Coisa de Mãe

13 de maio de 2014

por Christianne Alcantara

Promessa de casamento

Também, lindo desse jeito, quem não quer pra casar?

Valentina , do alto dos seus 04 anos, decidiu que vai casar. Já escolheu,
inclusive, o noivo. Ele não sabe, mas isso é apenas um detalhe, considerando que ainda vai completar 03 anos.

Cena 1
Estou eu, distraída, quando recebo o seguinte comunicado:
– Mamãe, vou casar com Enzo.
Surpresa com a notícia de que ela se casaria com meu sobrinho, ri e respondi:
– Enzo é seu primo, filha, você não pode casar com ele…
Ela, sem se abater:
– Porque ele é da minha família?
Eu, aliviada, achando que ela tinha entendido, disse:
– Isso mesmo!
Silêncio. Eu achei que o assunto estivesse encerrado…

Cena 2
Pouco tempo depois, Valentina passa o dia na casa da minha irmã, mãe de Enzo. No dia seguinte, a “sogra” me relata o diálogo a seguir:
– Tia Cristina, você vai ter que sair da minha família…
Minha irmã, curiosa, pergunta:
– Por que, Nina?
E ela, decidida, responde:
– Porque eu vou casar com Enzo.
Agora sim, assunto encerrado.

8 de maio de 2014

por Christianne Alcantara

Ensinando a agradecer…

É uma longa história. Por esse motivo, vou começar pelo começo. Quem acompanha este blog sabe que o meu filho mais velho, João Marcelo, tem alergia à proteína do leite de vaca. Ou melhor, tinha. Vamos começar atualizando as informações… Fizemos um tratamento muito bem sucedido com ele, em São Paulo, entre 05 de dezembro do ano passado e 17 de fevereiro deste ano (depois conto os detalhes)… Mas, nos preparativos para a viagem, eu, insegura, se era o melhor para ele ou se iria submetê-lo a uma frustração (como se crianças não devessem passar por frustrações), comecei:

– Filho, vamos fazer o tratamento e SE der certo poderemos agradecer bastante por essa conquista…
Ele olhou para mim, humilde e despretensioso, e respondeu:
– Se não der certo, mãe, a gente agradece pela oportunidade.
Intimamente, agradeci pela lição e continuei a arrumar a mala rumo ao novo endereço: Heitor Penteado, São Paulo.

8 de maio de 2014

por Christianne Alcantara

Tempo, faço um acordo contigo

Faz tempo. E não faz. Tempo é algo relativo. Mas a saudade, não. Essa é intensa e absoluta. Por isso, acho que saudade não tem a ver com tempo. Às vezes, estamos próximos e com saudade. Às vezes, acabamos de ver e já sentimos saudade, vontade de ver de novo. A verdade é que estava sentindo saudade de mim e talvez por isso tenha me afastado do Coisa de mãe… Como se ele não fosse a respeito de mim… Só recentemente, pasmem, descobri que ele não é sobre as crianças. É sobre mim mesma. Ainda bem que Clarice Lispector afirmou que o óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar… Estou perdoada… Espero… Não tenho palavras para agradecer também por vocês terem sentido saudade, deixado comentários pedindo minha volta, enviado e-mails… Mas só agora deu-se o tempo, o meu tempo… Obrigada pela paciência. Voltei.

4 de dezembro de 2013

por Christianne Alcantara

Para Zezinho, com saudades

Seu Zé, ontem o senhor se foi. Pai do meu grande amor, avô das duas melhores coisas que já fiz na minha vida, João Marcelo e Valentina. Foi sem muitos preâmbulos. Apenas foi. Sua morte é uma síntese da sua vida, sem cerimônias. E eu, longe, despedi-me do senhor em pensamento, em orações e em lágrimas… Imitando o senhor, também não tive cerimônia de chorar na frente dos meus filhos e dizer o quanto estou triste. Depois, não tive cerimônia de chorar com eles pela perda do avô. Não sei explicar essa dor de perder alguém que a gente ama quando nem a gente sabia que amava tanto. E não era só porque o senhor era pai de Marcelo, avô das crianças… Era porque o senhor me dizia muito com seu sorriso, com sua autenticidade (às vezes, autenticidade demais, vamos combinar), com seu dengo, com seu amor à vida, com sua certeza de que esta vida aqui se mede pela largura, não pelo comprimento, como diz seu filho (que aprendeu com o senhor, claro). Em uma coisa a gente concordaria, se pudéssemos bater um papo na varanda do meu apartamento agora, comendo casquinho de caranguejo e bebendo whisky: o senhor VIVEU. Como quis. Quero que meus filhos sigam o seu exemplo. Que vivam! Intensamente. Sem cerimônias. Que possam aproveitar cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo… E que sejam felizes, assim como o avô. Obrigada, Zezinho, pela lição de vida, de amor e de entrega. Também te amo.

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