Hoje, encontrei um texto que escrevi para João Marcelo em 04 de junho de 2006, às vésperas do final da minha licença-maternidade. Cheio de promessas:
” Não serei uma mãe ausente. Estarei junto de você a qualquer necessidade sua. Serei próxima, sem ser invasiva; compreensiva, sem ser condescendente; amiga, sem ser permissiva; carinhosa, sem ser sufocante; amorosa, sem ser possessiva”
A culpa faz com que a gente prometa a perfeição, impossível de ser alcançada. Lembro-me de que a volta ao trabalho foi muito difícil. Mas, ao mesmo tempo, foi muito importante para mim e para minha relação com meu filho. Claro que a culpa por não estar perto dele me inquietava. Por outro lado, passei a valorizar cada minuto que tínhamos juntos e vivê-lo intensamente. Sentia saudades, mas percebia a relevância de me sentir mais do que mãe. Sei que parece paradoxal. Acho que é o que a maioria das mulheres que trabalham fora de casa sentem: Um misto de culpa e alívio ao voltarem ao trabalho. E um misto de felicidade e alívio ao voltarem para casa, quando o dia termina. Definitivamente, não posso falar por outras mulheres, mas o meu sentimento é de que eu preciso da minha profissão para me sentir uma mulher mais realizada, mais feliz. Quando eu volto para casa, sinto que consigo ser uma mãe melhor do que seria caso não trabalhasse… É apenas uma percepção que só se aplica a mim mesma. Não estou defendendo que para ser uma boa mãe as mulheres precisem trabalhar fora. Conheço mães maravilhosas que dedicam todo seu tempo aos filhos. Falo de mim: Se eu passasse o dia inteiro dedicada ao meu filho, ao meu marido, à minha casa, à minha família, seria uma mulher estressada e, inevitavelmente, frustrada. De qualquer forma, não deixo de sentir uma pontinha de culpa por isso. No fundo, acho que gostaria de me dedicar inteiramente ao meu filho, mas tenho certeza de que isso não faria de mim uma mãe melhor ou uma mulher mais interessante ou um ser humano especial, como tantas mães que conheço. Sendo assim, optei por dar o que tenho e não o que gostaria de ter. Afastei-me, assim, do ideal de perfeição. Não serei nunca uma mãe perfeita, até porque ela não existe. Tento ser apenas uma mãe possível.