Coisa de Mãe

2 de junho de 2011

por Christianne Alcantara

Ler também ajuda

Quero deixar aqui duas dicas de livros de que tenho gostado muito ultimamente. São simples, abordam questões cotidianas e nos ajudam a perseguir uma certa leveza no exercício da maternidade ou da paternidade. Ficam as sugestões:

1. Livro: Onde foi que eu acertei
O que costuma funcionar na criação dos filhos
Autor: Francisco Daudt da Veiga

2. Livro: É Claro Que Eu Amo Você… Agora Vá Para O Seu Quarto! Educando filhos com amor e limites
Autora: Diane Levy

1 de junho de 2011

por Christianne Alcantara

Um mantra cai bem

Ilustração de Jana Magalhães

Já falei aqui sobre como tenho desenvolvido uma qualidade que, definitivamente, eu não acreditava ter antes de ser mãe: a paciência. Lembrei-me, então, de uma passagem da Carta de São Paulo aos Coríntios, que o Legião Urbana transformou em música: “O amor é paciente, é bondoso; o amor não é invejoso, não é arrogante, não se ensoberbece, não é ambicioso, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda ressentimento pelo mal sofrido, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. É uma visão cristã do amor. Continue lendo »

24 de maio de 2011

por Christianne Alcantara

Entre dois amores

Às vezes, tenho uma sensação de que não consigo me dividir de forma justa entre João Marcelo e Valentina. Explico: Sempre acho que estou dando mais atenção ao primogênito. E não é porque queira. As demandas dele são maiores. Aos cinco anos, é judô, natação, tarefa de casa, pedido para brincar com ele e por aí vai… Valentina, além de não se concentrar em quase nada, tem demandas menores, ainda dorme mais e, muitas vezes, tenho que dar um limite porque, quando estou em casa, se eu saio do cômodo onde estamos, é um chororô. Em geral, apesar de estar com um ano e cinco meses, quer ficar no meu braço o tempo todo e, com seus quase 13kg, ela me deixa exausta. Busquei umas soluções para amenizar minha culpa, mas não têm sido suficientes. Valentina faz natação desde os 9 meses e sou eu que entro com ela, enquanto João Marcelo faz natação em outra piscina, para os maiores, no mesmo horário. É ótimo, pois temos um momento só nosso, de relaxamento e tranquilidade. Sempre que posso, tento dar uma escapada e fazer um programa de “meninas” ou simplesmente sair para beber uma água de coco com minha pequena, mas esse sentimento de que não dou atenção suficiente continua a me perturbar…

Alguma sugestão?

23 de maio de 2011

por Christianne Alcantara

Viagem a dois

Com minha irmã na área, aproveitamos para um final de semana a dois, eu e Marcelo. Maravilhoso, diga-se de passagem. Entretanto, ao longo dos dias que fiquei longe, avaliei alguns aspectos quanto a ficar distante das crianças. Quando menos esperamos, estamos falando neles (o pai falava ainda mais que eu). Quando menos esperamos, sentimos saudades e pensamos em como seria se eles estivessem por perto (o pai não parava de falar em uma viagem com João Marcelo)… É bom um espaço para o casal. Faz com que a gente reponha as energias. Entretanto, nunca é como antes… Porque, efetivamente, não somos apenas dois. Somos quatro. Embora ansiemos por um tempo mais reservado e livre, quando dispomos desse tempo, hesitamos um pouco sobre o que fazer com ele. Diversão e descanso foram duas atividades bem exploradas nesse final de semana, mas que faltava um pedaço, isso faltava.

18 de maio de 2011

por Christianne Alcantara

Meu filho de chuteiras

Domingo, 15 de maio. Em campo, Santa Cruz X Sport. Para quem não sabe, dois dos três grandes times de Pernambuco. O Santa amargava cinco anos de derrotas sucessivas. Tantas que foi parar na série D. Quarta divisão. Meu filho tem cinco anos e nasceu tricolor. Herança paterna. O ano do seu nascimento foi o último ano em que vimos o Santinha (para a torcida fervorosa) ganhar o campeonato pernambucano. Este ano, a situação do Santa Cruz não parecia diferente. Iniciou com uma campanha tímida. Segundo a imprensa, no começo do campeonato, o time era mero “coadjuvante”. Ao longo dos jogos, foi crescendo. Com uma torcida fiel, que produziu camisas com o slogan “Santa Fidelidade”, o Santa voltou a tomar gosto pelas vitórias. Com o atacante Gilberto, liderando a artilharia, a esperança voltou aos corações dos tricolores. O do meu marido, em particular, quase que não aguenta. O do meu filho, por tabela, batia mais rápido, em compasso com o do pai. A mim, ele perguntava: “O Santa joga hoje?”, “saiu no jornal que o Santa ganhou?” e por aí vai… Eu, com aquele cuidado de mãe: formar um torcedor, um amante do futebol que não descambe para o fanatismo. No domingo anterior, dia 8 de maio, o Santa tinha ganho do Sport na casa do adversário, na Ilha do Retiro. Seguia tranquilo para a final. Ao longo da semana, meu marido anunciou: “Vou levar João Marcelo para o campo na final”. O meu coração disparou por um motivo completamente diferente da taquicardia que os torcedores do Santa vinham sentindo… Na hora, respondi: “Vou também. Quero torcer pelo Santa”. Meu marido olhou com desconfiança. No íntimo, pensou: Isso não é coisa de torcedora. É Coisa de mãe. Claro que ele não verbalizou. Mas eu vou confessar aqui. Eu sempre torci pelo Náutico. Era alvirrubra antes de o meu filho nascer. Depois que pari, Marcelo logo notou que a criança só seria tricolor se a mãe também fosse. Fez um apelo – que me soou como uma exigência -, mas fiz de conta que entendi como apelo. Quando João Marcelo perguntava, eu respondia: “Todo mundo aqui em casa é Santa, filho” (Deus perdoa mãe que mente para o filho por uma boa causa… Eu espero… Se eu disser que esta é a única mentira que já contei para o meu filho, em cinco anos da vida dele, vocês também vão perdoar… Acho…) A fidelidade ao meu time foi para o espaço. Daí em diante, era Santa. No Dia das Mães, este ano, o tiro de misericórdia. João Marcelo escolheu, ele mesmo, sem interferência qualquer do pai, o meu presente. Uma camisa oficial do Santa Cruz. Enfim, estava oficializado. Eu virei a casaca… Ingressos na mão, fomos ao campo. Eu, que só tinha entrado em campo para ver o Brasil jogar, na Copa de 1994, estilei. Tem que chegar duas horas antes de o jogo começar, João Marcelo tem que ir no braço, leva a camisa do time na bolsa e só veste em campo… Mais complicado do que eu imaginava. Ainda mais, considerando que o adversário era o inimigo público de todos os times pernambucanos: O Sport. Os carros eram interceptados a uns 500m do estádio do Arruda (era a nossa vez de jogar em casa… Nossa?). Começamos a andar. Polícia, cavalaria. Gente que não acabava mais. No meio do caminho, um torcedor orgulhoso perguntou: “É o Galo da Madrugada?”. Para quem não sabe, referia-se ao maior bloco carnavalesco do mundo. Um exagero, mas àquela altura, depois do jejum de cinco anos, ele tinha todo direito. Na verdade, não era o Galo da Madrugada, mas era o jogo de maior público do ano, no Brasil. Fomos para as cadeiras. De lá, assistíamos a Inferno Coral – torcida organizada do Santa Cruz – dar seu espetáculo à parte. João Marcelo se irritou: “Tô com raiva, mãe. Esse jogo não quer começar…”. faltava uma hora para os jogadores entrarem em campo quando ele fez a primeira reclamação. A segunda veio seguida de uma cabeça no meu colo e um sono tranquilo para quem estava no meio de 55 mil pessoas, com a maioria gritando “Tri, tricolor, tri, tri, tri, tricolor”. O jogo começou e eu avisei. Ele deu um pulo. Em pé, na cadeira, já que ninguém se sentava (pergunto-me até hoje o sentido das cadeiras se as pessoas não se controlam e não conseguem mesmo ficar sentadas…). Primeiro tempo, o Santa só se defendeu. O rosto de meu marido era de tensão. Era demais perder o título depois de tanto esforço. Fim do primeiro tempo, 0 x 0. Meu filho olhou e disse: “Mãe, o Santa tem que ganhar, né?” “Não, pode perder de 1 x 0” “Como, mãe?” Ele não entendia que, às vezes, mesmo perdendo, a gente ganha. Ele olhou para mim, muito compenetrado e respondeu: “É melhor que fique assim, empate”. O segundo tempo veio e com ele a recuperação do Santa. Fez um belo jogo. Emocionante, com uma torcida fiel, que não se cansava de gritar, de empurrar o time para a vitória… Porém, nada de gol. Coisas do futebol. Um pouco de frustração, mas o título era nosso (nosso, de novo?). E o grito de campeão era inevitável, mesmo faltando cinco minutos para o jogo terminar e apesar de um pênalti marcado no último minuto do segundo tempo contra o Santa, que acabou perdendo por 1 x 0. Perdendo o jogo, claro. Depois, a taça, a comemoração da torcida e com a torcida. Meu filho, feliz. O pai, feliz. E eu, tricolor desde criancinha, feliz pelos dois, maravilhada com a torcida.  João Marcelo colocou a faixa de campeão pernambucano que o pai comprou sem pechinchar, depois do jogo… E o principal, para mim, nós, voltando para casa, sãos e salvos. João Marcelo continuou sem entender como é que o Santa perdeu, e ganhou. Ficou só o registro e a interrogação. Não foi desta vez, mas chegará o dia em que ele entenderá: o que conta não é a partida em si…

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