Coisa de Mãe

O dilema do rosa

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Pessoal, esta é a fantasia de elefante que ele usou!

Véspera da sexta-feira gorda. Uma gripe de matar. Não consegui sequer me levantar para ir ao trabalho. No dia seguinte, seria o carnaval da escola de João Marcelo. Faltava a fantasia. Lá pelas 4 da tarde, tomei coragem (e olha que é preciso muiiita para enfrentar o centro da cidade do Recife às vésperas do Carnaval…), levantei da cama e fui para o vuco-vuco, nome de batismo do centro comercial recifense. A decisão mais sábia: Vou de táxi. A cidade estava interditada para todo lado. O taxista sugeriu ir pela Avenida Sul. Engarrafamento. Os carros alegóricos do Galo da Madrugada já estavam alinhados e posicionados como se o desfile estivesse prestes a começar. Resignei-me. Um percurso de 20 minutos durou uns 45. Passava das cinco da tarde quando iniciei a peregrinação pelas lojas. Fantasia para todo lado: Pirata, toureiro, palhaço… João Marcelo tinha ficado inconformado em casa. Não dava para sair com ele no estado em que me encontrava… Liguei. A sentença: “Quero uma fantasia de elefante”. Como Deus ajuda as mães – tenho certeza, convicção… -, achei a fantasia. Previ um pequeno problema, mas ignorei. Havia encontrado a fantasia. Estava quase procurando uma fantasia de super-heroína. Quem sabe uma Mãe Maravilha? Estava me achando o máximo. Estava até melhor da gripe. Cheguei em casa orgulhosa da minha proeza. O filho adorou. Ficou lindo! O pai olhou e falou baixinho: “Essa fantasia é de menino mesmo?” O que previ acabava de acontecer… A roupa é toda cinza, mas tem detalhes na cor rosa – a parte interna das orelhas e a barriga. Rosa é de menina, segundo não sei quem. João Marcelo é menino. Logo… Esse foi o raciocínio lógico do pai. Olhei para ele desolada. A roupa nada tinha de feminina. Muito pelo contrário. Tinha algo de bastante fálico: Aquela tromba enorme! Depois de todo o esforço, sorri, retruquei e ponto final. Claro que tive vontade de matá-lo, mas ainda não foi dessa vez. Ele também não podia fazer nada. Àquela altura, João Marcelo já estava com a fantasia e desejava ardentemente dormir com ela. Queria ver ele ter coragem de dizer que o menino não usaria a roupa no dia seguinte. Dormimos, acordamos, chegamos ao colégio. Foi uma sensação. A fantasia fez o maior sucesso. E não foi só entre mães, não. Os pais também elogiaram. Inclusive o pai de João Marcelo, meu amado marido. Eu agora é que me sentia uma super-heroína mesmo. Só faltava comprar a minha própria fantasia…

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