A escolha da primeira escola para os filhos não deve ser fácil para ninguém… Aqui em casa, acho que foi um pouco mais difícil… Sempre fui aquela que se preocupa com o macro; o pai, que ocorre de ser também meu marido, sempre foi aquele dos mííínimos detalhes, se é que vocês me entendem… Vou explicar: ele é engenheiro elétrico. Quando terminávamos de visitar cada uma das escolas que tivemos a chance de conhecer (cerca de 15), vinha a frase: “Pontos positivos (eu sempre começava): ‘a proposta pedagógica (quando era o caso), o espaço físico’ e por aí vai; Pontos negativos (em geral, era a vez dele): ‘tinha um fio solto acessível a qualquer criança, você viu aquela escada?” Até aí, tudo bem. Um belo dia de novembro, em uma das visitas, ele disparou: “Por que toda escola tem uma mangueira, hein?” Demorei um pouco para entender do que ele estava falando. Mangueira? Que mangueira? Foi quando ele explicou que toda escola que a gente visitava tinha uma mangueira no parque. É, uma mangueira, aquela árvore que dá manga e uma sombra maravilhosa… A princípio, não entendi nada. Marcelo – o nome do pai de João Marcelo, meu filho (haja criatividade) – morou em casa a vida inteira, lá em Casa Amarela. Se tem uma coisa que não falta naquela casa é mangueira! E o homem estava preocupado com as mangueiras das escolas. Mas ele não se fez de rogado e me deixou em estado deplorável: “Estou pensando na segurança de João Marcelo. Se uma manga cai na cabeça de um desses meninos, acabou, morre na hora”. E eu me perguntei: “Como não pensei nisso antes?” Agora tínhamos mais um ponto negativo nas avaliações das escolas: a bendita mangueira. Podemos garantir, com conhecimento de causa: todas as escolas que visitamos tinha lá a majestosa mangueira. Imponente, como a desafiar-nos a matricular João Marcelo. Ela parecia olhar pra mim com um certo desprezo e pra Marcelo… com deboche. Entrávamos no carro e o primeiro ponto negativo era a mangueira. Ironicamente, manga é a fruta preferida dele. Confesso que já estava meio descrente de que conseguiríamos matricular João Marcelo para o início de 2008. Não chegávamos a um consenso. Até que fomos visitar a última escola da lista. Todos nossos amigos a haviam apontado como uma das melhores do Recife. Só que ela fica longe pra gente. Pense numa contramão! Mas, sabe como é: mãe é mãe, pai é pai… Educação é tudo que a classe média trabalhadora pode oferecer aos seus filhos… Enfim, todo esse discurso que vocês já conhecem. Confesso que minha vontade era chegar à portaria da escola e perguntar: “Gostaria de saber se aí tem mangueira…” Pra não perder tempo… Tempo é dinheiro e minha paciência estava para se esgotar a qualquer momento. Resisti. Entramos, conversamos com a coordenadora, voltei às minhas preocupações pedagógicas. Ficamos impressionados. Chegou a hora de conhecer as dependências da escola. Fiquei torcendo para não encontrar a mangueira de novo, aquela dos meus pesadelos mais recentes. Mas não deu outra. Ela estava lá, impassível. Não consegui ver mais nada. Olhei pra ele e disse: “Aqui também tem mangueira, meu bem” (sabe aquele ‘meu bem’ enfático, aquele ‘meu bem’ que queria dizer que ia esganá-lo ou mandar derrubar a mangueira…) Ele respondeu: “Pelo menos, aqui o pessoal é inteligente. Colocou uma rede (dessas que a gente coloca nas janelas dos apartamentos para evitar acidentes com as crianças)”. Olhei de novo e vi. Nunca fiquei tão feliz por ver uma rede. Ela protegia o parque das eventuais mangas que caíssem sem prejudicar o ambiente, mantendo-o arborizado e agradável. Sorri aliviada.
Gostaria de saber se aí tem mangueira…
9 de maio de 2008 6 Comentários