João Marcelo e eu, assistindo Discovery Kids. Os Backyardigans cantam seu tema principal de abertura. Pouco tempo depois, intervalo. Eu mal consigo ver qual é a publicidade… João Marcelo começa: “Mãe, compra isso para mim?” Outra publicidade infantil e João Marcelo repete, sem parar: “Mãe, tu compra esse também? Tu compra? Compra, mãe?” Eu fico irritada e dou um sermão: “João Marcelo, você não precisa de mais brinquedos, você já tem o suficiente para brincar. Aliás, a gente precisa dar alguns dos seus brinquedos…” E por aí vai. Comento com o pai que estou achando o filho muito consumista. Comprar, comprar, comprar. Verbo que ele tem aprendido a conjugar… Digo que é porque foi o primeiro filho, o primeiro neto pelo lado do pai e arrumo umas tantas outras justificativas para o comportamento do menino…
Em momento nenhum associei as atitudes do pequeno à publicidade infantil a qual ele é exposto frequentemente. Até que recebi um comentário de Ceila Santos, do Desabafo de mãe, convidando-me para entrar no debate sobre publicidade infantil e lançando uma pergunta: Quais são as responsabilidades dos pais diante do excesso de informação e da convergência das mídias? Achei paradoxal que eu, como jornalista, que ensino o tema (informação, convergência de mídias etc etc), NUNCA tenha feito a associação dentro da minha própria casa… Fiquei um pouco assustada também. Nós limitamos o acesso de João Marcelo à TV. Dia sim, dia não. É a regra. Três programas no Discovery ou um DVD. Ele escolhe. Mas, confesso: Não havia levado em consideração o bombardeio de publicidade, estimulando o consumo. Sempre achei que regular essa postura consumista que as crianças, em geral, têm fosse papel nosso, papel exclusivo dos pais. E da escola, paralelamente.
Entretanto, estou repensando. Estamos tão envolvidos com esse bombardeio de informação e tão maravilhados com a convergência midiática que banalizamos os seus efeitos. Outro dia, eu disse ao pai que João Marcelo precisaria pesquisar também nas enciclopédias, como fazíamos, para aprender a ir atrás da informação. Marcelo foi categórico: “Claro que não! Todos têm acesso à Internet! Ele vai ficar para trás? Desatualizado?” Insisti no meu argumento. Mas causou polêmica e não o convenci. Quando falamos em uma preocupação com o excesso de informação e com a convergência midiática, não estamos demonizando a questão. Estamos apenas tentando colocar o tema no centro de uma discussão que muitas vezes é esquecida.
Todo excesso é perigoso. Afinal, você tem fome de quê? De informações específicas ou de todo e qualquer tipo de informação? A convergência midiática serve a um determinado propósito. Entretanto, traz questões colaterais como a estranha sensação de que não vivemos sem as respostas imediatas. Se, por um lado, a interatividade é um dado interessante que pode também trazer problemas quando falamos em filhos adolescentes, acessando a internet sem qualquer supervisão; por outro, é fascinante conseguirmos promover o nível de interatividade que temos desenvolvido.
Quais são as nossas responsabilidades diante desse bombardeio? Eu diria que nossa principal responsabilidade é assumir a responsabilidade. Compreender que devemos debater o tema e promover intervenções domésticas, baseados na nossa percepção a respeito dessas questões. Ao mesmo tempo, é fundamental que a gente consiga chegar perto dos nossos filhos e descobrir do que eles têm fome e sede. Essa descoberta, com certeza, vai nos ajudar a encontrar um caminho. Por enquanto, fica o alerta. Que considero um bom começo.
E você, como se sente? Deixe seu comentário e responda a enquete ao lado!
Quem quiser debater mais o tema, vai no Desabafo de mãe: http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2010/05/voce-pode-se-expressar-mesmo-que-nao.html
Fica o meu agradecimento especial ao blog do Desabafo de mãe pelo convite e pelo alerta que agora compartilho aqui.