Coisa de Mãe

19 de janeiro de 2010

por Christianne Alcantara

A dor e a delícia de ser o primeiro

Eu sou uma primogênita. E ultimamente tenho pensado sobre a dor e a delícia de ser a primeira filha. A dor por sofrer uma expectativa velada em torno do que eu viria a ser. A delícia de ser o centro das atenções. A dor de ser alvo de tanto amor. A delícia de ser tão amada. A dor de ter que dividir tudo, quando antes não dividia nada. A delícia de ter com quem dividir. A dor de ter que encarar uma certa proteção exagerada. A delícia de estar sendo cuidada. A dor de ver outra alvo de mimos que antes eram só meus. Não é fácil ser a primeira. Talvez por isso eu entenda a dor do meu filho agora. Porque, a delícia, ele só vai experimentar depois.

18 de janeiro de 2010

por Christianne Alcantara

A insustentável leveza do sono

Um resmungo, um mexe-mexe. Abre e fecha os olhos tranquilamente. De vez em quando, suspira. Outras vezes, esboça um sorriso (sim, um sorriso). Aconchega-se no berço. De repente, assusta-se e volta à tranquilidade de um sono leve, quase insustentável.

16 de janeiro de 2010

por Christianne Alcantara

Mãe de uma diferente viagem

As pessoas sempre se referem às mães, quando têm um segundo filho, como não sendo mais uma mãe de primeira viagem. Como se todas as viagens fossem iguais. Por isso, contesto essa idéia. Não dá para comparar ou querer utilizar a viagem anterior como referência. Até porque não é. Sinto-se uma mãe de primeira viagem, sim, no sentido de estar vivendo tudo novo. O comportamento da minha filha, esse início é completamente diferente do que vivi com meu filho. Então, não deixa de ser uma primeira viagem. Ou uma viagem única. Ou simplesmente uma viagem diferente. Somos sempre mães de diferentes viagens, pois cada uma delas é singular. E, afinal, que graça teria se fossem iguais?

14 de janeiro de 2010

por Christianne Alcantara

Cansaço

O dia foi longo. Estou particularmente cansada hoje. Valentina passou o dia inteiro com cólicas. Por que os filhos insistem em nos remeter à total impotência? Por que sempre nos levam à constatação de que não somos tão poderosas quanto imaginamos?

13 de janeiro de 2010

por Christianne Alcantara

Coisas que os filhos nos ensinam…

Filhos nos ensinam muitas coisas… A amar incondicionalmente, por exemplo. João Marcelo me ensinou muito bem essa lição. Para mim, amor por filho é incondicional. Descobri esse amor durante a amamentação. Fissuras e fungos não me impediram de amamentá-lo. Nem mesmo a severa dieta que me privou de leite e derivados durante um ano… Não foi fácil, mas tudo é uma questão de fé. E eu acreditava na importância da exclusividade do leite materno nos seis primeiros meses de vida e depois, com a introdução de outros alimentos. Afinal, conseguimos. Não me arrependo. João Marcelo é uma criança que, apesar da alergia alimentar e, recentemente, também respiratória, raramente adoece. Valentina tem me dado uma lição semelhante, apesar de nosso amor estar em construção (ou será que ele já está aqui e eu ainda não percebi? Porque amor é assim… Chega mansamente…). Quando ela estava com 15 dias, experimentei uma mastite. Para quem não sabe, mastite é uma inflamação da glândula mamária, causada pelo acúmulo de leite, que ocorre geralmente no pós-parto. Valentina não deu conta da “produção” de leite. Resultado: Mastite. Na prática, a mastite deixa o leite “pedrado”, a mama dura e avermelhada. Para dissolver, só muita amamentação, ordenha e, no meu caso, 14 dias de antibiótico. Não consigo sequer descrever a dor. Enfim, superamos. Ela continua sem dar conta da quantidade de leite, e eu tenho feito ordenha, estocado e doado leite para o Imip. Com Valentina, tenho aprendido a ser ainda mais persistente e vê-la engordar 50g por dia me conforta. Afinal, vale a pena. Os dois me ensinam, a cada momento, a ter um pouco mais de paciência. A música do pernambucano Lenine é uma inspiração para essa aprendizagem (http://www.youtube.com/watch?v=sXmWAOIWg3w). Meus filhos me ensinam, enfim, a me doar sempre, inclusive quando acho que não tenho mais nada para dar. Quando acho que já estou esgotada, eles me ensinam a ter força e a seguir. Porque a vida é mesmo muito rara.

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