Coisa de Mãe

16 de agosto de 2016

por Christianne Alcantara

Para deixar registrado

Pessoal, voltei a escrever no blog depois de um ano parada. Quem sempre me acompanha vai perceber que postei alguns textos com datas retroativas que não haviam sido postadas. Escrevi esses três textos nas datas publicadas, mas não coloquei no blog. Entretanto, como pretendo que o Coisa de mãe seja um registro que meus filhos possam ler posteriormente, resolvi postar com as datas que escrevi os textos. Espero que vocês compreendam. Obrigada por continuarem a me acompanhar.

7 de julho de 2016

por Christianne Alcantara

Amor em forma de saudade

fuxicoSe há um sabor de que não me esqueço é o sabor de um suspiro que minha avó materna fazia… Ele saía do forno crocante por fora, ligeiramente aerado e cheirava à família, a uma infância feliz. Hoje é só saudade. Eu me arrependo de apenas duas coisas nesta vida: uma, de não ter aprendido a fazer esse suspiro; outra, que também diz respeito a ela, de não ter aprendido a fazer fuxico (para quem não sabe, fuxico não é fofoca. Não neste caso, pelo menos).
P.S. Ela me deixou uma colcha de casal, uma passadeira e fronhas de almofadas. Todas de fuxico. ‪

13 de março de 2016

por Christianne Alcantara

Carta de março

Aos meus filhos, com amor:
Filho, hoje você tem 10 anos. Filha, você tem 6. A vida pra vocês esta só começando. Pra mim, já está na metade do caminho. Ao longo do dia de hoje, 13 de março de 2016, fiquei refletindo. Acompanhando as notícias na imprensa e lendo minha linha do tempo no facebook, fiquei pensando em que país estou deixando pra vocês. Que país os aguarda? E não vou mentir. Acho que minha geração tem muito a se desculpar com as gerações futuras. Por isso, vou começar pedindo perdão. Perdão porque não será possível deixar pra vocês um país mais igualitário, por mais que se tenha buscado diminuir as diferenças sociais. Perdão porque não deixaremos um país onde o amor seja mais forte que o ódio. Perdão porque a cegueira não nos permite qualquer empatia com o outro. E a solidariedade não fará parte do nosso legado. Perdão porque a minha geração matou tanta aula de história que não consegue identificar quando ela se repete. Perdão porque não conseguimos entender ainda o significado da palavra Democracia. Por outro lado, perdão pelo conceito Corrupção ter se tornado tão vago e flexível, aplicando-se apenas circunstancial e convenientemente. Desculpem, meus filhos, este texto não é de esperança, como os que eu costumo escrever pra vocês. Este texto é de descrença. Mas a descrença não é nos políticos. Não se trata de uma descrença em quem está no Poder ou em quem quer ocupá-lo. Trata-se de uma descrença em parte da população brasileira e na sua capacidade de refletir, discernir. E não, não estou me referindo necessariamente às pessoas que fazem escolhas ideológicas diferentes da minha. Estou me referindo às pessoas que não sabem que escolha estão fazendo. Refiro-me às pessoas que resolvem tratar uma mulher como “quenga”, militares como “heróis”, um juiz oportunista como “salvador da Pátria”. Pessoas que preferem a arrogância ao respeito à vontade de uma maioria. Preferem fazer um país inteiro “sangrar” a aceitar uma derrota. Meus filhos, este texto é de lamento, perdão, mas principalmente de constatação: vocês não terão descanso. A luta por uma sociedade democrática está só começando.

17 de agosto de 2015

por Christianne Alcantara

Quando a vida se dá…

Eu sempre publico uma frase de Vinícius de Moraes que amo: “Porque a vida só se dá pra quem se deu…”. Quando eu me lembro do período que amamentei os meus filhos e os vejo agora, percebo que a frase se encaixa perfeitamente. Para mim, a amamentação foi fisicamente dolorosa em alguns momentos (tive mastite, fungo e fissuras), mas foi muito prazerosa também. Eu tinha certeza de que amamentá-los era o maior gesto de amor que eu podia oferecer a eles naquela fase de suas vidas. E eu me entreguei completamente. Amamentar é alimentar de amor, de afeto, de entrega. É estabelecer vínculos. Hoje, eu sinto a vida se dando, devolvendo em dobro, seja no olhar confiante dos meus filhos, seja na cumplicidade que existe entre nós. Sem mencionar a saúde deles… Na maternidade, já errei muito, mas, se acertei em alguma coisa, eu posso afirmar que foi quando escolhi amamentá-los.

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