Coisa de Mãe

Mãe: bicho esquisito

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Vá entender mãe! Eita bicho esquisito! Vejam mesmo: eu tenho todo um discurso sobre a importância da autonomia das crianças para que elas cresçam seguras. Pois bem. Segunda-feira, as aulas recomeçaram. Achei que João Marcelo, depois de um mês inteirinho em casa, esboçaria uma certa resistência. Não muita, apenas o suficiente para satisfazer meu ego de mãe. Mas foi o pai quem o deixou na escola no primeiro dia de aula e relatou: “Tranqüilidade… Ficou lá sem problemas”. Não disse nada, mas claro que pensei (e aqui revelo o meu mais profundo, egoísta e narcisista pensamento): Ficou tranqüilo porque foi o pai quem o deixou na escola. Se fosse comigo, seria diferente…  Na terça, foi minha vez. Precisei dizer: “Um beijo, filho!”, pois já ia ele sem sequer se despedir. Frustração total. Saí, tentando controlar meus sentimentos mesquinhos: Se é assim com dois anos e sete meses, imagine quando for um pré-adolescente, um adolescente, sei lá… Fiquei pensando nisso ao longo de todo o percurso para o trabalho. Hoje, foi o cúmulo: Ele me deixou sem se despedir (e eu tive dignidade: não gritei pedindo beijo, não. Tá pensando o quê?), deu a mão a uma coleguinha e se foi. Sequer usou aquela expressão comum e irritante que todo mundo está repetindo atualmente: Fui!!!! E fico eu, cá com os meus botões e agora com vocês, refletindo: Não era isso que eu queria? Não é isso que eu penso que estou ensinando: autonomia, segurança, tranqüilidade? E agora? Ele aprendeu! Mãe é realmente incompreensível. Se o menino aprende o que a gente ensinou, a gente se frustra. Se o menino não aprende, a gente acha que não está sendo uma boa mãe. Cheguei à conclusão fatal, depois do episódio: Meu filho está crescendo. Só quem falta crescer sou eu!!!

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