As mães estão terceirizando a maternidade?

Esse é um debate que tem sido permanentemente exposto na mídia. Definitivamente, não acredito que as mães estejam terceirizando a maternidade. Pelo contrário, acho que as crianças nunca exerceram um papel tão central na vida familiar como atualmente. No livro “Ordem médica e norma familiar”, o psicanalista Jurandir Freire confirma aquilo que sabemos, historicamente: “O amor não era um pressuposto necessário à ligação conjugal”. Já “a mulher (…), submissa ao homem, não imaginava a importância que tinha na proteção às crianças”. Uma nova ordem doméstica surge, e a mulher passa a ser a responsável pela educação dos filhos (as). Passa a ter também um papel mais bem definido e autônomo. Se, antes, a mulher delegava às amas de leite os cuidados de que os filhos necessitavam, hoje, essa realidade não se repete no caso das babás. Acredito que elas (as babás) exerçam um papel operacional no dia a dia de um lar administrado por uma pessoa que, além de ser mãe, tem uma atividade profissional. Ainda por cima, não se esqueçam: É uma mulher! Tenho babá, preciso de babá, mas acho que elas estão em extinção. Só não concordo com essa visão - que só pode ser machista - de que o fato de precisarmos de babás indica nossa omissão no quesito maternidade. Ninguém acha, por exemplo, que “os pais estão terceirizando a paternidade”, embora a maioria passe o dia inteiro fora, trabalhando, e só tenha notícias do filho pela mãe ou nos finais de semana. Não me sinto menos mãe por necessitar de babá. Não fiz concurso para mulher-maravilha. Sou mãe. E faço o melhor que posso. Crio, educo meu filho, cuido dele, brinco, mas, preciso, sim, de babá. É ela quem faz a comida dele, lava as roupas, limpa o quarto e me permite estar com meu filho, com tranqüilidade e dedicação, sem estresse ou culpa, no horário da tarde, uma vez que abdiquei de uma jornada de trabalho full time para me dedicar a educá-lo. Ao mesmo tempo, é a babá que permite que eu exerça também o meu lado mulher, saindo à noite eventualmente com meu marido, enquanto meu filho fica em casa sob os cuidados de uma pessoa em quem confio e que convive conosco há mais de três anos. Portanto, a minha resposta à pergunta que não quer calar é “não, mães não terceirizam a maternidade porque resolvem ter babás”.

Se você quer entrar neste debate, deixe o seu comentário e responda a enquete ao lado!

Arquivado em: Reflexões

7 mensagens

  1. Renata Cimões Lembrete :

    A resposta à enquete é NÃO. As mães não estão terceirizando a maternidade. Acredito que justamente o contrário esteja acontecendo, vejo hoje que praticamente todas as mães trabalham, mas nem por isso deixam de participar ativamente da vida de seus filhos, e isto acontece não por obrigação, mas por prazer, o simples prazer de ser MÃE. Trabalho, estudo, mas não abro mão de levar e buscar meu filho na escola (na maioria dos dias posso fazer isso), participar das festas, organizar suas atividades extras. Preciso de uma babá para organizar as coisas do meu filho para que eu possa, em todo o meu tempo livre, aproveitá-lo ao máximo. Não abro mão do meu trabalho, mas principalmente não abro mão de ser MÃE.

    Postada em novembro 11th, 2009 as 23:40

  2. Flavia Lembrete :

    Eu acho, sim, que existem muitas famílias que terceirizam a maternidade.
    Mas nem tudo é tão facil de diagnosticar. O fato de ter babá não quer dizer que é um caso de “terceirização”.
    Me lembro quando fui ao Brasil no começo do ano e era muito comum ver as babás com os pequenos e os pais em uma barraca de praia tomando uma cervejinha.
    Não posso julgar, porque não conheço o dia a dia dessa família, mas se durante a semana os pais trabalham e têm pouco tempo com os filhos e no fim de semana os pais querem curtir e levam a babá a tiracolo todo o tempo, qual o tempo dedicado ao filho, a sua educação e lazer?
    A babá é necessária sim, em muitos casos, mas tem coisas que eu realmente não entendo e não compartilho.
    Babás que dormem no quarto dos bebês e se encarregam de fazê-los dormir, se acordam de noite. Babá de fim de semana em tempo integral, babás que passam mais tempo com as crianças que os próprios pais e não necessariamente por uma questão de tempo laboral.

    beijos

    Postada em novembro 12th, 2009 as 5:19

  3. roberta Lembrete :

    Oi, Chris, gostei da reflexão! Sabe o que eu acho que acontece? Vivemos em tempos meio esquisitos de maternidade radical onde “ou vc pensa e age como eu ou está contra mim”, como se o radicalismo reafirmasse as teorias das quais eu mesma não tenho certeza, sabe assim?
    Eu sinto isso. Há uma falta de respeito geral pela opção alheia. O negócio é manter aquilo no qual se acredita e respirar fundo, eu acho. Tive babá, não tenho mais puramente porque prefiro a escolinha (isso hoje, vai saber amanhã, mãe muda tanto de idéia…)
    Aliás, o maior sofrimento das radicais (tanto as que são contra ao extremo ou a favor ao extremo) é a inflexibilidade. Imagine que difícil a vida se torna quando vc nunca pode admitir que estava errada e voltar atrás em uma escolha?

    beijo!

    Roberta

    Postada em novembro 12th, 2009 as 6:31

  4. Natália Lembrete :

    Acho que essa terceirização até acontece em alguns casos, mas quem não quer assumir o papel de mãe sempre arruma outra forma de “repassar” a trabalheira, independente de ter ou não babá - aí sobra para as avós, as tias, ou simplesmente prá ninguém, e a criança é criada sem acompanhamento efetivo.
    Prá mim, babá/secretária é mão-de-obra de primeira necessidade, porque enquanto ela está cuidando das roupas, da casa, da alimentação, eu posso sentar ao lado dos meus filhotes para ver as tarefinhas, ouvir suas histórias, passear com eles… e o tempo ainda assim é curto - queria ficar mais com eles!
    Imagina se eu ainda tivesse que acumular todas as atividades que solicito à babá !
    Mulher Maravilha só em desenho animado ! E olha que ela não tinha filho, marido, nem casa prá dar conta !
    (mas eu até queria aquele avião supersônico transparente. Chegaria em casa num minuto, sem um pingo de engarrafamento…)

    Postada em novembro 12th, 2009 as 9:33

  5. Roger Lembrete :

    Um amigo meu escreveu certa vez (enquanto me sentia um pai ausente): “Tudo o que Daniel (meu filho) precisa é de amor, o resto é pressão da sociedade e invenção de nossas cabeças”. Pode parecer desculpa, mas acredito muito no que ele disse.

    Uma vez que o amor transcende, o papel da(o) mãe/pai independe de “terceirização”. Lembrando que há várias formas de expressar amor, registro um dos maiores presentes que recebi na minha vida: “Estava levando meu filho a uma festinha de aniversário e ele, já bem cansadinho com a cabecinha inclinada na sua cadeirinha do carro, falou: PAPAI EU TE AMO MUITO. Assim, do nada”.
    Nunca imaginei que fosse sentir tamanha emoção, meus olhos marejaram e queria muito abraçá-lo naquele momento, mas dirigia. Por isso, dizia Madre Tereza de Calcutá: “Os melhores professores são as crianças”.

    Acredito que João Marcelo é muito amado.

    Um beijo, querida.

    Postada em novembro 12th, 2009 as 9:49

  6. Roberta da Fonte Lembrete :

    Cris,

    AAAAAIIIIIIII COMO EU QUERIA TER UMA BABÁ!!!!! :)))

    (infelizmente não estou podendo pagar….).

    Já cheguei a ser contra. Porém, pq só via babá como alguém para cuidar dos filhos (e isso EU que sempre quis fazer) e não nesta visão que você deu de babá, de quem pode dar um braço (lavar as roupinhas e tal). Hoje sinto uma necessidade absurda de alguém para me ajudar (até pq trabalho em casa), mas não tenho… Acabei resolvendo que Arthur vai para o colégio ano que vem (com menos de 3 anos, como eu antes apenas aceitava…), pois PARA MIM sai melhor do que pagar uma babá.

    beijos!!

    Postada em novembro 12th, 2009 as 10:18

  7. Marcia Lembrete :

    Eu moro no exterior aonde essa questão da babá é um pouco diferente ($$$). Por isso, acabei optando por sair do trabalho e cuidar eu mesma do Gabriel. Se estive no Brasil acredito que eu poderia ter feito outras escolhas. Cada um sabe bem a sua própria situação. Nada de julgamentos, né? O importante é que a sua família esteja bem.

    Postada em dezembro 11th, 2009 as 15:29

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