Coisa de Mãe

4 de dezembro de 2013

por Christianne Alcantara

Para Zezinho, com saudades

Seu Zé, ontem o senhor se foi. Pai do meu grande amor, avô das duas melhores coisas que já fiz na minha vida, João Marcelo e Valentina. Foi sem muitos preâmbulos. Apenas foi. Sua morte é uma síntese da sua vida, sem cerimônias. E eu, longe, despedi-me do senhor em pensamento, em orações e em lágrimas… Imitando o senhor, também não tive cerimônia de chorar na frente dos meus filhos e dizer o quanto estou triste. Depois, não tive cerimônia de chorar com eles pela perda do avô. Não sei explicar essa dor de perder alguém que a gente ama quando nem a gente sabia que amava tanto. E não era só porque senhor era pai de Marcelo, avô das crianças… Era porque o senhor me dizia muito com seu sorriso, com sua autenticidade (às vezes, autenticidade demais, vamos combinar), com seu dengo, com seu amor à vida, com sua certeza de que esta vida aqui se mede pela largura, não pelo comprimento, como diz seu filho (que aprendeu com o senhor, claro). Em uma coisa a gente concordaria, se pudéssemos bater um papo na varanda do meu apartamento agora, comendo casquinho de caranguejo e bebendo whisky: o senhor VIVEU. Como quis. Quero que meus filhos sigam o seu exemplo. Que vivam! Intensamente. Sem cerimônias. Que possam aproveitar cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo… E que sejam felizes, assim como o avô. Obrigada, Zezinho, pela lição de vida, de amor e de entrega. Também te amo.

12 de agosto de 2013

por Christianne Alcantara

Pai é pai

Sempre falamos nas mães. Em como são importantes na vida dos filhos, em como estão presentes, em como se desdobram no exercício da função… Mas, já que ontem foi Dia dos Pais, resolvi discutir um pouco as mudanças que vêm ocorrendo no dia a dia do homem moderno.
Se as cobranças da sociedade recaem sobre a mulher de forma intensa, essa mulher, por sua vez, tem cobrado do homem divisão de tarefas, diante da quantidade de atividades que ela acumula cotidianamente. No exercício da paternidade, a cobrança não é menor. E aí, se mãe é mãe, pai é pai…
Então, fico pensando na nossa característica (das mães, de maneira geral) de querermos as coisas do nosso jeito. De pensarmos que se os filhos não forem atendidos na sua demanda, da forma que, acreditamos, seja a adequada, pronto, o mundo se acaba!!! E fico pensando ainda em como os pais conseguem ver tudo de uma maneira mais tranquila, menos preocupada, mais leve, de uma leveza quase insustentável (pelo menos, para a maioria das mães)… Continue Lendo →

7 de agosto de 2013

por Christianne Alcantara

De olho no dia…

Para quem ainda não sabe, o Coisa de mãe tem um espaço para a mãe coruja, como eu, compartilhar as histórias dos seus pimpolhos. Beta Di Oliver contou esta, que eu achei o máximo!

Léo, seu filhote de cinco anos, aparentemente preocupado com o presente do dia dos pais, no próximo domingo, entrega:

- Pai, a mamãe disse que o presente que eu quero te dar é muito caro…

O pai, Cadu, faz uma conta rápida – apesar de não imaginar sequer o preço do regalo – e dispara um discurso lindo, carinhoso, politicamente correto e, com certeza, bem mais econômico:

- Léo, não preciso de presente caro. Pode ser um desenho, um abraço. Isso pra mim já é um presente….

O menino, com uma visão de futuro bastante precisa, também calcula e responde indignado:

- Nada disso, pai. Aí, no dia das crianças, você vai querer me dar um desenho também. Eu não vou querer isso, não.

E se o mundo fosse feito só de crianças? Que alegria viver!

P.S. Se você quiser, também pode mandar a história do seu pimpolho!

21 de julho de 2013

por Christianne Alcantara

Na ponta da língua

João Marcelo e Valentina, tomando banho juntos. Ela, ciosa da tarefa, vai se ensaboando com uma precisão e coordenação motora que excedem seus três anos. João Marcelo, aos sete, olha para o tempo e mal consegue se concentrar na lavagem da barriga. Eu, inadequada e incoerente:
“Filho, olha como Valentina está se ensaboando, jogando água no rosto, lavando o sovaco…”
Ele olha para mim, magoado, claro, e responde:
“Eu não sou Valentina, mãe, eu sou eu… Eu aprendi isso com você!”
Depois dessa, só me restou o silêncio, que é ótimo aliado quando não estamos muito inspiradas…

10 de junho de 2013

por Christianne Alcantara

Culpa, teu nome é mãe!

Foto: Rafael Alves

Desde que tive Valentina, minha caçula, vivo o dilema: será que estou tendo os mesmos “cuidados” que eu tive com o meu primeiro, João Marcelo? A resposta é não. Espero que você não pare de ler o post e saia do blog depois de ter lido uma resposta tão categórica a uma pergunta tão delicada… Fique aí, dê mais uma chance, não me culpe já, deixe que eu me explique… Eu mesma sempre me culpei e me questionei quanto a isso. Claro que não tenho os mesmos cuidados, não tenho as mesmas preocupações, nem os mesmos exageros, diga-se de passagem… Acho engraçado quando nós, mães e pais, dizemos: “foram criados do mesmo jeito e são tão diferentes”. Só pode ser uma piada… João Marcelo veio quando eu não sabia de nada sobre maternidade. Trabalhava feito uma louca: manhã, tarde e noite. Queria ser uma profissional de sucesso, uma mãe excepcional, uma mulher maravilha. Com ele, foi uma descoberta atrás da outra. Meus medos eram enormes. Continue Lendo →

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