Coisa de Mãe

25 de agosto de 2009

por Christianne Alcantara

Vida seca

Acho que o título do post define o que era minha vida antes do meu filho. Uma vida seca. Definir “vida seca” para mim, que sou nordestina, não é tarefa fácil. Apesar de vivenciarmos a seca como uma rotina e de o livro de Graciliano Ramos ser quase a nossa Bíblia, seca sempre nos remete à falta, a uma vida sem vida, sem cor. É aí que a explicação se torna mais complexa. Não que não fosse feliz antes de João Marcelo. Eu já era feliz, mas essa felicidade tomou uma outra dimensão. Era uma felicidade quase infeliz perto da sensação de plenitude que experimento hoje. Se criança é uma alegria permanente, filho é um presente-surpresa que não termina na hora que nos deparamos com ele. A primeira surpresa é apenas o anúncio do que está por vir: Uma vida pintada de verde, da cor do mato que cresce no interior do estado quando cai uma chuvinha, mesmo fina. Vida verde, da cor da esperança.

21 de agosto de 2009

por Christianne Alcantara

Sem palavras

Há fases na minha vida em que as palavras me faltam. E aí fico meio vazia porque, se me faltam as palavras, falta-me quase tudo. Sou uma pessoa de muitas palavras. De uma objetividade meio subjetiva, se é que vocês me entendem…

6 de agosto de 2009

por Christianne Alcantara

A dor e a delícia de amamentar

Não lembro se já contei minha aventura da amamentação. Se contei, vou contar de novo. Afinal, a Semana Mundial da Amamentação só acontece uma vez ao ano. Amamentar é muito prazeroso. Mas, para descobrirmos a delícia que é, algumas de nós passamos por uma fase de dor. Não uma dor insuportável, porém, como toda dor, um desconforto e um incômodo que exigem uma certa persistência. João Marcelo nasceu. Entre ele e o meu corpo, só meu peito, confirmando o elo que a amamentação proporciona entre mãe e filho. O primeiro mês foi conturbado, mas resistimos, eu e ele. Nada de complemento, apesar da falta de compasso entre nós e de um fungo que surgiu na boquinha dele e no meu peito. Isso mesmo, um fungo. Foi uma surpresa para mim. A médica, entretanto, colocou o problema na categoria “normal” e usamos pomadas para resolver a questão. O ardor provocado pelo fungo era grande. Um incômodo enorme, mas, àquela altura, amamentar já era um caminho sem volta para mim que assistia ao “espetáculo do crescimento” do meu filho bochechudo. No segundo mês, João Marcelo começou a apresentar cólicas. E as pessoas não se cansavam de repetir o mantra: “É normal, é da fase”. Mas as cólicas foram, rapidamente, revelando-se pouco normais: Eram três (3) horas de choro ininterrupto. Não é exagero. Meu bebê chorava sem parar e depois desfalecia. Eu e o pai tentamos tudo. As mais diversas posições indicadas, shantala e o que mais vocês imaginarem. Até que percebemos que as cólicas não eram tão normais assim. Resolvemos levá-lo a uma gastropediatra. Ela avaliou e pediu que eu cortasse leite e derivados da minha alimentação. Suspeitava que João Marcelo fosse alérgico ao leite de vaca, alimento do qual abuso, é bem verdade. A ingestão constante do leite e derivados passava a proteína para o leite materno e causava as cólicas no meu filhote. Pediu que eu passasse exatamente três semanas com essa dieta. Caso ele não melhorasse das cólicas, faríamos uma reavaliação. Bastaram três dias de dieta e as cólicas cessaram. Desde então, João Marcelo dorme como um anjo e chora muito pouco. Aliás, é uma criança muito saudável, apesar da alergia, que persiste. Da minha parte, passei um ano amamentando, submetida a uma dieta em que eu só podia comer em casa, sem qualquer vida social. Para comprar produtos industrializados, era necessário ler os ingredientes antes. Não foi fácil, mas foi maravilhoso. Tão maravilhoso que me faz sentir muitas saudades da dor e da delícia que é a amamentação.

5 de agosto de 2009

por Christianne Alcantara

Que saudade de amamentar…

A Semana Mundial da Amamentação, que começou no dia 01 deste mês, fez-me lembrar como é bom amamentar, o prazer que eu sentia com meu filho no colo, alimentando-o e dando todo o carinho do mundo… Sinto uma saudade grande de tudo isso. E uma vontade enorme de já ter nos meus braços minha filha, para vivenciar essa sensação maravilhosa novamente…

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