Coisa de Mãe

14 de agosto de 2014

por Christianne Alcantara

Cor de prata

Minha filha me encanta. Hoje, devastada pela noite insone e pela dor, amarrei o cabelo em um rabo de cavalo, sem capricho. De frente para o espelho, lamentei, em silêncio, os cabelos brancos e a falta de tempo para escondê-los. Fui, então, arrumar as crianças para irem à escola. Dando banho em Valentina, ela olhou para mim e disse: “Mãe, seu cabelo está prateado. Está bonito”. Filha, que bom te ter.

29 de maio de 2014

por Christianne Alcantara

Eterno enquanto dure

Distraído, enrolado e tímido, mas sensivel, amoroso e gentil. É assim que a mãe define Thomás, que acaba de completar 8 anos. Aniversários são momentos em que nos remetemos ao passado. Quando se trata de mãe, o tempo pode ser um aliado ou um inimigo, depende da referência. Nas festas, ouço sempre os comentários: “Nossa, como o tempo passa… Ainda ontem, comemorávamos o primeiro aniversário…” O fato é que eles crescem. E nós costumamos ficar divididas entre o desejo de vê-los já grandes e a vontade de deter o tempo.
Por ocasião do aniversário, Fabiana, a mãe, vasculhou a memória e compartilhou uma história linda. Ela conta que nunca vai se esquecer de quando resolveu cortar o cabelo em estilo Chanel. Thomás tinha entre 4 e 5 anos. Em casa, todos fizeram comentários, menos ele. A mãe estranhou. Logo ele, que sempre tinha um elogio do tipo “mamãe, você está linda!”. No dia seguinte, como a opinião não saía, Fabiana não se controlou:
– Filho, você gostou do cabelo de mamãe?
Com a cabeça, ele respondeu negativamente.
– Mamãe ficou feia, foi?
E ele respondeu, imediatamente:
– Não, mamãe. Você é linda! Seu cabelo é que ficou feio.
E eu pergunto: como não amar? Que o tempo da delicadeza seja eterno para Thomás…

23 de maio de 2014

por Christianne Alcantara

Campanha #poenorotulo

Capa da página do Facebook que promove a campanha #poenorotulo

Quem me conhece sabe. Sou uma pessoa questionadora, engajada, que NUNCA se conforma. Em relação à alergia à proteína do leite de vaca que meu filho, João Marcelo, apresentou desde 1 mês e meio de vida, sem que tivesse ingerido leite artificial, fiz um movimento um tanto quanto diferente, de introspecção. Fui pesquisar, ler, procurar bons profissionais e tentar conviver com a doença enquanto procurávamos uma solução. No começo, era o leite materno o melhor remédio. Eliminei qualquer ingestão de leite de vaca ou derivados durante um ano para amamentar João Marcelo. Depois, ele ficaria bom com o tempo. Era só evitar que comesse leite ou derivados. Seguimos à risca. Em oito anos de vida, ele só teve dois escapes (situação em que a pessoa é exposta ao leite sem que se saiba que o alimento contém leite) em que precisou fazer uso de adrenalina. Finalmente, tive acesso a um tratamento que se chama imunoterapia ou dessensibilização. Mudamos para São Paulo e passamos 2 meses e 14 dias tratando João Marcelo (ele ainda está em tratamento, na verdade, só que agora em casa) com a médica Ana Paula Moschione Castro (ainda vou falar sobre o tratamento). O tratamento foi um sucesso. Não tenho palavras para descrever nem para agradecer. Mas isso é assunto para outro post. A verdade é que o movimento, lá em casa, foi interno. Não nos associamos a outras famílias com o mesmo problema, nem participamos de campanhas. Só agora, depois de João Marcelo ter superado o problema e estar fazendo uso de leite e derivados, procurei saber se há alguma campanha relacionada a alergias alimentares em geral. E encontrei! Uma página no Facebook criada por mães que têm em comum filhos com alergia alimentar pedem algo tão simples: informações claras nos rótulos dos alimentos sobre ingredientes alergênicos. Quando eu me lembro do quanto eu sofria lendo os rótulos para saber se João Marcelo poderia ou não comer tal produto… Nunca é tarde para nos engajarmos… #poenorotulo!!!!

22 de maio de 2014

por Christianne Alcantara

Fome de ler

Valentina está começando a ler e escrever. Um processo lindo. De uma avidez bem condizente com o temperamento dela. Quer conhecer cada letra. A cada palavra que ouve, tenta identificar a letra inicial. Recentemente, decidiu que já sabe ler… A dinâmica é a seguinte: antes de dormir, sempre lia um livro para ela. Agora, lemos juntas. Primeiro, faço a leitura do livro, conversamos sobre a história, saboreando cada ilustração e palavra. Depois, ela resolve que vai ler e é assim: eu leio a frase e ela repete, como se estivesse lendo realmente… Lindo demais, esse faz de conta. Emocionante, vê-la tão interessada por leitura. Tem sempre um livro debaixo do braço e toda noite, antes de dormir, escolhe três para ler. O mais pedido, ultimamente, é “Por favor, obrigado, desculpe”, de Becky Bloom. Uma leitura que ensina que ter educação é mais do que falar palavras mágicas…

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