Coisa de Mãe

Uma visão pouco romântica da maternidade

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Admiro as mães que dizem amar os filhos mesmo antes de nascerem. Não deixo, entretanto, de interpretar a afirmação como uma forma romântica de encarar a maternidade. Não que seja ruim ser romântica. Até gostaria de sê-lo. Mas não sou e, honestamente, só senti esse amor materno depois que meu filho nasceu e não foi instantaneamente. Fomos construindo esse sentimento. Dia a dia. A cada mamada, a cada cólica, a cada choro, a cada sorriso. Meio assim, como definiria o poeta Carlos Drummond: “Amar se aprende amando”. Sinto-me, com a minha filha, da mesma forma que me sentia com João Marcelo, quando ele ainda estava na barriga. Às vésperas da descoberta de um grande amor. E essa sensação já é muito intensa. É o ante-clímax da minha narrativa. Um momento de suspense. Estou um pouco perdida, é verdade, mas, paradoxalmente, ancorada na espera de um novo encontro inesquecível.

E vocês? Como se sentiam quando grávidas?

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