Coisa de Mãe

7 de julho de 2008

por Christianne Alcantara

Coisa de mãe de cara nova!!!

Sejam bem-vindos ao novo e velho Coisa de mãe. Faz exatamente dois meses que essa brincadeira começou e juro que eu não pensei na data… Em 7 de maio, resolvi, inspirada pela amiga e jornalista, muito sabida, diga-se de passagem, Julieta Jacob, começar um blog sobre maternidade, paternidade, filhos, família… Não sou psicóloga, não sou antropóloga, não sou socióloga… Sou jornalista com mestrado em Ciência Política… e mãe! Mas a brincadeira tem sido tão boa que achei que ela merecia ficar ainda melhor (assim espero). Com a ajuda inestimável do agora amigo Guilherme Advíncula, da Nativ, foi definido um novo layout e vamos oferecer mais serviços, entrevistas em diversas áreas e estamos ainda facilitando o acesso aos comentários, antes um pouco mais difícil. Com o apoio e incentivo permanentes do marido, mantive o ânimo de fazer a migração para o novo blog (não posso dizer que foi um parto fácil) e, finalmente, com as mais novas estripulias de João Marcelo, entendi que tudo isso já está valendo a pena… Espero que vocês concordem!

6 de julho de 2008

por Christianne Alcantara

Estratégia de pai

Descobri a estratégia usada pelo pai para convencer o filho a cortar o cabelo. Bom, como o blog é Coisa de mãe, tenho que contar… O pai propôs fazer uma surpresa para mim, euzinha, a mãe. Foi quando João Marcelo ficou animado e topou. Entretanto, na hora do corte, o escândalo foi o de sempre. Fiquei tão orgulhosa quanto à estratégia que tinha que registrar. Além do mais, o pai foi tão humilde ao confessar que mereceu mais uma postagem no blog. Afinal, pai também tem lá suas artimanhas…

5 de julho de 2008

por Christianne Alcantara

Não basta ser pai…

… tem que conseguir fazer com que o xuxuzinho corte o cabelo. Pois é, o pai conseguiu fazer com que João Marcelo cortasse o cabelo. Devo reconhecer que é uma vitória. Nem todo pai se dispõe a ouvir menino (a) fazer e-s-c-â-n-d-a-l-o na hora do bendito corte. O cabeleireiro ainda pegando os apetrechos e o (a) menino (a) dizendo: Tá doendo! E o chororô? Gente, não dá pra descrever. Da última vez que tentei cortar o cabelo de João Marcelo, passei duas semanas com o choro ecoando no meu ouvido. E o risco?! A criança não pára de se mexer. Enquanto isso, o cabeleireiro está com aquela tesoura enorme pra lá e pra cá! Pois é, lembrando aquela famosa frase publicitária (sem intenção de merchandising): Não basta ser pai, tem que participar!

4 de julho de 2008

por Christianne Alcantara

Emergência pediátrica

Esse período de chuva é de enlouquecer qualquer mãe. As crianças adoecem o tempo todo. É virose, é resfriado, é otite e por aí vai. Nariz não pára de escorrer. E vem a tosse e tantos outros sintomas que começam a preocupar. João Marcelo começou a se queixar do ouvido. Meu ouvido tá doendo, mamãe. Fiz aquele teste de apertar a região e ele gritou. Bom, acabamos indo parar na emergência pediátrica de um dos bons hospitais do Recife. Honestamente, quando penso que tenho que ir a uma dessas emergências, já fico nervosa. Porque sempre achei que em emergência deve aparecer de tudo, e meu raciocínio é de que só médicos experientes podem lidar com qualquer tipo de diagnóstico. Entretanto, o meu raciocínio deve estar completamente equivocado porque, em todas as emergências pediátricas do Recife, só colocam aqueles médicos que acabaram de sair da residência, recém-formados. Os homens são imberbes, mal olham para as crianças, e as mulheres parecem nunca ter visto uma… Sei que está parecendo que eu tenho preconceito com jovens profissionais. Mas não é isso. Há muitos jovens profissionais competentes, mas a maioria ainda não tem a experiência necessária para atuar em uma emergência pediátrica. Vejam se eu não tenho razão. João Marcelo reclamando de dor de ouvido, vou parar numa dessas emergências da vida, deparo-me com uma médica. O que é que ele tem? Nariz não pára de escorrer, tosse, está reclamando de dor de ouvido, não comeu nada hoje… Vamos examinar. Quando ela se aproxima, ele começa a chorar. Ela levanta os braços, como quem diz: Assim não dá. Eu penso: Por que escolheu pediatria, miserável? Tento confortá-lo, mostro algo para distraí-lo. Ela vem de novo. O menino abre o berreiro. Ela faz o exame relâmpago e diz num tom desagradável, de quem quer se ver livre do chororô: Pronto! Acho que ela queria mesmo era dizer: Pronto, menino, pode parar com o berreiro! Mas eu estava lá, olhando para ela, firme, e ela não era doida a esse ponto. Ela diz: Ele não tem nada no ouvido. Vamos passar o Polaramine – um antialérgico para essa tosse. Claro, conheço o antialérgico. Só que o alergologista dele – menciono o nome – não quer que ele use esse antialérgico em qualquer situação porque João Marcelo é alérgico à proteína do leite de vaca. Quando há algum episódio em que ele tem contato com o leite de vaca, o Polaramine é utilizado e o médico quer evitar o uso em outras situações para que não se crie uma resistência e o Polaramine não atue tão bem quanto deveria. Resposta: A senhora é quem sabe. Se o doutor – menciona o nome – disse, eu acredito. Até porque ele tem mais experiência do que eu. Tive vontade de dizer: Sem sombra de dúvida. Mas calei. Esperei que ela receitasse outro antialérgico diante da sua própria reflexão, mas a moça também se calou e eu percebi que havia um impasse. Ela esperava a minha decisão. Fiquei pensando: será que não existe outro antialérgico no mundo ou ela simplesmente desconhece qualquer outro? Cheguei à conclusão de que a segunda alternativa era mais provável e me resignei. Eu tenho Polaramine em casa. Mas a médica fez questão de concluir o trabalho dela. Escreveu na receita: 2,5ml de manhã, 2,5ml à noite. Peguei a receita, saí do hospital e, ainda no meio da rua, marquei uma consulta com o alergologista do meu filho, implorando para a secretária me encaixar no dia seguinte. Nem que eu precisasse esperar horas. Ela se comoveu. Detalhe: o médico, ao examiná-lo, disse que ele estava com um princípio de otite, receitou antibiótico e (pasmem!) outro antialérgico. Confirmei minha suspeita: Polaramine era o único antialérgico que a doutora conhecia…

3 de julho de 2008

por Christianne Alcantara

Saudades da primeira viagem

Ontem, meu filho viu um bebê. Até então, vinha dizendo que não queria um irmão… Mas viu um bebê e vocês sabem como isso pode ser emocionante. Para uma criança de dois anos e meio é a visão do paraíso: um boneco, um brinquedo… Olhou pra mim e disse: Quero um desse. Como se estivesse escolhendo um dos seus carrinhos nas lojas de brinquedo. Ri. Ele repetiu: Quero um desse, mamãe… Lembrei-me de tudo, como num filme. Os nove meses de gravidez, o parto, os primeiros três meses, as rachaduras no peito, as alegrias diárias, as descobertas a cada segundo… Senti saudades especialmente do dia em que descobri o meu amor por meu filho… É, porque todo mundo acha que a criança nasce e a gente já ama à primeira vista. Claro que acredito que algumas mães possam ter sentido isso no momento em que viram o (a) filho (a). Comigo foi diferente, foi um processo… As primeiras semanas depois do parto não foram fáceis. Os primeiros 15 dias foram particularmente estressantes para mim… Recuperando-me de uma cesariana, amamentando, sem hora pra dormir… Minha rotina de cabeça pra baixo. Minha vida havia mudado completamente. No pós-parto, lembrei-me muito de uma amiga, Natália Câmara. Ela foi a única que teve coragem de me prevenir: Chris, o pessoal vê tudo de forma muito romântica… Vai visitar a gente no hospital e quer que a gente esteja linda, maravilhosa, enlevada com a maternidade… Não é bem assim. Tem dia que a gente tem vontade de jogar o menino pela janela. Ela tinha razão. É uma visão romântica essa de que a gente já está amando ser mãe logo que a criança nasce. Essa descoberta vem com o tempo. A gente já pode até estar adorando ser mãe, mas ainda não sabe, até que chega o dia da grande descoberta. Não me lembro da data exatamente, mas João Marcelo tinha mais de um mês, eu o estava amamentando e, de repente, comecei a sentir as lágrimas rolando… Eu estava completamente enlevada… Por que eu estava chorando mesmo? Olhei aquela criança linda, indefesa, mamando e entendi: eu acabava de encontrar o verdadeiro amor, aquele incondicional, que a gente passa a vida procurando e só encontra no amor por um filho. Eu amava aquela criança com toda a intensidade… Impossível descrever aquele momento, mas está registrado na minha memória. Ontem, quando vi o bebê, senti saudades dessa primeira viagem…

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