Pessoal, esta matéria foi publicada hoje no Diario de Pernambuco, jornal pernambucano, com um dado lamentável, para não dizer vergonhoso. E mais: Vale a pena para refletir sobre as nossas prioridades.
“Aos 32 anos, a professora Ana Paula de Albuquerque alimenta o caçula Gabriel, de dois meses, apenas com leite materno. Mãe de outros dois filhos, ela sabe que amamentação não é apenas um gesto de amor. É, também, sinônimo de proteção. O aleitamento materno é a principal estratégia isolada capaz de prevenir a mortalidade de crianças no primeiro ano de vida. “Quero amamentar até quando eu ainda tiver leite”, diz. Mas, no Recife, histórias como a de Ana Paula ainda são exceção. O tempo de amamentação vem crescendo em todo o país e quase dobrou na cidade entre 1999 e 2008. Ainda assim, o Recife é a segunda capital brasileira onde menos se amamenta no país.
O tempo médio de aleitamento materno na capital pernambucana é de 293,11 dias – cerca de nove meses e 23 dias. Só ganha para São Paulo, onde a média é de 292,82 dias. A média nacional é de 342. Os números foram divulgados ontem, no primeiro dia da Semana Mundial de Amamentação, que vai até 7 de agosto, e fazem parte da II Pesquisa de prevalência do aleitamento materno nas capitais brasileiras e DF, realizada no ano passado pelo MS, em convênio com a Fundação Oswaldo Cruz.
O Ministério da Saúde (MS) recomenda a amamentação durante dois anos ou mais, sendo o leite materno a única fonte de alimentação do bebê nos primeiros seis meses de vida. É em Macapá onde as crianças mamam por mais tempo no país: 601 dias.
Apesar do Recife estar na vice-lanterna em relação ao tempo de amamentação, o gerente de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente do Recife, Paulo Frias, lembra que a cidade foi a sexta capital que mais avançou no período da pesquisa. E um dos reflexos disso está na queda da mortalidade infantil. Em 1999, 619 crianças morreram antes de um ano de vida. Foram 22 mortes para mil nascidos vivos. Em 2008, os óbitos caíram para 262 – 12,4 mortes por mil nascidos vivos. O Recife alcançou, em 2006, a meta das Nações Unidas de reduzir em dois terços a mortalidade infantil em relação a 1990. O país só deve atingir esse objetivo em 2012.
Segundo Paulo Frias todos os hospitais públicos, filantrópicos e universitários da cidade, incluindo três municipais, têm o título de “Amigo da Criança”. São oito de um total de 20 maternidades. Sem contar com o trabalho das 242 equipes de saúde da família e dos 1,8 mil agentes comunitários treinados para promover o aleitameno materno. Ainda assim, o Recife estava no 19º lugar no ranking de capitais com as maiores taxas de crianças menores de um ano amamentadas na primeira hora de vida (66,8%). Foi a sétima que mais cresceu no quesito aleitamento materno exclusivo para menores de 4 meses entre 1999 e 2008, mas ainda está em 15º na escala geral (49,9%). “O ideal seria que fosse em torno de 90%”, disse a coordenadora estadual do programa de aleitamento materno, Andréa Zacchê.
A cidade também é a terceira capital com os índices mais baixos de aleitamento de crianças com nove a 12 meses, mesmo após aumento de 16%. As causas, para Frias, têm relação com a inserção da mulher no mercado de trabalho e com a questão cultural. No Recife, apesquisa foi feita com mais de três mil crianças. A programação da semana de aleitamento da Secretaria de Saúde da cidade vai até sexta. A da Secretaria Estadual de Saúde segue até sábado, com simpósio no Imip.
Banco de leite em Pernambuco:
Região Metropolitana do Recife
Rede pública:
– Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip)
– Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam)
– Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco
– Hospital Barão de Lucena
– Hospital Agamenon Magalhães
Rede privada:
– Hospital Esperança
– Hospital De Ávila
Interior
– Hospital Jesus Nazareno – Caruaru
– Hospital Dom Malan – Petrolina
– Hospital Regional Ruy de Barros Correia – Arcoverde”