Recebi reclamações: Nenhuma postagem no Dia dos Pais. Expliquei: O blog é Coisa de mãe. Não se convenceram. Então, a pedidos, resolvi escrever sobre pais, embora eu seja uma mãe… E aí eu poderia começar dizendo: Tem pai que é uma verdadeira mãe! Já ouviram clichê maior? Posso até imaginar os pais leitores deste blog, pensando: Seria melhor que ela não tivesse escrito nada sobre os pais mesmo… Eu também tenho um motivo para não ter escrito no blog ontem: Meu pai. Ele tem me dado trabalho com seu projeto (já o mencionei na postagem Coisa de filha) e não tenho tido muito tempo para fazer mais nada. Pai é engraçado. Não chega a ser um “bicho esquisito” como já defini a qualidade de pessoa que se chama mãe, mas não deixa de ter sua singularidade… O pai da noiva do meu cunhado (registrou?), por exemplo, deixou-nos de queixo caído: A filha dele (tia Camille, para meu filho) já mora com meu cunhado (tio Saulo) há quase dois anos. Moram debaixo do mesmo teto e vão casar em outubro (mais detalhes na postagem O casamento). Mês passado, Camille fez aniversário. Ao telefone, o pai comentou: “Filha, você já pensou que este é seu último aniversário solteira?” É coisa de filha retrucar pai e é claro que ela não poderia deixar passar: “Mas, pai, eu já não me sinto mais solteira…”. O pai não deixou por menos: “Camille, para mim, você ainda é solteira”. A noiva do meu cunhado tem a quem puxar… Já sei. Vocês estão pensando que isso é coisa de pai nordestino. Surpresa: O pai de Camille é paulista. Em resumo: É coisa de pai e ponto final. Mais um exemplo. Não sou casada oficialmente com o pai do meu filho. Outro dia, ouvi meu pai dizendo sobre um colega: “Ele não é casado com ela, não. Eles moram juntos” Retruquei, claro: “Como eu e Marcelo?” É definitivamente coisa de pai achar que as filhas são umas santas. É coisa de pai achar que os filhos são os maiores garanhões. Entretanto, para além do previsível, os pais têm conseguido surpreender. Uma nova cultura vem se instalando há algum tempo. A idéia de que “não basta ser pai, tem que participar” tem sensibilizado os homens, antes acostumados a apenas trabalhar e pagar contas. Justiça seja feita: Aos poucos, uma silenciosa revolução vem ocorrendo no dia-a-dia dos casais modernos. Mulheres menos submissas, homens mais participativos. Pais vêm adquirindo a consciência de que também têm um papel na educação das crianças, na execução das tarefas rotineiras. Mães começam a entender que os pais também têm obrigações. Aquilo que antes era cobrado apenas das mulheres precisa também ser cobrado dos homens. Filho (a) não é (ou não deveria ser, na minha modesta opinião) um projeto individual. Deve ser um projeto a dois. Ambos têm responsabilidades e obrigações. É fundamental que haja um envolvimento efetivo com a criança, que haja disponibilidade afetiva. E quando há disponibilidade afetiva todo o resto é conseqüência. Meu pai é um pai de uma disponibilidade afetiva imensa. Tenho certeza de que isso faz uma grande diferença quanto a minha forma de ver o mundo e de me relacionar com os outros, sejam eles meu marido, meu filho, meu colega de trabalho… Por isso, hoje, vou fazer questão de parafrasear: Pai também só tem um.
Minha homenagem atrasada ao Dia dos pais.