Coisa de Mãe

14 de agosto de 2008

por Christianne Alcantara

País amplia licença-maternidade para 6 meses

Mães de todo o Brasil, uni-vos! A Câmara dos Deputados aprovou ontem a ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses. A iniciativa foi liderada pela Sociedade Brasileira de Pediatria. O projeto de lei é de autoria da senadora Patrícia Saboya (PDT0-CE). Confira abaixo a matéria divulgada no Portal da Câmara dos Deputados.

PLENÁRIO APROVA LICENÇA-MATERNIDADE DE SEIS MESES
Laycer Tomaz /Agência Câmara 

O Plenário aprovou ontem a possibilidade de ampliação da licença-maternidade de 120 para 180 dias, por meio da concessão de incentivo fiscal ao empregador que aderir ao Programa Empresa Cidadã. O Projeto de Lei 2513/07, do Senado, vai à sanção presidencial. A adesão ao programa, criado pelo projeto, terá caráter facultativo e permitirá ao empresário descontar integralmente do Imposto de Renda devido o valor dos salários pagos durante os dois meses adicionais da licença. “Todos os anos haverá uma projeção de quanto a União deixará de arrecadar com a medida”, informou a relatora do projeto na Comissão de Seguridade Social e Família, deputada Rita Camata (PMDB-ES). Ela lembrou que 80 municípios e oito estados têm legislações próprias que já ampliam em 60 dias a licença para suas servidoras. Segundo ela, a proposta é a maior conquista das famílias desde a Constituinte, quando a licença foi ampliada de 90 para 120 dias, após muita discussão. A nova regra valerá para as pessoas jurídicas enquadradas no regime do lucro presumido e para as optantes pelo Simples.

Mães adotivas
Para ter direito ao benefício, a empregada deverá requerer a prorrogação da licença até o final do primeiro mês após o parto ou adoção, já que o projeto também inclui as mães adotivas. Durante a prorrogação, a empregada terá direito a remuneração integral, mas não poderá exercer qualquer atividade paga e a criança não poderá ser mantida em creche ou organização similar. Se descumprir essa regra, ela perderá o direito à prorrogação. A proposta também autoriza a administração pública a instituir programa que garanta essa prorrogação.

Reportagem – Eduardo Piovesan

12 de agosto de 2008

por Christianne Alcantara

Em boa companhia

Hoje vou começar com Clarice Lispector:

“Quanto a meu filho, o nascimento dele não foi casual. Eu quis ser mãe. O menino está aqui, ao meu lado. Eu me orgulho dele, eu me renovo nele, eu acompanho seus sofrimentos e angústias. Sei que um dia abrirá as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres”

Lembrei-me desse texto de Clarice porque fiz um desabafo já agora à noite: “Estou me sentindo tão sozinha…” Falava para mim mesma, como quem pensa alto. Para minha surpresa, um interlocutor perguntou visivelmente preocupado: “Você está sozinha, mamãe?” Recuperada do impacto, olhei para meu filho de dois anos e sete meses e admiti, humilde: “Estou, filho”. Ele não se fez de rogado e respondeu: “Eu estou aqui para te ajudar”. O que uma mãe sente numa hora dessas? Quem é mãe deve entender. Mas imagine que você não seja mãe e que uma criança com menos de três anos de idade demonstre solidariedade para com sua dor. Aquela dor que bate na alma da gente de vez em quando. Não sei até onde essa fantasia pode levar você. Mas posso dar meu depoimento sobre o que aquela frase aparentemente singela representou para mim: Conforto, segurança e aconchego. Ele disse tão naturalmente que parecia estar indignado com o fato de eu não conseguir ver o óbvio. Senti que me renovava naquele amor… Como disse Clarice, um dia eu ficarei sozinha, mas esse dia ainda não foi hoje.

11 de agosto de 2008

por Christianne Alcantara

Dia dos pais atrasado

Recebi reclamações: Nenhuma postagem no Dia dos Pais. Expliquei: O blog é Coisa de mãe. Não se convenceram. Então, a pedidos, resolvi escrever sobre pais, embora eu seja uma mãe… E aí eu poderia começar dizendo: Tem pai que é uma verdadeira mãe! Já ouviram clichê maior? Posso até imaginar os pais leitores deste blog, pensando: Seria melhor que ela não tivesse escrito nada sobre os pais mesmo… Eu também tenho um motivo para não ter escrito no blog ontem: Meu pai. Ele tem me dado trabalho com seu projeto (já o mencionei na postagem Coisa de filha) e não tenho tido muito tempo para fazer mais nada. Pai é engraçado. Não chega a ser um “bicho esquisito” como já defini a qualidade de pessoa que se chama mãe, mas não deixa de ter sua singularidade… O pai da noiva do meu cunhado (registrou?), por exemplo, deixou-nos de queixo caído: A filha dele (tia Camille, para meu filho) já mora com meu cunhado (tio Saulo) há quase dois anos. Moram debaixo do mesmo teto e vão casar em outubro (mais detalhes na postagem O casamento). Mês passado, Camille fez aniversário. Ao telefone, o pai comentou: “Filha, você já pensou que este é seu último aniversário solteira?” É coisa de filha retrucar pai e é claro que ela não poderia deixar passar: “Mas, pai, eu já não me sinto mais solteira…”. O pai não deixou por menos: “Camille, para mim, você ainda é solteira”. A noiva do meu cunhado tem a quem puxar… Já sei. Vocês estão pensando que isso é coisa de pai nordestino. Surpresa: O pai de Camille é paulista. Em resumo: É coisa de pai e ponto final. Mais um exemplo. Não sou casada oficialmente com o pai do meu filho. Outro dia, ouvi meu pai dizendo sobre um colega: “Ele não é casado com ela, não. Eles moram juntos” Retruquei, claro: “Como eu e Marcelo?” É definitivamente coisa de pai achar que as filhas são umas santas. É coisa de pai achar que os filhos são os maiores garanhões. Entretanto, para além do previsível, os pais têm conseguido surpreender. Uma nova cultura vem se instalando há algum tempo. A idéia de que “não basta ser pai, tem que participar” tem sensibilizado os homens, antes acostumados a apenas trabalhar e pagar contas. Justiça seja feita: Aos poucos, uma silenciosa revolução vem ocorrendo no dia-a-dia dos casais modernos. Mulheres menos submissas, homens mais participativos. Pais vêm adquirindo a consciência de que também têm um papel na educação das crianças, na execução das tarefas rotineiras. Mães começam a entender que os pais também têm obrigações. Aquilo que antes era cobrado apenas das mulheres precisa também ser cobrado dos homens. Filho (a) não é (ou não deveria ser, na minha modesta opinião) um projeto individual. Deve ser um projeto a dois. Ambos têm responsabilidades e obrigações. É fundamental que haja um envolvimento efetivo com a criança, que haja disponibilidade afetiva. E quando há disponibilidade afetiva todo o resto é conseqüência. Meu pai é um pai de uma disponibilidade afetiva imensa. Tenho certeza de que isso faz uma grande diferença quanto a minha forma de ver o mundo e de me relacionar com os outros, sejam eles meu marido, meu filho, meu colega de trabalho… Por isso, hoje, vou fazer questão de parafrasear: Pai também só tem um.

Minha homenagem atrasada ao Dia dos pais.

8 de agosto de 2008

por Christianne Alcantara

Lar doce lar

Tenho estado meio ausente nesses últimos dias. Chegado mais tarde em casa, feito poucos programas com meu filho… Tenho estado cansada também. Meio Fernando Pessoa:

“O que há em mim é sobretudo cansaço –
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.”

 E assim, inebriada por esse cansaço, chego à minha casa ansiosa, com dor de cabeça, a coluna doendo pelas tensões modernas e tudo que eu quero é um bom banho e, se possível, uma cama aconchegante… O estresse, agravado pelo trânsito infernal do Recife, chega ao último grau. Sinto-me exausta! E aí, toco a campainha. Ouço aquela vozinha: “Quem é? Já vou, já vou…” O alívio me invade. Sensações de conforto e de tranqüilidade tomam conta de mim. Antevejo aquele sorriso aberto, desprovido das angústias que os adultos acumulam pela incompetência de não saber viver apenas o presente, e já começo a sorrir também. Esqueço tudo: as decepções com os outros, a monotonia da rotina, o trânsito insuportável, o corre-corre, as pressões… Nesse preciso momento, percebo a inversão de valores a que nos submetemos diariamente: priorizamos as buscas materiais, corremos atrás não sabemos exatamente de quê, mas corremos, ocupamos a maior parte do nosso tempo com questões que não mereceriam um minuto do nosso envolvimento pessoal. Mas eu estava no anticlímax. Quando eu ainda estou imaginando aquele sorriso iluminado, inocente, alheio a todas essas inquietações… Eu ainda estou do lado de fora do apartamento, ouvindo de dentro a “anunciação” da minha paz de espírito. Já me sinto mais leve, o cansaço se esvai aos poucos e resta só aquela sensação de plenitude que uma recepção calorosa está prestes a me oferecer. Eu me escondo. A porta se abre e aquele projeto de gente, com cerca de 94cm de altura, sai perguntando: “Quem é? Quem é?” Eu fico de cócoras, ele me vê e grita: “Mamãe!” O grito exprime um misto de alegria por ter descoberto quem se escondia e, ao mesmo tempo, por ter me encontrado… Interpreto, na minha mania de interpretar tudo. Ele me reencontra com o olhar e pergunta: “Tu vai brincar com mim?” É quando eu descubro que não há mais cansaço. Todas as minhas dores aliviadas pela insustentável leveza daquele ser que me olha, ansioso pela resposta. Respondo: “Vou, filho”. Alívio. Lembro-me apenas de agradecer mentalmente por ter sido abençoada com mais um expediente.

7 de agosto de 2008

por Christianne Alcantara

Mãe: bicho esquisito

Vá entender mãe! Eita bicho esquisito! Vejam mesmo: eu tenho todo um discurso sobre a importância da autonomia das crianças para que elas cresçam seguras. Pois bem. Segunda-feira, as aulas recomeçaram. Achei que João Marcelo, depois de um mês inteirinho em casa, esboçaria uma certa resistência. Não muita, apenas o suficiente para satisfazer meu ego de mãe. Mas foi o pai quem o deixou na escola no primeiro dia de aula e relatou: “Tranqüilidade… Ficou lá sem problemas”. Não disse nada, mas claro que pensei (e aqui revelo o meu mais profundo, egoísta e narcisista pensamento): Ficou tranqüilo porque foi o pai quem o deixou na escola. Se fosse comigo, seria diferente…  Na terça, foi minha vez. Precisei dizer: “Um beijo, filho!”, pois já ia ele sem sequer se despedir. Frustração total. Saí, tentando controlar meus sentimentos mesquinhos: Se é assim com dois anos e sete meses, imagine quando for um pré-adolescente, um adolescente, sei lá… Fiquei pensando nisso ao longo de todo o percurso para o trabalho. Hoje, foi o cúmulo: Ele me deixou sem se despedir (e eu tive dignidade: não gritei pedindo beijo, não. Tá pensando o quê?), deu a mão a uma coleguinha e se foi. Sequer usou aquela expressão comum e irritante que todo mundo está repetindo atualmente: Fui!!!! E fico eu, cá com os meus botões e agora com vocês, refletindo: Não era isso que eu queria? Não é isso que eu penso que estou ensinando: autonomia, segurança, tranqüilidade? E agora? Ele aprendeu! Mãe é realmente incompreensível. Se o menino aprende o que a gente ensinou, a gente se frustra. Se o menino não aprende, a gente acha que não está sendo uma boa mãe. Cheguei à conclusão fatal, depois do episódio: Meu filho está crescendo. Só quem falta crescer sou eu!!!

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