Coisa de Mãe

22 de outubro de 2008

por Christianne Alcantara

Uma relação muiiiito delicada

Há algo mais difícil para uma mãe que trabalha do que arrumar uma babá adequada? Acho que vou fazer uma enquete sobre o assunto. Estou penando há quase um mês. Vou contar a odisséia. No dia 29 de setembro, dia do meu aniversário, a seis dias das eleições, a babá de João Marcelo, que estava conosco desde quando ele tinha 5 meses e 15 dias, resolveu me abandonar. Sem nenhum motivo. Juro. Não houve nada, nenhum problema. Ela arrumou um namorado e cansou do trabalho (ai se eu pudesse deixar meu emprego com essa facilidade…)! Pois é, assim mesmo. Desde então, mães de todo o Brasil, país acostumado com a Casa Grande e Senzala (lembrem-se de Gilberto Freyre!), sabem do que estou falando: Ando às voltas com um entra e sai na minha casa que não sei como nem quando vai parar. Na segunda-feira, chegou uma funcionária nova. João Marcelo começou logo uma briga com a moça e a tem ignorado solenemente. Ela, por sua vez, ainda inexperiente, à noite fica chorando porque acha que ele a rejeita. Imaginem o tamanho do problema! Eu, que só tinha um filho de 2 anos e 10 meses, agora tenho também uma de 20. A moça é um doce, educadíssima, brinca, faz “de um tudo” para agradá-lo e ele só diz que quer trocá-la por outra! Ontem, na hora do almoço, ela estava insistindo com João Marcelo para que comesse umas beterrabas (que ele normalmente come sem problemas, diga-se de passagem)… Pois sabe o que ele aprontou? Olhou para moça e disse: “Calma, tenha paciência!” Dá pra vocês? De qualquer forma, acho que ele falou a palavra mágica: Paciência.

6 de outubro de 2008

por Christianne Alcantara

Fim de campanha

Acabou a campanha do meu pai a vereador do Recife e estou de volta. Não revelei antes o projeto em que estava envolvida para não parecer que estava querendo, por meio do meu blog, fazer campanha. Entretanto, agora, passado o período eleitoral, já posso revelar. Meu pai perdeu a eleição, mas nós (eu e ele) ganhamos em companheirismo. Gostaria muito que meu filho, um dia, viesse a sentir por mim metade do amor que sinto por meu pai. Para isso, eu precisaria ser para João Marcelo pelo menos metade do que meu pai é para mim. Não sei se isso é possível. Meu pai é grande, generoso demais, bom demais. Um grande homem. Fica a ressaca da derrota, mas fica a certeza de que, quando todo o resto nos falta, o amor mútuo entre pai e filha se torna ainda mais forte. Fica também a convicção de que esse elo não se quebrará jamais. Ontem, quando perdemos a eleição, tive a oportunidade de dizer tudo isso a meu pai. Provavelmente não o teria dito se tivéssemos ganho. Meu pai, na sua grandeza d´alma – como diria o poeta Fernando Pessoa, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” -, depois de me ouvir, respondeu: “É tão bom perder…”

1 de outubro de 2008

por Christianne Alcantara

Cuidando de mim

Quanto tempo! Além do envolvimento com aquele projeto que mencionei em posts anteriores e que está quase no fim, graças a Deus (!), desenvolvi uma gastrite. Estresse, ansiedade, aperreio, tudo que eu tenho direito adicionado ao uso de um antibiótico, que é uma bomba, deixou-me prostrada. Sentindo muitas dores, deitada, meu filho chegou perto, querendo brincar, querendo que eu me levantasse, sorrisse, corresse atrás dele… Expliquei que estava doente, com dodói e que não poderia brincar. Ele olhou para mim com o maior carinho do mundo, fez cara de dengo e disse: “Oh, mainha! Onde é o dodói? Eu cuido de tu…” E deitou ao meu lado. Não preciso dizer que o carinho foi um bálsamo e que todas as dores passaram, mas digo, só para lembrar vocês de que, de vez em quando, também é muito bom receber cuidados especiais.

9 de setembro de 2008

por Christianne Alcantara

O salvador de formigas

Minha irmã tem um filho de seis anos e está morando na Espanha. Já falei sobre ele aqui. É meu afilhado, lindo e espirituoso, Iago. Ela tem um blog super legal: http//espanhadeperto.blogspot.com.  Leiam a última do meu outro fofo:

“Ontem, estava voltando para casa com meu filho, quando me surpreendi com um pulo que ele deu para não pisar em ‘certa coisa’. Perguntei o que era:
– Era uma fila de formigas, mamãe! Você não viu?
– Não. Mas o caçador de formigas agora está salvando-as?! – perguntei intrigada. Ele me respondeu:
– É que sou caçador lá em casa, para salvar nossas coisas, nossa comida. Aqui fora, temos que salvar o planeta!
Ah, bom! Agora entendi.
É, bem já dizia Clarice Lispector, os filhos são mesmo uma surpresa para a gente.”

8 de setembro de 2008

por Christianne Alcantara

Crianças só precisam de um pouco de atenção, como qualquer um de nós

Não me entendam mal. Criança precisa de muiiiiiiiiiiiiiita atenção. Mas, se você der pouco, elas já se satisfazem. Crianças, por mais exigentes que sejam, são perceptivas demais para entender que tipo de atenção estamos sendo capazes de dar. Hoje foi outro dia daqueles. Mas consegui chegar em casa às 17h e resolvi fazer o que mais gosto de fazer: brincar com meu filho! O telefone tocava, eu atendia e tava nem aí… Tranqüila, brincando… Deixa o telefone tocar, se eu tiver que atender, atendo… Mas vou dar prioridade a meu filho, sem muito estresse. Sugeri que a gente pintasse o box do banheiro. Você já experimentou? As crianças adoram. Depois lavam e está tudo limpo! Ainda dá para brincar de molhar o pirralha. Eu sempre visto meu maiô ou biquini e faço com que ele coloque a sunga! É uma farra. Enfim, eu fiquei junto do meu filho depois de muito tempo longe. Às 19h, precisei sair. Ele, que vinha chorando quando eu anunciava que precisava sair, sorriu, deu tchau e ficou bem. Pois é, como eu disse anteriormente, eles só precisam de um pouco de atenção, como qualquer um de nós… Mas de uma atenção intensa, cheia de amor e cumplicidade. É pouco?

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