Filho, nunca antes senti a dor que tenho sentido ultimamente… A dor de estar me sentindo longe de você. A dor de ter que estar longe de você. E esse conceito de longe é tão relativo. Estamos tão perto e tão longe… Você corre pela casa, brincando com seus super-heróis, e eu fico no quarto, amamentando, dando banho ou colocando Valentina para dormir. Você me chama e eu tenho que dizer a verdade (dizem que a verdade liberta, mas já nem sei)… E a verdade é que sua irmã está precisando de mim naquele momento e não há quem me substitua nas tarefas com ela… Você pede para que eu a deixe no berço. Às vezes, é possível e até funciona, mas em outros momentos não dá por causa das cólicas, comuns nesse período inicial. E fico eu, entre dois amores, dividida, com meu coração de mãe aos frangalhos. Um dia, você vai ler este registro da minha dor e talvez entenda que eu não tinha escolha. E que se você se frustrava por não me ter mais inteiramente sua, eu me frustrava por não conseguir corresponder as suas expectativas. Alguém disse que é na ausência das mães que os filhos crescem… Se é que serve de consolo. Da minha parte, devo dizer que é minha noite de regredir e quem vai dormir no seu quarto hoje sou eu… Amo você sempre, filho.
Para João Marcelo
9 de janeiro de 2010 0 Comentário