mar
09
Filho, ontem fui buscar você na escola e fiquei observando a sua vontade de não sair de lá. No parquinho, com seus coleguinhas, você descia no escorrego, rolava na areia, brincava de pega. E ainda gritava: “Mais um pouquinho, mamãe!” Acho que a maioria das coisas que precisamos aprender é mesmo no jardim da infância que aprendemos. Uma delas é fundamental: Fazer amigos. Sempre achei poético: Amigo de infância. Eu tenho uma amiga de infância e me orgulho de dizer. Na verdade, ela é uma amiga de infância, de adolescência, de toda uma vida. Você, filho, tem amigos. Não sei se serão amigos de toda uma vida, mas esta fase é linda e eu quis registrar para você. E, só para garantir, vou listar os nomes dos seus coleguinhas da escola e, entre eles, aqueles com quem você mais interage até este segundo. Porque, você sabe, isso muda a cada instante:
1. VALENTINA
2. GABRIELA
3. MARIA FERNANDA
4. THAÍS
5. MARINA
6. VINÍCIUS
7. JOÃO ANTÔNIO
8. THOR
9. DANIEL HENRIQUE
10. GUILHERME
11. MATHEUS
12. JOÃO PEDRO
13. CLÉO
14. DIEGO
15. LAURA
16. JULIANA
17. ARTHUR
Entre eles, os que você acabou de me dizer que são seus amigos da hora: THOR, CLÉO, ARTHUR, DIEGO, VINÍCIUS, GUILHERME, VALENTINA E MATHEUS.
Sejam eles amigos de toda uma vida ou não, eles já fazem parte de uma das fases mais bonitas da sua história: A infância.
mar
08
Só hoje, por incrível que pareça, dei-me conta do que representa sermos duas por aqui. Duas do sexo feminino. Duas para comprar jóias (adoooro), duas para comprar roupas, duas para chorar com os comerciais de margarina, duas para sorrir quando as coisas não estiverem muito bem, duas para administrar os outros dois da casa… De repente, percebi que nunca mais serei a mesma, com essa extensão… E que sensação boa, meu Deus… Feliz Dia da Mulher, Valentina!
mar
07
João Marcelo, de madrugada, acorda e vem para a cama dos pais. Ele se espreme entre eu e Marcelo, olha para o pai e diz, pensativo, com o subjuntivo e o futuro do pretérito perfeitos:
“Se você não existisse, seríamos só eu e minha mãe, para sempre…”
Fecha os olhos e dorme. O pai foi quem não conseguiu mais dormir depois dessa…
fev
26
João Marcelo nunca usou uma chupeta na vida. Uma mamadeira, muito menos. Sempre tive horror a tudo que pudesse atrapalhar a amamentação e, segundo os especialistas, esses são os dois principais vilões. Sempre me orgulhei do fato de João Marcelo nunca ter precisado usar nem a chupeta nem a mamadeira. A gente até ofereceu a chupeta numa fase em que ele estava muito estressado devido à alergia, que ainda não tínhamos diagnosticado. Mas oferecemos sem convicção, torcendo para que ele não pegasse. Ele não pegou. Cuspia a bendita chupeta, para nosso delírio. Depois que tivemos que liberar o uso da chupeta com Valentina, entendi que os filhos são mesmo diferentes. Quando digo “tivemos que liberar o uso da chupeta” quero dizer que não tivemos mesmo alternativa. A necessidade de sucção da pequena é enorme e, depois de uma mastite, quinze dias de tratamento de um fungo e mais dez dias de antibiótico para debelar o aparecimento de um furúnculo (tudo isso no peito), tenho sido obrigada a poupar meus seios ou daqui a pouco não poderei mais amamentar. Como não posso sequer imaginar essa possibilidade, a chupeta foi a solução. Eu sei que alguns falam bem da chupeta. “Deixa a menina viver a fase oral dela, é importante!”, dizem. Pois bem, Valentina está vivendo sua fase oral intensamente. E o tabu foi quebrado aqui em casa. Mas, João Marcelo, que introjetou bem nossa animosidade em relação à chupeta, passa por Valentina, quando ela está no auge da sucção, e diz: “Cospe isso, Valentina!” Sugere que ela faça exatamente o que ele fazia quando bebê. Mas, como já constatei, eles são diferentes, e ela continua sugando a chupeta com prazer, indiferente ao conselho do irmão mais velho.
fev
25
é preciso saber usar vírgulas, evitar as interrogações, abusar das exclamações e reconhecer que às vezes temos que usar pontos finais. Vários. Para viver um grande amor, é preciso dar valor às reticências. Para viver um grande amor, não precisamos reconhecê-lo como tal, basta amar. E só depois descobrir que é grande. Para viver um grande amor, é preciso se encontrar. Para viver um grande amor, é preciso amar. E “amar se aprende amando”, como ensinou Drummond, de novo.