Coisa de Mãe

Emoção nunca é demais…

21 Comentários

A escola dos meu filhos decidiu, este ano, não comemorar o Dia das Mães. As justificativas foram inúmeras e, em alguns momentos, os argumentos eram contraditórios. Às vezes, o excesso faz isso: confunde, atropela os fatos. Além do discurso de que dia das mães é todo dia, a escola argumentou algo nobre: algumas crianças não tem mãe. Em outros casos, as mães não podem comparecer às homenagens, causando sofrimento aos pequenos. E o sábado, quando só iria quem estivesse disposto ou pudesse receber a homenagem? Silêncio. A ânsia de convencer é legítima, mas, dependendo dos argumentos, termina redundando em um desrespeito para com a visão discordante, causando um efeito contrário ao pretendido. Enfim, não tivemos a comemoração do Dia das Mães na escola, apesar dos questionamentos maternos, claro. As professoras se desdobraram em estimular as crianças a preparar os presentes que foram entregues. Lindos, diga-se de passagem. Peças em cerâmica pintadas pelos pequenos. Vou emoldurar e pendurar na parede do meu escritório. Entretanto, faltaram algumas coisas especiais, típicas dessas homenagens:
1. Uma lágrima no canto do olho;
2. Ou um choro convulsivo;
3. Aquela declaração pública;
4. A emoção coletiva;
5. As crianças cantando para mãe ou só olhando;
6. A coreografia desencontrada;
7. A carreira para o abraço e o beijo, ao final do espetáculo.
Mas, antes que me acusem de não estar “nutrida afetivamente” ou de não estar “devidamente evoluída” para me desapegar de tradições e convenções, informo que meu Dia das Mães foi lindo. Café na cama, presentes, beijos, abraços, meus filhos e meu marido comigo o dia inteiro, fazendo dengo… João Marcelo, a dizer “te adoro, mamãe” e Valentina a repetir a declaração de amor… Emocionante, recheado de amor e cumplicidade. De quebra, um presente que ainda não fora assegurado: o Santa garantiu o bicampeonato pernambucano, no dia do aniversário do Sport Clube do Recife, na Ilha do Retiro. O que uma mãe tricolor pode querer mais? Apesar de tudo isso, faltou algo que a escola não entende, de repente, mais como sendo seu papel: render sua homenagem às mães, por meio das crianças. Faltou o reconhecimento a esse “SER” via escola, faltou a oportunidade de nos emocionarmos juntos com essa mulher que trabalha em casa ou fora, ou nos dois espaços (como no meu caso), que é esposa, que se desdobra diariamente no seu papel de mãe, que é tudo isso e mais um pouco. Não, o presente não bastou. Faltou um pedaço. Tivemos emoção em casa. Mas emoção nunca é demais. Faltou a emoção na e da escola. E essa, perdoem-me, não pode faltar. A escola estava um pouco triste naquele dia que poderia ser o da homenagem do Dia das Mães. Um pouco melancólica. Algumas mães levaram máquina fotográfica e tiraram fotos com seus filhos… Ficou em mim a nítida sensação de que, neste mundo cada dia mais impessoal, a emoção não tem tido muito espaço mesmo. O espaço é de um discurso que se diz “politicamente correto”, mas que na verdade não passa de uma desculpa para racionalizar, inclusive racionalizar o sentimento. Uma pena. Ainda bem que as mães existem para ensinar aos seus filhos como se emocionar com as pequenas coisas, render homenagens aos seus ascendentes, reverenciando-os. Nunca é demais reconhecer o papel de uma mãe ou de um pai nas nossas vidas. E, sim, o dia das mães é todos os dias, mas isso não exclui meia hora de homenagens no âmbito escolar. Eu espero que o dia dos professores seja mantido e que possamos homenageá-los pelo papel que exercem cotidianamente na vida dos nossos filhos. Para os que acreditam, que o Natal continue a ser festejado, embora Cristo esteja presente a cada momento. E, por favor, que tal continuarmos a usar o nosso tempo para admirar o brilho no olhar dos outros, sem que esse brilho precise necessariamente ofuscar nossas recentes convicções?

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21 Comentários

  1. Vi nitidamente LUANNA termiando a coreografia do balé correndo para mim e eu chorando e ela perguntando o por que …

  2. Que pena! É uma das coisas que sentia falta por estar morando fora, já que aqui e na España as datas dessas comemorac~oes s~ao diferentes. Ótimo que na sua casa esse espírito esteve tao presente. Em muitas outras, a falta da escola deve fazer uma enorme diferenca e um momento que seria de encontro passa a ser de total indiferenca (ou quase). Espero que a escola repense. Ñ celebrar algo que a maioria sim seguramente deseja é uma forma de repress{ao. E é politicamente incorreto reprimir.

  3. Bola fora essa da escola. Claro que haveria como contornar. Espero que tomem conhecimento da sua postagem.

  4. A escola de Léo tb teve esta atitude… vamos fazer uma greve de mães assim eles voltam a nos valorizar mais.
    Esta questão apontada por vc da impessoalidade, do ser focado no racional é muito pertinente Christianne.
    É uma pena para os nossos filhos, para nós e para o futuro seco a que caminhamos.

  5. Adorei o texto, detestei a decisão da escola e a concordância da maioria dos pais para uma medida que somente vem reforçar a importância da razão sobre as emoções. Realmente tem criança que não tem mãe, não tem pai, não tem saúde, enfim, convive com as reais limitações da vida. Isso não significa que não devamos celebrar o que é bom, enfrentar e sofrer pelo que é doloroso. De verdade, considero lamentável a decisão de uma escola que não consegue mostrar às crianças a importância de expressar suas emoções.

  6. É acho que em breve a maioria das escolas vão fazer assim, vamos sentir falta, mas o aconchego do lar, o dia a dia desses pequenos é que vai mostrar o significado do dia. Bjão.

  7. Chris,
    Comungo com você a tristeza pela falta da nossa homenagem, concordo com o seu lindo texto, e vamos continuar fazendo o nosso papel reivindicador para que esta atitude possa ser contornada.

  8. Concordo com voce Chris! A infancia passa tao depressa… Momentos como estes ficam para sempre na lembranca! Um dia, na adolescencia, eles nao existirao mais! Entao precisamos destas recordacoes, da foto tirada no final com a cara borrada, do papelzinho amassado com uma declaracao, do video com uma dancinha desencontrada… Viva ao hoje!

  9. é uma pena realmente, mas muitas escolas estão optando por não realizar esse tipo de comemoração, a da minha pequena também nunca teve.
    caso interesse a vc e as visitantes do seu blog, no meu toda segunda feira tem texto sobre educação financeira para crianças, se desejarem visitar serão bem vindas: http://cultodaostraazul.blogspot.com.br/
    bjs

  10. Fiquei muito triste quando soube que não haveria mais a comemoração do dia das mães no colégio. Significa que não vou vivenciar, na escola, esse dia tão importante com meu Bernardo, como foi com Soso até agora.
    Achei lindo o texto que vc escreveu! Concordo com tudo e espero que não seja definitiva a decisão do colégio .
    Bj! Camila

  11. OI Cris me identifiquei muito com sua situação passei pela mesma coisa a diferença é q a escola disse q vai fazer o dia da família mais eu não quero um dia da família quero o das mães até pq seria o 1º que o meu filho esta na escola então fiquei naquela expectativa toda de chorar, sorrir viver aquele momento tão aguardado meu filho tem 2 anos e meio e esta numa fase muito fofa.Deixo aqui protesto e adorei seu blog bjos Mary

    • Lá, também deram essa justificativa. Não é a mesma coisa, definitivamente, Mary! Sinto muito por você. Estou na mesma situação. Minha filha de 2 anos e meio também não fez a apresentação. Lamentei muito. Bjs.

  12. Linda sua publicação!!! Parabéns! beijo no coração!

  13. Concordo em genero, numero e grau com suas palavras. Faltou emoção num dos dias mais esperados do ano ! Lindas e sábias palavras.
    Gisela

  14. Tenho procurado ler blogs que se dedicam às mães e famílias, para poder trocar informações, pois tenho um blog onde escrevo também para famílias. Não é um blog específico como o seu, pois também posto coisas de trabalho, enquanto educadora que sou, mas, enfim, saiba que gostei do seu blog e, em especial achei MARAVILHOSA sua crítica construtiva ao fato de não ter o dia das mães na escola…situação muito complicada, fiquei até com vontade de escrever sobre isso e citar sua publicação, quem sabe ainda farei isso. Quando puder, acesse meu blog, veja se gosta, toda terça eu publico um artigo no blog de uma parceira….veja só com é…o artigo de hoje talvez possa te interessar…abraços, Roberta.

    http://www.robertapimentel.com.br/2012/06/05/relatos-da-minha-propria-vivencia-a-necessidade-da-autoavaliacao-do-olhar-para-mim-mesma/

  15. Obrigada, Roberta! Vou passar lá no seu espaço! Bjs!

  16. Olá pessoal!! Li o texto e achei muito legal saber o outro lado, sou professora e mãe mas como este foi o primeiro ano do meu pequeno na escola e lá tb não há comemoração do dia das mães, pois eles preferem fazer uma atividade com a família, não sei qual é a emoção de ser homenageada. Os argumentos são muito interessantes e pretendo compartilhar com minhas colegas de trabalho. No entanto, acho que é importante mostrar o nosso lado e destacar que quando eu, por exemplo, penso em não preparar mais esse tipo de homenagem pras mães meu objetivo não é descosidera-las, pelo contrário o trabalho que é feito com as crianças nesse período visa reforçar os vínculos e mostrar pras crianças o valor dessa mulher tão especial. O que acontece é q em alguns momentos é tão massacrante os ensaios com as crianças, pra nós e principalmente pra elas – pois muitas vezes não estão a fim de ficar repetindo a música, a coreografia e levam bronca o tempo todo – que desmotiva, além disso tem o apelo comercial q acaba se destacando, as crianças qdo questionadas sobre os “presentes” ou os agrados não lembram do beijo, abraço, carinho, elas falam principalmente do q se pode comprar e isso acontece com as outras datas comerciais, os valores reais se perdem. A partir deste texto acho q temos q pensar em algo q seja o meio do caminho, nem incentivar o consumo nem esquecer da emoção que é fundamental.
    Um abraço

  17. Culpa! Culpa! Culpa! A mãe que nunca se sentiu culpada que atire o primeiro brinquedo! Nos sentimos culpadas por qualquer motivo e a qualquer momento. Culpa por ter que trabalhar. Culpa quando vamos viajar. Culpa por não poder buscar na escola. Culpa por não saber jogar bola. Culpa quando ficam doentes. Culpa quando não estão contentes. Culpa por deixar com a babá. Culpa de quem não consegue amamentar. Culpa! Culpa! Culpa! O engraçado é que sempre leio por aí sobre a culpa que as mães sentem (foi aí que percebi que sou normal!!). Mas não há registro de pais que sentem culpa. Eles são super bem resolvidos!! Isso significa… que ficamos com a culpa dobrada!! Sentimos culpa porque não existe a mãe perfeita que gostaríamos de ser! Mas tentamos!! E o que vale é a intenção de querer acertar!! “Não sou super herói, mas sou super mãe. Super dedicada, super entusiasmada, super apaixonada, super esforçada, super cansada, super normal”. Vamos viver nossa maternidade e principalmente curtir todas as coisas boas que ela nos traz!

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