Coisa de Mãe

O mundo não vai se acabar com a ampliação da licença-maternidade…

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NOVA LICENÇA-MATERNIDADE VAI REDUZIR CUSTOS DO SUS

Do blog de Josias de Souza

O ministério da Saúde está soltando fogos. Festeja-se a confirmação de que Lula vai sancionar a lei que amplia de quatro para seis meses a licença-maternidade. Estima-se que haverá dois tipos de benefício. Além de reduzir o risco de doenças nas crianças com até dois anos, vai melhorar a saúde das arcas do SUS. Os técnicos da Saúde estimam que o aleitamento materno nos primeiros meses de vida pode reduzir em 13% as mortes de crianças com menos de 5 anos. Afirmam que, alimentado exclusivamente no peito, o bebê fica menos sujeito a males como diarréia, pneumonia, diabetes, câncer e alergias. Só em 2007, foram aos leitos de hospitais públicos 179.467 crianças acometidas de diarréia. Outras 321.310 foram internadas com pneumonia. Juntas, essas internações sorveram dos cofres do SUS notáveis R$ 246,8 milhões no ano passado. É uma das cifras que o ministério espera ver reduzidas. Para o ministro José Gomes Temporão (Saúde), os benefícios da ampliação da licença maternidade são “incontestáveis.” Ele diz: “Toda estrutura emocional e mesmo biológica tem uma forte relação com aleitamento ao seio materno…” Tem relação direta “também com a prolongação de um contato entre a mãe e o bebê nesse período tão difícil e tão crítico…” Temporão completa: “Os benefícios, do ponto de vista de saúde pública, são incontestáveis.” De resto, a nova lei ajusta-se às recomendações da Organização Mundial da Saúde e do próprio governo brasileiro. Seis meses é justamente o prazo mínimo durante o qual, segunda a OMS e a pasta da Saúde, os bebês precisam ser alimentados exclusivamente com leite materno. Uma recomendação que, no Brasil, vem sendo solenemente negligenciada. Os arquivos do ministério da Saúde armazenam uma sondagem de 1999. Foi feita nas capitais e no Distrito Federal. Revela que apenas 9,7% dos bebês eram alimentados exclusivamente no peito da mãe entre cinco e seis meses de idade. Em 2006, realizou a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher. Trouxe um dado menos alarmante. Mas ainda longe do ideal. Constatou-se que escassos 45% dos bebês alimentavam-se exclusivamente de leite materno nos primeiros quatro meses de vida. Ou seja, para que a nova lei se traduza em benefícios às crianças e ao orçamento da Saúde, as mães brasileiras terão de converter a letra fria da lei em leite.

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