Coisa de Mãe

28 de junho de 2008

por Christianne Alcantara

Livros que são a cara de mãe

Estou deixando algumas dicas de livros que acho que podem valer a pena… Oferecem uma certa reflexão sobre o nosso papel de mãe e de pai também…

A Auto-estima do seu Filho
As 500 melhores coisas de ser mãe
Mothern – Manual da Mãe Moderna
Mulheres que correm com os lobos
O Manual do Grávido

28 de junho de 2008

por Christianne Alcantara

Limites para quem precisa…

…e todo mundo precisa. As crianças precisam. Até a minha! Tão linda, tão meiga, tão dengosa… Quem diria que ele, aos 2 anos e meio, estaria me tirando do sério… Achei que isso só viria na pré-adolescência, adolescência, sei lá! Mas, não! Filho, vamos escovar os dentes! Não vou! Não quero! Depois da alimentação, você precisa escovar os dentes para não criar bichinho… Eu quero criar bichinho… Não escovo! Dá para acreditar? Mas escova, sim. Primeiro tento de todas as formas lúdicas… Depois, na base da conversa. Por último, escova porque é falta de higiene não escovar e, se eu deixar, daqui a pouco ele não quer tomar banho, não quer dormir, não quer ajudar a guardar os brinquedos, não quer nada… Cresce louco, completamente sem limite. E eu não passei nove meses grávida, pari e amamentei para meu filho crescer desequilibrado… Colocar filho no mundo é um compromisso social. Temos, sim, responsabilidade com o tipo de ser humano em que eles se tornam. Já ouvi mãe dizendo: “É tão difícil dizer não…” Discordo em gênero, número e grau. É muto fácil dizer não. Basta que se tenha a convicção de que esse “não” é para o bem da criança. A partir dessa ótica, fica tão fácil quanto dizer “sim”. Se a frase fosse: “Dá tanto trabalho dizer não…”, aí eu concordaria. Dá mesmo trabalho. Educar é trabalhoso, cansa, desgasta, mas os resultados compensam. Só não acredito na educação à base de tapa, safanões e pisa. Bater não educa, amedronta, apavora. Como aquela pessoa que existe para me proteger é a que me agride? Eles (as) devem pensar, desprotegidos (as). Agora, realmente, umas lapadas dão menos trabalho do que as tentativas lúdicas, as conversas e o exercício da autoridade… O exercício da força sempre foi mais simples de se praticar. Principalmente, quando estamos falando de um adulto para com uma criança. Ora, vejam: meu filho tem 93cm de altura, eu tenho 1,55m, meu marido 1,85m. Até eu, baixinha como sou, devo parecer uma gigante para meu filhote. O pai, nem se fala! Ora, vão brigar com gente do tamanho de vocês… Arrumem um tempinho e, no lugar de bater, conversem, ouçam. Quem sabem vocês descubram quem mais, além das crianças, precisa de limites…

24 de junho de 2008

por Christianne Alcantara

Sobre São João, fogos e medo

Descobri neste São João como os adultos têm medo… Do medo. João Marcelo se assustou bastante com os fogos de São João. Para quem não é familiarizado com a festa junina, especialmente nos dias 23 e 24 de junho, no Nordeste, não faltam fogos de artifício. É um espetáculo de luz e… de barulho, muito barulho. Agora mesmo posso ouvir pela janela os fogos que comemoram o nascimento de João Batista, São João. Acontece que João Marcelo ficou assustado com os estrondos provocados pela tradição junina. Estávamos em Gravatá, uma cidade serrana a 85km do Recife, capital pernambucana. A família reunida em grande parte e em revezamento… Ele, então, fez a confissão pública: “Tô com medo dos fogos…” E, nos meus braços, não parava de repetir para tios, tias, avôs: “Tô com medo dos fogos…” E se agarrava, com medo (quase pavor), ao meu pescoço. Então, as pessoas tentavam consolá-lo, dizendo, naturalmente, que não era para ter medo, que não ia acontecer nada com ele. Eu disse que estávamos todos ali para protegê-lo etc e tal… Em um determinado momento, estimulado por esses apoios, ele pareceu superar o medo e gostou muito quando tia Camille acendeu uma árvore de natal (é o nome do fogo – as luzes sobem em um formato parecido com a árvore de natal). Bateu palmas e gritou: “Viva São João!” Chegou até a pisar nos “traques de massa” (outro que faz um barulho insistente)… Mas recuou. Voltou a sentir medo e a pedir a todos que parassem de soltar fogos, por favor… O fato é que todos estavam concentrados no medo e preocupados com o fato de que ele tinha que se acostumar com o barulho… Eu, entretanto, confesso, achei maravilhoso que meu filho pudesse expressar seu medo. Mostrar-se seguro o suficiente para dizer: “Estou com medo”. Da sua forma infantil, queria se afastar daquilo que o amedrontava. Olhou para mim e disse: “Mamãe, vamos se esconder dos fogos, vamos?” Eu sei o que alguns (as) de vocês vão dizer: “É Coisa de mãe ver por esse lado. Assim, ele vai crescer medroso…” Será? Será que o primeiro passo para superarmos o medo não é identificá-lo? Assumi-lo? Por que quando até mesmo as crianças dizem abertamente que estão com medo tratamos logo de minimizá-lo? Porque o medo não é aceito com naturalidade. Nós sempre dizemos: “Não tenha medo…” Por que não dizemos: “Você tem todas as razões para estar com medo…”? Porque em geral não nos colocamos no lugar do Outro. Não estabelecemos uma relação de empatia. Mais ou menos assim: “Se eu tivesse dois anos e meio de idade, eu também estaria com medo desses fogos, desse barulho, desse caos… Então, o medo dele não é infundado…” Passei os nove meses da minha gravidez me preparando para um parto normal. Engordei apenas 9kg, fiz Yoga, hidroginástica… Na hora H, João Marcelo estava laçado. Resultado: cesariana. As pessoas me diziam (até as que nunca tiveram nenê, homens, inclusive): “Não tenha medo… É tranqüilo!” Imaginem como esse frase me confortava! Entretanto, ainda acho que o medo feminino é visto com uma certa complacência. O medo dos homens, esse é encarado com total intolerância. Talvez aquela herança cultural machista… João Marcelo é um menino. Provavelmente não por coincidência, mas por um movimento inconsciente e coletivo, os tios e avôs tenham insistido no discurso: “Não tenha medo! Os fogos não fazem medo, não!” Entendo a tentativa deles, não era uma inadequação… Era uma incompreensão, apenas. Talvez porque João Marcelo tenha verbalizado de forma tão repetitiva seu medo que nos sentimos todos desconfortáveis e impotentes. Inclusive, eu… Não é Coisa de mãe querer proteger e apagar qualquer sinal de sentimento negativo que um filho expresse? Senti-me tão impotente naquele abraço apertado e ligeiramente trêmulo… Queria tanto que ele parasse de ter medo… Ao mesmo tempo, estava tão orgulhosa porque meu filho é capaz de expressar seus sentimentos com tanta segurança e clareza… Que João Marcelo possa crescer falando dos seus medos… Acredito piamente, sem medo de errar, por exemplo, que assim ele será um adulto mais corajoso e forte. Essa é minha oração a São João – o santo que protege meu filho – nesta noite linda em que os fogos não param de piscar e de fazer barulho, muito barulho…

21 de junho de 2008

por Christianne Alcantara

Ainda sobre o sono

Vou ter que esclarecer algumas questões da última postagem porque recebi e-mails com várias dúvidas… Quando eu disse que João Marcelo dorme comigo não fui clara. Eu quis dizer que o coloco para dormir toda noite. É isso. Ele não dorme a noite inteira comigo. Quanto a isso, somos rígidos. Desde sempre, eu o coloco para dormir no quarto dele, no sofá-cama, e depois o coloco no berço, onde ele dorme a noite inteira, sono profundo. Não dorme na nossa cama. Nunca, nem quando era bebê, dormia na nossa cama. Desde os dois meses de idade, nós o tiramos do nosso quarto e o deixamos no cantinho dele. Quanto a esses aspectos, concordo com os estudiosos da área: a criança tem que ter sua individualidade, seu canto, reconhecê-lo como seu espaço. Para os pais, é importante também essa privacidade. Corrijo: é imprescindível. Na postagem anterior eu estava me referindo a colocá-lo para dormir. Era desse momento sagrado que estava falando…

20 de junho de 2008

por Christianne Alcantara

Aquele sagrado momento do sono…

Desde que nasceu, João Marcelo dorme comigo. Os psicólogos, pediatras e teóricos em geral que falam sobre relações entre pais e filhos devem estar de orelha em pé. Já li vasta literatura sobre a importância de a criança dormir só. “É importante para a autonomia delas”, “crescerão mais seguras” e tudo o mais. Tenho certeza de que são pessoas com uma bagagem de conhecimento bastante respeitável e que não levantam essa bandeira aleatoriamente… Entretanto, eu, mera mortal, uma simples mãe (e já dizia a música que “mãe é mãe, vaca é vaca”) ignoro completamente essa teoria. Talvez por mero egoísmo mesmo… E, então, vocês vão dizer: “Não é Coisa de mãe ser egoísta!” Quanto romantismo! Mãe é egoísta também! Confesso: não abro mão de colocar meu filho para dormir. É o momento mais calmo do dia: ele já tomou banho, já comeu, escovou os dentes, está vestido com aqueles pijaminhas lindos e macios e olha pra mim com o olhinho já miúdo e diz: “Quer domir com tu, mamãe…”. E vocês acham que, para ser adequada, eu devo dizer: “Não, filho, assim você não vai crescer seguro…” Tenham paciência. Desculpem se estou sendo politicamente incorreta, mas é isso mesmo: Tenham paciência! Nem pensar! Não vou abrir mão desse momento sagraaaaaaaado. Converso com ele, brinco, conto historinhas e dou limite: “Agora é hora de dormir. Vamos ficar quietinhos”. Quando João Marcelo tinha uns nove meses, Marcelo comprou o livro “Nana, nenê – como resolver o problema da insônia do seu filho”. Na verdade, João Marcelo, a partir dos três meses, já dormia a noite inteira (das 21h às 5h do dia seguinte), mas lá pelos nove meses começaram a aparecer os dentes e ele queria mamar para coçar a gengiva. Estranhamos, claro, e a pediatra dele – excelente, diga-se de passagem – conversou longamente sobre a insônia do meu gordo e disse, nem indicando nem sugerindo, apenas citando: “Há pessoas que usam esse livro e se dão bem… Se vocês conseguirem…” Compramos mais por curiosidade. Lemos o primeiro capítulo, o segundo – “Não o façam dormir, ele tem de conseguir sozinho” – e fechamos o livro. Não funcionaria comigo… Nunca. Tem um quadro que diz o que não devemos fazer para a criança dormir. Com alguns casos, eu até concordo, como dar uma volta de carro com ele ou deixá-lo andar de um lado para outro até cair exausto, mas essa história de não cantar para ele, não embalá-lo no berço ou no colo ou sequer dar-lhe a mão… Definitivamente, não me convence. João Marcelo dorme bem, a noite inteira desde sempre – com exceção desse período da dentição – e eu sempre cantei para ele, sempre fiz carinho e o embalei. Ele sabe que está na hora de dormir, já conhece sua rotina e o momento do sono é sagrado… pra nós dois. Pelo menos, por enquanto. Conclusão: não há fórmulas mesmo. A regra é construir uma relação saudável, com amor e respeito. E pasmem: às vezes é bom se insurgir contra esses manuais que insistem em tentar nos ensinar a criar nossos filhos. Se isso é egoísmo, então lembrem-se: Mãe também é egoísta.

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