fev
09
Às vezes, tenho vontade de correr, fugir… É quando me lembro da composição de Cartola: “Preciso me encontrar”. Quem nunca sentiu vontade de fugir um pouco da realidade, da rotina, do dia a dia, atire a primeira pedra. O problema é que a gente quer ir e voltar com a vida congelada no tempo. Como se pudéssemos dar uma pausa, assim como fazemos com um DVD. Voltar e encontrar tudo como deixamos. Intacto. Como isso não é possível, vamos ficando por aqui… A rotina cansa, exaure, mas o que seria de nós sem ela, por outro lado? Sem a alegria de um lar, de uma família, de filhos crescidos e crescendo? Não posso nem imaginar. Pois é, somos paradoxais mesmo. Acho que “esse papo já tá qualquer coisa”. São as noites mal dormidas…
http://www.youtube.com/watch?v=doU59v5LxVY
fev
04
O jornalista Hodding Carter disse certa vez que “os dois maiores presentes que podemos dar aos nossos filhos são raízes e asas”. A volta às aulas na última segunda me fez lembrar essa frase. Eu e Marcelo levamos João Marcelo para escola. Ele pegou a mochila, colocou nas costas e saiu andando com naturalidade. Lágrimas rolaram dos meus olhos. Há tão pouco tempo ele sequer podia arrastar a mochila… De uma hora para outra, sem que eu tivesse me dado conta, ele cresceu. João Marcelo tem repetido com orgulho que agora é do Infantil III, já tem quatro anos, não é mais bebê. Eu olho para ele incrédula. Para mim, ele ainda tem quatro anos. Tudo é uma questão de perspectiva. Sinto que, aos poucos, as suas asas ensaiam vôos. Quer fazer tudo sozinho, quer ir à casa de colegas, quer ir para a piscina sem ninguém… Por outro lado, tem repetido: “Como é bom estar em família…”. É quando nos abraça e nos beija. Às vezes, tenho a sensação de que estamos fazendo nossa parte como pais… Mas isso, só o tempo dirá.
fev
03
Uma pesquisa da Instituição Mind Lab (EUA) afirma que o choro do bebê não perturba o sono masculino porque eles não têm o instinto materno. E que o homem simplesmente não consegue ouvir o choro da criança. Por outro lado, acordam com o som de alarmes (quem não acorda com alarme? Só se tiver um problema auditivo)… Achei essa pesquisa muito engraçada e tenho certeza de que, com todo o respeito à instituição, quem fez a pesquisa é do sexo masculino. Ora, mães de todo o mundo, uni-vos! Eles não ouvem não, é? Façam com que eles ouçam! Cutuquem, belisquem, gritem no pé do ouvido! Eles não têm instinto materno, mas precisam de um pouco de instinto paterno! Ajudar de madrugada também é uma atribuição dos pais, ora essa! Agora, se nada do que eu sugeri funcionar, mexa com o órgão mais sensível deles, o bolso. Ameacem contratar uma babá para as madrugadas insones… É um santo remédio. Eles logo, logo, vão começar a ouvir. Experiência própria.
jan
27
O fim da paciência coincidiu com o fim da psicologia por aqui. Depois que João Marcelo resolveu fazer xixi fora do vaso para chamar atenção, repetidamente, fazer de conta que é um sapo, pulando sem parar da cama, do sofá e por aí vai, e de quase me derrubar com a menina no colo, concedi um ponto final a minha paciência. Claro, a psicologia, consequentemente, foi embora. Falei com todas as letras que tudo tinha mudado. Agora, eu sou mãe de duas crianças, não mais de uma e que ele precisa entender que eu tenho que me dividir, não posso ficar o tempo todo com ele, como acontecia antes. Ele olhou para mim e disse que queria ficar no meu colo, como Valentina. Morri de pena e deu uma dor no coração, confesso. Mas não pude recuar e disse que, naquele momento, eu não poderia ficar com ele. Na verdade, ele teria que esperar que eu terminasse meus afazeres com Valentina: Dar banho, colocar fralda, amamentar e fazer com que ela dormisse, finalmente. O cenário paralelo era enlouquecedor. Enquanto tínhamos essa conversa, Valentina chorava de cólica sem parar. Lágrimas rolavam nos rostos dele e dela. Da minha parte, a certeza da total impotência diante dos dois. Embora estivesse com muita vontade de chorar também, resisti. Aliás, continuo resistindo ao choro até agora. Amanhã vai ser outro dia…
jan
27

Lembro-me perfeitamente do atropelo que foi admirar a Monalisa, a maior atração do Museu do Louvre, em Paris. A gente tentava se espremer entre aqueles que já haviam conseguido o melhor ângulo para ver a obra prima de Da Vinci. Na tela, o sorriso enigmático. Ou melhor, a expressão enigmática que confere ao quadro controvérsia e fama. Muito já se falou sobre o quadro, inclusive que Lisa - a modelo - teria sido mãe recentemente, e o retrato fora feito em comemoração à maternidade. Acho que toda mãe, durante o puerpério, dá sorrisos de Monalisa - aquela expressão no canto da boca que mais intriga do que esclarece. Desde que Valentina nasceu - não sei se aprendeu com a mãe - brinco que ela esboça sorrisos de Monalisa. Será que ela está sorrindo (?), a gente se pergunta. Vários pediatras dizem que bebês só vão sorrir a partir dos três meses. Bem, Valentina está com um mês e 15 dias e, para nossa surpresa, ela abandonou o sorriso de Monalisa ontem, pela primeira vez. E sorriu livremente, já não mais presa pelo enigma ou pela previsão médica. Sorriu, interagindo, respondendo a um estímulo da mãe. Foi tão bom vê-la fora da moldura…