Lembro-me do primeiro momento em que meu filho solicitou o peito. Eu não sabia o que ele tinha. Acabara de chegar ao apartamento do hospital e lá vinha a enfermeira, com a criança chorando: “Mãe, seu bebê está com fome”. Fiquei sem ação. Eu havia me preparado tanto para aquele momento. Procurara uma médica especialista na área de aleitamento materno, Bernadete Dantas, estava com todas as informações disponíveis, mas a prática eu ainda precisava dominar. A teoria, já tinha na ponta da língua. Peguei João Marcelo nos braços, ainda desajeitada. Lembrava-me de que a orientação era de que a barriga dele precisava estar em contato com a minha, era importante que ele abocanhasse o peito e não que pegasse a ponta do bico da mama e eu sabia ainda que, no início, a quantidade de leite seria pequena. Fiz tudo como manda o figurino e João Marcelo só fazia chorar. “No começo, é assim mesmo, mãe”, falou a enfermeira. Com o tempo, tudo foi ficando mais fácil (não assim tão rapidamente quanto a leitura desta postagem pode sugerir) e eu me recordo com saudades dos momentos em que amamentava meu filho. Tudo isso voltou à minha memória porque o próximo dia 1º de agosto é o Dia Mundial da Amamentação. Não tenho visto campanhas, não tenho encontrado divulgação do dia ou de uma semana de programação para discutir questões pertinentes ao aleitamento materno. É lamentável. Os ganhos são infindáveis. Meu filho raramente adoece. É uma criança saudável, apesar da alergia à proteína do leite de vaca. Com certeza, o aleitamento materno, ao qual me dediquei durante um ano, embora trabalhasse dois horários, tem um papel fundamental na saúde dele. A Organização Mundial de Saúde e a Unicef têm dado orientações no sentido de estimular a amamentação:
1) iniciar a amamentação nas primeiras horas de vida da criança;
2) amamentação exclusiva, ou seja, o lactante recebe apenas leite materno, sem nenhum outro alimento ou líquido, nem mesmo água;
3) que a amamentação aconteça sob demanda, ou seja, todas as vezes que a criança quiser, dia e noite;
4) não usar mamadeiras nem chupetas.
São as dicas técnicas. As minhas dicas de mãe são outras:
1) tenha paciência;
2) não se desespere no início;
3) persista;
4) ame profundamente.