Coisa de Mãe

Um mantra cai bem

4 Comentários

Ilustração de Jana Magalhães

Já falei aqui sobre como tenho desenvolvido uma qualidade que, definitivamente, eu não acreditava ter antes de ser mãe: a paciência. Lembrei-me, então, de uma passagem da Carta de São Paulo aos Coríntios, que o Legião Urbana transformou em música: “O amor é paciente, é bondoso; o amor não é invejoso, não é arrogante, não se ensoberbece, não é ambicioso, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda ressentimento pelo mal sofrido, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. É uma visão cristã do amor. De qualquer forma, encontrei, a partir dessa lembrança, uma parte da explicação para a paciência que tenho exercitado. Mas, é claro que nem sempre a paciência impera. Há momentos em que me irrito, fico cansada, chego estressada do trabalho e não tenho um tempo mínimo para mim. Nessas horas, reajo sem a tão desejada paciência! Reclamo e, às vezes, chego a ameaçar castigo para João Marcelo, quando ele não me atende. Sinto-me mal quando isso acontece, mas há momentos em que é inevitável. Em outros, um mantra cai bem e evito a impaciência, adotando a atitude que considero adequada. Sobre a perspectiva da criança, tenho feito algumas reflexões: ela só espera receber. A criança não tem a compreensão de que também é preciso dar ou se doar… Ela vê no pai e na mãe fontes inesgotáveis. E a minha sensação é de que nunca parece que conseguimos dar o suficiente. Elas sempre querem mais. E ainda bem que existem as mães, sempre dispostas a dar. Mas tenho refletido que até essa doação precisa de um limite. Filhos precisam se frustrar, sim. Mães podem se estressar, sim. Não são super-heroínas. Têm suas dores, suas irritações e, principalmente, suas imperfeições. Claro que um mantra ajuda, mas nem sempre a gente se lembra de repeti-lo antes de estourar. E isso é humano, faz parte do exercício da maternidade, ao contrário do que muitos pensam…

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

4 Comentários

  1. Concordo Chris!
    Não somos perfeitas mesmo e quanto antes nos sentirmos a vontade com essa percepção, tão melhores nos sentiremos e tão melhor e mais bem adaptados ao mundo serão nossos filhos.
    Beijos,
    Nine

  2. Olá Chistiane,

    Percebo muito bem o que quer dizer. Eu também tenho dois filhos e durante os 1ºs 7 anos acho que houve uma altura em que me sentia totalmente esgotada. Todo o meu tempo fora do trabalho era para me dedicar à casa e aos filhos, não tinha tempo algum para mim, nem para descansar quando precisava. Acho que isso por vezes faz-nos sentir já sem forças, mas acabamos sempre por conseguir, apesar de nem sempre ser como esperaríamos. Ou seja, damos, mas como menos paciência, menos atenção, tantas são as exigências.

  3. Oi Christianne!
    Fazia tempo que eu não passava por aqui! Uma pena, porque seus textos são tão revigorantes! Saio sempre do seu blog com um pensamento ou outro a me cutucar!
    Esse texto é realmente incrível! Parabéns!

    Beijos

  4. Ameei seu blog, parabééns! Cotinue assim!

    Um beijo Feeh ;)

Leave a Reply

Campos obrigatórios assinalados *.

*


© Copyright COISA DE MÃE - Criado pela Tante utilizando Wordpress.