Coisa de Mãe

1 de junho de 2008

por Christianne Alcantara

A volta

Pois é, pessoal, voltei. Nenhum imprevisto. Tudo está no seu lugar. Ótimo, porque semana que vem eu viajarei de novo! Mesmo esquema: pai e mãe, ouro de mina… Meus pais novamente ficarão com João Marcelo. Fico com pena deles porque sei que cansa, mas, embora pareça, não é sempre que eu e Marcelo saímos pelo meio do mundo. A volta foi tranqüila. João Marcelo só demorou uma hora e meia pra dormir depois que entramos no quarto, com as luzes todas apagadas e aquele som infalível, tocando lindas canções de ninar. Rápido, não? Quando cheguei, tinha novidades: o avô tinha feito tudo que o neto queria… Comprou um bicho de pelúcia (o Leitão, da coleção do urso Pooh) por R$ 150,00 e achou uma pechincha. “Papai, foi um absurdo! A gente sempre explica pra ele que não tem condição de comprar esses brinquedos caros e ele termina levando qualquer brinquedinho de até R$ 5,00”, reclamei. Papai olhou pra mim e disse: “Achei que ainda estava lucrando, porque o primeiro brinquedo de que ele gostou era um bicho de pelúcia de R$ 600,00. Por isso, quando ele fez a troca, comprei sem pestanejar…” Coisa de avô…

29 de maio de 2008

por Christianne Alcantara

Viagem

Da última vez que viajei com Marcelo (meu marido, pai de João Marcelo), sem o Gordo, foi uma frustração. Imagine que você chegou, com seu love, a uma praia deserta, em Alagoas, há cerca de duas horas, está hospedada numa pousada chamada Aldeia Beijupirá, quando o (seu) celular da TIM, que tem um ótimo sinal por lá, toca… Não é um comercial da TIM, muito menos da Aldeia Beijupirá, querida, é vida real! Ele toca e a sua mãe, a avó do seu filho, nervosíssima, avisa que ele levou uma queda e terá que levar quatro pontos na cabeça. Você olha em volta e se lembra de que está a cerca de três horas do Recife, que precisa fazer uma travessia de balsa para conseguir pegar a estrada e que esta seria a sua primeira viagem, sozinha com seu marido, depois de mais de um ano! O que você faria?

a) Manteria a calma e esperaria o desdobramento dos fatos.

b) Ficaria histérica ao telefone querendo saber detalhes sobre o acidente.

c) Passaria o telefone para o marido e esperaria que ele administrasse a situação, mas voltaria a puxar o telefone do marido.

d) Todas as alternativas anteriores.

Eu fiquei com a alternativa d). Primeiro, fiquei histérica, querendo saber como tinha acontecido (como se assim, pudesse voltar no tempo). Depois passei o telefone para Marcelo. Como vi que ele estava mudo, quase catatônico, puxei de volta o telefone. Foi quando resolvi manter a calma e esperar para ver se precisaria voltar. A decisão foi racional, mas confesso que não funcionou. A viagem já tinha ido por água abaixo. A gente já não tinha clima nem para saborear aquele jantar maravilhoso do Beijupirá… Enfim, o fim de semana tinha acabado mesmo. Voltamos no dia seguinte, no primeiro horário da manhã. Passamos a noite dando cochilos embalados pela esperança de que o dia chegasse e com ele o serviço da balsa que precisávamos pegar… Bom, mas cada viagem é uma viagem… Por isso, tenho fé que este final de semana que vou passar com Marcelo em Fortaleza será tranqüilo. Além do mais, João Marcelo já teve todas as viroses que poderia contrair no último mês, então… Além do mais, ele vai ficar com meu pai e minha mãe… Se eles me criaram, né? Tem mais: domingo, 15h30, estarei de volta. É uma viagem muito rápida… João Marcelo é uma criança calma, nunca cai… nunca se machuca… é saudável…

28 de maio de 2008

por Christianne Alcantara

Palestra de Içami Tiba é adiada

Quem tem interesse em ouvir a palestra de Içami Tiba – Quem ama educa! – anunciada para a próxima segunda-feira (02) vai ter que esperar. O evento foi adiado e Içami Tiba só estará no Recife no dia 27 de outubro, às 20h, no Mar Hotel.

26 de maio de 2008

por Christianne Alcantara

Corte de cabelo

Já ouviram falar na palavra e-s-c-â-n-d-a-l-o? Pois é, hoje eu presenciei um. Meu fiho foi o protagonista. E tudo por causa de um corte de cabelo. É, um corte de cabelo. Aquilo que a gente faz com certa constância pra combater o calor e deixar o xuxuzinho mais lindo… Ele fez uma cena. Chorou, dizendo que estava doendo; fez contorcionismo na cadeira, como se estivesse sendo torturado; derramou lágrimas copiosamente… Isso tudo num intervalo de exatos seis minutos. É claro que eu não ia colocá-lo numa camisa de força. Depois de toda a negociação, de estar coberta de ponta de cabelo, coçando os braços e o rosto (sim, porque ele estava no meu colo, era a condição que tinha imposto pra cortar as madeixas), entreguei os pontos. Desisti. A cabeleireira – que só tinha conseguido cortar a franja – no final sequer cobrou. Acho que não via a hora de se ver livre da gente. “Não, mãe, não precisa pagar nada, não. Pode ir. Ele está muito estressado. Vá, vá”. Ela definitivamente queria que a gente sumisse dali. Saí, passada. Chegamos a nossa casa. A avó estava aqui e, notando o cabelo dele um pouco diferente (um verdadeiro caminho de rato, pra ser sincera), perguntou: “Cortou o cabelo, João Marcelo?” Ele respondeu com um tom que só podia ser de cinismo: “Ainda não”. A avó sorriu com a resposta e sequer conhecia o contexto.

25 de maio de 2008

por Christianne Alcantara

“Mantenha distância”

Passei por uma esses dias que não sei muito bem como contar, mas vou contar. Bom, estou administrando uma conjuntivite e sabe as recomendações quais são: distância do filho, lavar as mãos sempre (suas e dele) por aí vai. Estou parecendo aqueles avisos de caminhão: “Mantenha distância”. O fato é que ninguém pegou a bendita aqui em casa. Até agora, pelo menos. Essa conjuntivite é viral e agora comecei a aprender tudo sobre ela. A gente pensa que está melhorando, piora. Passa um dia sem dor, no outro, a dor vem dobrada. Enfim, sábado da outra semana achei que estivesse boa. Sem ardor, olhos limpos, todos os sinais de que ela já tinha me deixado em paz. Aqui no Recife tem chovido. Quem é daqui sabe. O dia amanhece lindo e de repente cai a maior chuva. João Marcelo carente, o dia feio e eu tive a idéia genial: vamos ao shopping para brincar naqueles cercadinhos horrorosos! Vamos! Quem me conhece sabe: Essa é minha última opção. É a apelação geral. Não gosto de ir a shopping center nem pra fazer compras, imagina pra distrair criança. Ainda mais com esse monte de doença assolando… Virose, conjuntivite, meningite… E todo mundo confinado em um “não-lugar”, como sociólogos já definiram esses centros de compra. Bom, mas fui. Vivi uma experiência no mínimo dolorosa. João Marcelo ficou lá dentro, brincando, eu cá fora, num café, observando. De repente, deparei-me com a situação (não tenho palavras para adjetivá-la). Um menino do lado de fora do cercadinho, com um controle de video game, jogando, olhando para dentro por entre as brechas da cerca. Maltrapilho, sujo, lá pela casa dos 13 anos. Provavelmente da favela que foi imprensada para que o shopping fosse construído. Não foram mais de cinco minutos. Com certeza, ele pedira o controle a alguma criança de dentro do cercadinho… Visualizei a seguinte condição: as crianças que ficavam dentro do cercado e as que ficavam fora… É claro que não era uma novidade. É claro que essa condição sempre existiu, mas dessa vez eu fui testemunha ocular. Senti uma dor enorme ao ver aquilo. Entretanto, nada fiz. Continuei tomando meu café, contemplativa. Uma espectadora passiva. Fiquei refletindo e notei que o menino vinha se aproximando do lugar onde eu estava. Devia ter sido banido de lá. Alguma funcionária zeloza deve ter percebido e pedido o controle de volta. Ele se aproximou de uma senhora, pediu algo. A mulher negou. Ele se aproximou de mim e pediu dinheiro para comer. Eu disse que não daria dinheiro, mas pagaria um lanche para ele. Ele foi à moça do caixa, pediu um lanche e eu paguei. Depois, fiquei pensando na hipocrisia do meu gesto. Não tomei a iniciativa de ir pagar a entrada dele no cercadinho. Não. Talvez ele fosse muito maltrapilho e sujo para brincar no mesmo espaço em que meu filho estava. Era uma criança, como a minha, mas nem tanto. Senti-me mal. Ainda hoje a lembrança me emociona. Não apenas a dele, do lado de fora do cercadinho, mas também a minha, de mera espectadora, que compensou a culpa de não ter viabilizado a entrada dele no cercadinho pagando-lhe um lanche. Talvez, inconscientemente, tenha achado que aliviaria minha culpa ao pagar o lanche. Embora não o tenha feito com essa intenção. Hoje, refletindo, entendo a mesquinhez do gesto. Não era exatamente o lanche que aquela criança queria, mas era só aquilo que eu estava disposta a lhe oferecer. Continuava com aquele aviso de caminhão, “Mantenha distância”, só que agora essa distância não seria entre eu e João Marcelo.

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