Eu sou uma primogênita. E ultimamente tenho pensado sobre a dor e a delícia de ser a primeira filha. A dor por sofrer uma expectativa velada em torno do que eu viria a ser. A delícia de ser o centro das atenções. A dor de ser alvo de tanto amor. A delícia de ser tão amada. A dor de ter que dividir tudo, quando antes não dividia nada. A delícia de ter com quem dividir. A dor de ter que encarar uma certa proteção exagerada. A delícia de estar sendo cuidada. A dor de ver outra alvo de mimos que antes eram só meus. Não é fácil ser a primeira. Talvez por isso eu entenda a dor do meu filho agora. Porque, a delícia, ele só vai experimentar depois.
A dor e a delícia de ser o primeiro
19 de janeiro de 2010 0 Comentário