Coisa de Mãe

Em boa companhia

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Hoje vou começar com Clarice Lispector:

“Quanto a meu filho, o nascimento dele não foi casual. Eu quis ser mãe. O menino está aqui, ao meu lado. Eu me orgulho dele, eu me renovo nele, eu acompanho seus sofrimentos e angústias. Sei que um dia abrirá as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres”

Lembrei-me desse texto de Clarice porque fiz um desabafo já agora à noite: “Estou me sentindo tão sozinha…” Falava para mim mesma, como quem pensa alto. Para minha surpresa, um interlocutor perguntou visivelmente preocupado: “Você está sozinha, mamãe?” Recuperada do impacto, olhei para meu filho de dois anos e sete meses e admiti, humilde: “Estou, filho”. Ele não se fez de rogado e respondeu: “Eu estou aqui para te ajudar”. O que uma mãe sente numa hora dessas? Quem é mãe deve entender. Mas imagine que você não seja mãe e que uma criança com menos de três anos de idade demonstre solidariedade para com sua dor. Aquela dor que bate na alma da gente de vez em quando. Não sei até onde essa fantasia pode levar você. Mas posso dar meu depoimento sobre o que aquela frase aparentemente singela representou para mim: Conforto, segurança e aconchego. Ele disse tão naturalmente que parecia estar indignado com o fato de eu não conseguir ver o óbvio. Senti que me renovava naquele amor… Como disse Clarice, um dia eu ficarei sozinha, mas esse dia ainda não foi hoje.

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