Coisa de Mãe

13 de março de 2016

por Christianne Alcantara

Carta de março

Aos meus filhos, com amor:
Filho, hoje você tem 10 anos. Filha, você tem 6. A vida pra vocês esta só começando. Pra mim, já está na metade do caminho. Ao longo do dia de hoje, 13 de março de 2016, fiquei refletindo. Acompanhando as notícias na imprensa e lendo minha linha do tempo no facebook, fiquei pensando em que país estou deixando pra vocês. Que país os aguarda? E não vou mentir. Acho que minha geração tem muito a se desculpar com as gerações futuras. Por isso, vou começar pedindo perdão. Perdão porque não será possível deixar pra vocês um país mais igualitário, por mais que se tenha buscado diminuir as diferenças sociais. Perdão porque não deixaremos um país onde o amor seja mais forte que o ódio. Perdão porque a cegueira não nos permite qualquer empatia com o outro. E a solidariedade não fará parte do nosso legado. Perdão porque a minha geração matou tanta aula de história que não consegue identificar quando ela se repete. Perdão porque não conseguimos entender ainda o significado da palavra Democracia. Por outro lado, perdão pelo conceito Corrupção ter se tornado tão vago e flexível, aplicando-se apenas circunstancial e convenientemente. Desculpem, meus filhos, este texto não é de esperança, como os que eu costumo escrever pra vocês. Este texto é de descrença. Mas a descrença não é nos políticos. Não se trata de uma descrença em quem está no Poder ou em quem quer ocupá-lo. Trata-se de uma descrença em parte da população brasileira e na sua capacidade de refletir, discernir. E não, não estou me referindo necessariamente às pessoas que fazem escolhas ideológicas diferentes da minha. Estou me referindo às pessoas que não sabem que escolha estão fazendo. Refiro-me às pessoas que resolvem tratar uma mulher como “quenga”, militares como “heróis”, um juiz oportunista como “salvador da Pátria”. Pessoas que preferem a arrogância ao respeito à vontade de uma maioria. Preferem fazer um país inteiro “sangrar” a aceitar uma derrota. Meus filhos, este texto é de lamento, perdão, mas principalmente de constatação: vocês não terão descanso. A luta por uma sociedade democrática está só começando.

17 de agosto de 2015

por Christianne Alcantara

Quando a vida se dá…

Eu sempre publico uma frase de Vinícius de Moraes que amo: “Porque a vida só se dá pra quem se deu…”. Quando eu me lembro do período que amamentei os meus filhos e os vejo agora, percebo que a frase se encaixa perfeitamente. Para mim, a amamentação foi fisicamente dolorosa em alguns momentos (tive mastite, fungo e fissuras), mas foi muito prazerosa também. Eu tinha certeza de que amamentá-los era o maior gesto de amor que eu podia oferecer a eles naquela fase de suas vidas. E eu me entreguei completamente. Amamentar é alimentar de amor, de afeto, de entrega. É estabelecer vínculos. Hoje, eu sinto a vida se dando, devolvendo em dobro, seja no olhar confiante dos meus filhos, seja na cumplicidade que existe entre nós. Sem mencionar a saúde deles… Na maternidade, já errei muito, mas, se acertei em alguma coisa, eu posso afirmar que foi quando escolhi amamentá-los.

12 de agosto de 2015

por Christianne Alcantara

Amor que não se repete

E dia desses eu estava conversando com minha funcionária que está grávida de 05 meses, mas o namorado não quer assumir a paternidade. Tentando consolá-la:
– “Concentre-se no seu filho. Não tem nada melhor no mundo do que filho”.
Antes que ela respondesse, minha filha, Valentina, resolveu se intrometer na conversa:
– “Tem”.
Deu uma pausa e completou:
– “Mãe”.
Pois é. Por isso que eu digo: Não há nada melhor no mundo do que filhos.

1 de fevereiro de 2015

por Christianne Alcantara

Um animal de estimação em minha vida

Nós compramos uma cachorra. Nunca postei no blog, mas Frida Kahlo já tem 1 ano e 7 meses. Ela entrou nas nossas vidas quando tinha 3 meses. Eu não tive animal de estimação. Na verdade, eu tinha até medo de cachorro. Fui mordida por um quando tinha 6 anos. Mas achei que devia dar aos meus filhos a oportunidade de ter um animalzinho de estimação… Frida é uma West Highland White Terrier. Quem conhece sabe. Tem energia que vale por várias crianças juntas. E dá mais trabalho do que Valentina e João Marcelo juntos também. O fato é que eu comprei para as crianças, porém, entretanto, todavia, a cachorra se tornou mais minha do que de qualquer um lá em casa. E, claro, que meus filhos têm obrigações com ela, como providenciar a água, dar a comida, banho, adestrar, cuidar quando ela está doente, mas a verdade é que a maior parte das tarefas termina sendo de minha responsabilidade. Sim, há compensações: um amor incondicional, uma fidelidade literalmente canina… E algumas coisas que tenho aprendido durante o processo de adestramento, como “não adianta gritar”, “consistência é fundamental” e “ser firme nos comandos”. O que me faz pensar: qualquer semelhança com o “educar” é mera coincidência? Aceito opiniões a respeito…

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