Há dias em que ficamos tão envolvidas com o cotidiano, com o “dar banho”, “dar a comida”, “vestir a roupa”, “escovar os dentes”, que esquecemos de nos dar aos (às) nossos (as) filhos (as). São tantos afazeres, tantas demandas e tanto corre-corre, que às vezes a gente se esquece do principal, daquilo que nos faz levantar, a cada manhã, e seguir em frente. Em algumas situações, ao chegar ao trabalho, depois de ter deixado João Marcelo na escola, percebi que não o havia abraçado ou beijado ou prestado a devida atenção a ele. A sensação era tão ruim, sentia uma saudade, queria que já chegasse a hora de reencontrá-lo para recuperar o tempo perdido. Por que a gente vive em busca do tempo perdido, como Proust? Essas situações têm me feito começar o dia de forma diferente, na medida do possível. Sei que não há uma fórmula, mas é tão bom quando me volto para ele, antes de me voltar para todo o resto, antes de entrar na roda viva em que a gente “faz tudo sempre igual”. Ontem, consegui me libertar das pressões que envolvem o começo de um novo dia. Dei um abraço apertado nele, dei tanto beijo naquela bochecha e ele só fazia rir, ficava se dobrando de rir. Quando chegamos à escola, ele olhou para mim e disse, na hora da despedida: “Mamãe, me dá um abraço forte?” Dei abraço, beijo, tudo que tinha direito. Saí pronta para encarar o dia. Até o trânsito do Recife estava tranqüilo… Quero a sorte de mais dias como esse.
Você já beijou seu filho hoje?
13 de novembro de 2008 6 Comentários