em pessoa. Claro que, baseada nessa referência, no meu inconsciente, eu tinha uma expectativa de uma filha com características semelhantes. É verdade que essa era uma esperança bem, mas bem inconsciente, considerando que o pai e a mãe da garota nada têm de calmos. De qualquer forma, tínhamos, sem manifestar, essa expectativa. Hoje é que percebo. Eis que me vem uma menina sapeca, cheia de vontades e temperamental. Linda e travessa, que precisa de limites constantemente. E é aí que fiquei pensando: como amar, da mesma maneira, dois seres completamente diferentes? Continue Lendo →

28 de setembro de 2011

por Christianne Alcantara

De repente, 40…

João Marcelo e Valentina,

Hoje é 28 de setembro. Estou a um dia dos meus 40 anos. Alguns dizem que é um aniversário como outro qualquer. Para mim, não é. Saio dos 30 – uma boa década, como Balzac contou em “Mulher de trinta anos”. Sinto umas mudanças no corpo, acho que estou meio cansada também. Cansada de um pouco de tudo. Da sociedade hipócrita, da humanidade desumana, das dores que a vida me fez sentir… Cansada de não acreditar muito mais no ser humano… Mas, esta carta, meus filhos, que vocês vão ler um dia, não é para deixar qualquer desencanto registrado. É apenas para dizer que, quando faço um balanço dos meus “últimos” 40 anos, vocês aparecem como meu melhores feitos. As duas obras que eu deixo como legado. Para uma sociedade árida, deixo duas crianças cheias de amor. Espero que vocês cresçam assim. Amorosas. Para uma sociedade hipócrita, eu deixo duas crianças puras. Espero que vocês cresçam assim. Puras, mas sem muita ingenuidade (quero que vocês sobrevivam). Para uma sociedade infeliz, eu deixo duas crianças muito felizes. Espero que vocês cresçam assim. Contagiem a todos com alegria. Para uma sociedade descrente, eu deixo duas crianças cheias de fé. Tornem-se em adultos cheios de fé. Em vocês e nos outros (ultimamente, eu só tenho fé em vocês, mas queria muito que vocês fizessem diferente…). No balanço dos meus 40 anos, descobri que faço muito todos os dias. Deixo um legado razoável pra essa sociedade hostil e desigual. Dois projetos de cidadãos. Que vocês possam ajudar na transformação dessa sociedade… Será o meu pedido, antes de apagar as velinhas amanhã…

Bjs.
Mamãe

© Copyright COISA DE MÃE - Criado pela Tante utilizando Wordpress.