Coisa de Mãe

6 de setembro de 2009

por Christianne Alcantara

Um sopro de esperança

Depois de um longo e tenebroso inverno, o verão ameaça chegar, mas gosto de pensar no mês de setembro como o mês da primavera (como se nós, nordestinos, soubéssemos do que se trata!)… Bom, acho o mês lindo. Afinal, é o mês do meu nascimento. Resolvi, então, ir ao cabeleireiro, fazer uma escova, na sexta. O primeiro, lotado, gente gripada e lá, dentro de uma sala com ar condicionado. Vocês já devem imaginar que eu saí correndo… Ainda estou neurótica com gripe suína. Ando meio deprê mesmo, são meus hormônios que não me largam! Choro à toa, mas resisti à tentação de voltar para casa e fui a outro salão. Um senhor, duas senhoras e só. Fiquei feliz e fui lavar o cabelo. Como vocês sabem, é inevitável ouvir fofoca de salão. Uma das funcionárias falava para a outra baixinho:

– Aquela é a noiva.

Confesso que, instintivamente, procurei a noiva. Não encontrei. Claro. Imaginava uma noiva jovem, meio histérica, a provar arranjos de cabelo. Mas não perguntei nada. Olhei para uma senhora distinta, com o cabelo elegantemente penteado e comentei, sem associar:

– Que penteado bonito, o daquela senhora…

A moça que lavava meu cabelo respondeu:

– É a noiva. Está fazendo a prova.

Achei a noiva linda, mas não dei atenção. Enquanto a moça dava um jeito no meu cabelo, fui, sem muito ânimo, juntando as peças daquela estória. O senhor que estava no salão, cortando o cabelo, era o noivo e a outra senhora era a cerimonialista do casamento que será realizado no próximo dia 12. A noiva, com uns 60 anos, o noivo, com quase 70, pelas minhas contas. Tão envolvidos (ou talvez mais) com os preparativos do casamento quanto qualquer casal de 20 e poucos anos. Sem ansiedade, com o andar um tanto quanto cansado, eles fizeram os acertos para a grande data com a cabeleireira. Depois, saíram, de braços dados. Observei que ele mantinha a coluna um pouco inclinada para a frente, como se já carregasse o peso dos anos. Ela, por sua vez, mantinha a altivez, empertigada e serena. Fiquei eu, minha depressão e meus hormônios. Já não ouvia os comentários das funcionárias do salão. Pensava apenas naquele sopro de esperança que eu acabava de sentir.

Foi quando minha filha se mexeu dentro da minha barriga e eu senti, desta vez, um chute de esperança, a me lembrar que tanto o casamento como a gravidez são sinais de vida.

1 de setembro de 2009

por Christianne Alcantara

Mãe neurótica à beira de um ataque

Resisti, resisti, resisti, mas chegou a minha vez de assumir: Sim, eu estou neurótica com esta conversa de Gripe Suína!!! Um bate-papo, por e-mail, com alguns pais de crianças da mesma turma de João Marcelo me levou a revelar… Pois é, pessoal, estou grávida de quase sete meses. Por outro lado, o meu filho, além da alergia alimentar, desenvolveu uma alergia respiratória também no último mês. Em resumo, as coisas estão meio enroladas por aqui. Já faz quase um mês que ele não vai à escola. Por recomendação médica, passou 15 dias sem ir. Voltou numa quinta e, no sábado, já estava com uma virose. Mais sete dias em casa. Deveria ter voltado ontem, mas eu e o pai, assumidamente neuróticos, resolvemos que ele ficará sem ir mais esta semana. A esperança é de que o verão emplaque de vez e os dias de sol acabem com este confinamento tão propício às gripes e outras cositas mais. Por enquanto, fica meu desabafo. E, por falar nisso, eu sou a única neurótica por aqui?

29 de agosto de 2009

por Christianne Alcantara

Noite em claro

Pois é, são cinco da manhã agora e a noite vai chegando ao fim. Não, João Marcelo não está doente. Eu apenas perdi o sono há algumas horas e cá estou eu. Antes de dormir, lá pela meia-noite, fui espiá-lo. Meu filhote estava dormindo. Parecia um anjo, entregue a um sono repousante. Beijei, senti o cheiro dele, agradeci pela bênção de ter um filho tão saudável, inteligente e carinhoso, rezei. Depois me lembrei de que tenho uma menina crescendo na minha barriga e agradeci novamente. Realmente, só há uma explicação para esta noite em claro: É muita felicidade para perder tempo dormindo…

26 de agosto de 2009

por Christianne Alcantara

Uma visão pouco romântica da maternidade

Admiro as mães que dizem amar os filhos mesmo antes de nascerem. Não deixo, entretanto, de interpretar a afirmação como uma forma romântica de encarar a maternidade. Não que seja ruim ser romântica. Até gostaria de sê-lo. Mas não sou e, honestamente, só senti esse amor materno depois que meu filho nasceu e não foi instantaneamente. Fomos construindo esse sentimento. Dia a dia. A cada mamada, a cada cólica, a cada choro, a cada sorriso. Meio assim, como definiria o poeta Carlos Drummond: “Amar se aprende amando”. Sinto-me, com a minha filha, da mesma forma que me sentia com João Marcelo, quando ele ainda estava na barriga. Às vésperas da descoberta de um grande amor. E essa sensação já é muito intensa. É o ante-clímax da minha narrativa. Um momento de suspense. Estou um pouco perdida, é verdade, mas, paradoxalmente, ancorada na espera de um novo encontro inesquecível.

E vocês? Como se sentiam quando grávidas?

© Copyright COISA DE MÃE - Criado pela Tante utilizando Wordpress.