
Ilustração de Jana Magalhães
Já falei aqui sobre como tenho desenvolvido uma qualidade que, definitivamente, eu não acreditava ter antes de ser mãe: a paciência. Lembrei-me, então, de uma passagem da Carta de São Paulo aos Coríntios, que o Legião Urbana transformou em música: “O amor é paciente, é bondoso; o amor não é invejoso, não é arrogante, não se ensoberbece, não é ambicioso, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda ressentimento pelo mal sofrido, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. É uma visão cristã do amor. De qualquer forma, encontrei, a partir dessa lembrança, uma parte da explicação para a paciência que tenho exercitado. Mas, é claro que nem sempre a paciência impera. Há momentos em que me irrito, fico cansada, chego estressada do trabalho e não tenho um tempo mínimo para mim. Nessas horas, reajo sem a tão desejada paciência! Reclamo e, às vezes, chego a ameaçar castigo para João Marcelo, quando ele não me atende. Sinto-me mal quando isso acontece, mas há momentos em que é inevitável. Em outros, um mantra cai bem e evito a impaciência, adotando a atitude que considero adequada. Sobre a perspectiva da criança, tenho feito algumas reflexões: ela só espera receber. A criança não tem a compreensão de que também é preciso dar ou se doar… Ela vê no pai e na mãe fontes inesgotáveis. E a minha sensação é de que nunca parece que conseguimos dar o suficiente. Elas sempre querem mais. E ainda bem que existem as mães, sempre dispostas a dar. Mas tenho refletido que até essa doação precisa de um limite. Filhos precisam se frustrar, sim. Mães podem se estressar, sim. Não são super-heroínas. Têm suas dores, suas irritações e, principalmente, suas imperfeições. Claro que um mantra ajuda, mas nem sempre a gente se lembra de repeti-lo antes de estourar. E isso é humano, faz parte do exercício da maternidade, ao contrário do que muitos pensam…
2 de junho de 2011 às 13:59
Concordo Chris!
Não somos perfeitas mesmo e quanto antes nos sentirmos a vontade com essa percepção, tão melhores nos sentiremos e tão melhor e mais bem adaptados ao mundo serão nossos filhos.
Beijos,
Nine
6 de junho de 2011 às 10:07
Olá Chistiane,
Percebo muito bem o que quer dizer. Eu também tenho dois filhos e durante os 1ºs 7 anos acho que houve uma altura em que me sentia totalmente esgotada. Todo o meu tempo fora do trabalho era para me dedicar à casa e aos filhos, não tinha tempo algum para mim, nem para descansar quando precisava. Acho que isso por vezes faz-nos sentir já sem forças, mas acabamos sempre por conseguir, apesar de nem sempre ser como esperaríamos. Ou seja, damos, mas como menos paciência, menos atenção, tantas são as exigências.
6 de junho de 2011 às 21:56
Oi Christianne!
Fazia tempo que eu não passava por aqui! Uma pena, porque seus textos são tão revigorantes! Saio sempre do seu blog com um pensamento ou outro a me cutucar!
Esse texto é realmente incrível! Parabéns!
Beijos
6 de junho de 2011 às 22:16
Ameei seu blog, parabééns! Cotinue assim!
Um beijo Feeh