Coisa de Mãe

21 de junho de 2012

por Christianne Alcantara

De braços abertos

Chegar em casa, depois de um dia longo de trabalho, é maravilhoso. Mas, se existe uma coisa mais maravilhosa do que simplesmente chegar em casa, é chegar em casa e ser recebida por uma menina sapeca de 93cm que vem correndo, sorrindo, de braços abertos, gritando:
“Mamãe chegou! Mamãe chegou!”
Há coisas de que só as crianças são capazes. Emocionar a gente com tanta espontaneidade é uma delas. Nessas horas, sou egoísta e penso que gostaria muito que eles não crescessem…

12 de junho de 2012

por Christianne Alcantara

Pagando mico

O meu filho de 6 anos agora acha que chegar à escola com a mãe é pagar mico. Pode? Normalmente, quem leva ele é o pai. Marcelo manda que ele vá entrando no prédio do ciclo 2 enquanto vai deixar Valentina no outro edifício. Depois, vai lá e confere se ele entrou mesmo. Eu o levei comigo para deixar Nina. Depois, fui acompanhá-lo ao prédio em que tem aulas. João Marcelo olhou para mim e disse, meio envergonhado:
“Mãe, eu sei ir sozinho. Não precisa ir comigo”.
Eu, surpresa:
“Mas, filho, eu quero ir até lá”.
Ele, visivelmente constrangido:
“Não precisa…”
Eu o encarei resignada e respondi:
“Tudo bem, João Marcelo. Dê um beijo e vá na frente”.
Ele, constrangidíssimo, deu um beijo rápido e lá se foi. Fiquei parada, meio atarantada. Sem saber o que fazer. Deixei que saísse na frente e fui, depois, conferir se havia entrado… Visivelmente constrangida, é claro.

25 de maio de 2012

por Christianne Alcantara

A conquista de um ippon*

Existem sentimentos que não se esgotam em si mesmos. Eles precisam de vazão. Ao longo do meu exercício da maternidade, descobri um que não cabe em si. O sentimento de orgulho por um filho. O meu, João Marcelo, enche-me de orgulho diariamente. Do alto dos seus 6 anos, ele me surpreende sempre com sua capacidade de se sensibilizar e de sensibilizar-se com os outros. Mas há algo que tem me surpreendido nele ultimamente. A sua capacidade de também se posicionar em relação às coisas dele, de buscar tomar rédea da sua própria vida. Ele vinha demonstrando uma certa insatisfação com as aulas de judô de um mês para cá. Sempre, no dia da atividade, perguntava se teria que ir para o judô. Tentava extrair dele se ele queria ou não ir, se estava incomodado com algo. João Marcelo saía pela tangente com respostas evasivas. Terminava indo e, durante o treino, parecia satisfeito, entrosado. Ontem, na hora do judô, a resistência voltou. Continue Lendo →

23 de maio de 2012

por Christianne Alcantara

Bons sonhos

Foto de Tracy Raver

Valentina chama: “Mamãe, Nina acordou!!!”
Vou lá, meio sonolenta ainda. São 5h30 da manhã. Abraço, beijo e começo a conversar:
“Dormiu bem, filha?”
E ela:
“Dormiu, Mamãe!”
E eu continuo, meio inebriada pela vontade de voltar para a cama:
“Teve bons sonhos?”.
Ela, acordadíssima:
“Teve, Mamãe!”.
“Sonhou com o quê, Nina?”
E ela, sorrindo, fazendo um biquinho dengoso:
“Com tu, Mamãe…”
Acordei na hora, claro. Ela já tinha conseguido tornar meu dia maravilhoso. Dormir pra quê?

15 de maio de 2012

por Christianne Alcantara

Emoção nunca é demais…

A escola dos meu filhos decidiu, este ano, não comemorar o Dia das Mães. As justificativas foram inúmeras e, em alguns momentos, os argumentos eram contraditórios. Às vezes, o excesso faz isso: confunde, atropela os fatos. Além do discurso de que dia das mães é todo dia, a escola argumentou algo nobre: algumas crianças não tem mãe. Em outros casos, as mães não podem comparecer às homenagens, causando sofrimento aos pequenos. E o sábado, quando só iria quem estivesse disposto ou pudesse receber a homenagem? Silêncio. A ânsia de convencer é legítima, mas, dependendo dos argumentos, termina redundando em um desrespeito para com a visão discordante, causando um efeito contrário ao pretendido. Enfim, não tivemos a comemoração do Dia das Mães na escola, apesar dos questionamentos maternos, claro. As professoras se desdobraram em estimular as crianças a preparar os presentes que foram entregues. Lindos, diga-se de passagem. Peças em cerâmica pintadas pelos pequenos. Vou emoldurar e pendurar na parede do meu escritório. Entretanto, faltaram algumas coisas especiais, típicas dessas homenagens: Continue Lendo →

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